O modelo dos downloads patrocinados por empresas não é propriamente original: o ReverbNation mantém desde há alguns meses um programa deste tipo em conjunto com a Microsoft; desde há anos que a brasileira TramaVirtual ajuda os artistas independentes graças ao seu Download Remunerado, já para não falar da RCRD LBL que funciona como um misto de editora, blog e rede social.
Mas existe uma empresa australiana chamada Guvera que pretende combinar o download de MP3s sem DRM com o streaming. A ideia desta companhia que assinou recentemente um acordo de licenciamento com a Universal Music Group é permitir que os anunciantes criem e programem os seus próprios canais musicais tendo em conta os perfis demográficos das audiências que pretendem atingir, como o seu director executivo Claes Loberg explicou numa entrevista à Music Ally.
Mas em lugar de escolherem as músicas que querem integrar nos seus canais, as marcas apenas podem escolhar uma série de tags correspondentes a atributos que consideram fazer parte da sua personalidade como “zangado”, “feliz” ou “triste”. A partir daí, elas escolhem 20 das canções sugeridas ou optam por um determinado artista. É com base nestes dados que o algoritmo da Guvera tenta encontrar as músicas que mais se assemelham. A ideia é que o utilizador apenas apanhe com aquelas músicas que simultaneamente se enquadram dentro do seu próprio gosto pessoal bem como dentro do perfil seleccionado pela marca.
De modo a poderem descarregar músicas, os utilizadores terão primeiro que se registar no site e responder a um batalhão de perguntas como idade, sexo, país e local de residências, bandas, filmes e equipas de desporto favoritas. Depois, é ainda necessário que mais do que uma marca esteja disposta a pagar por essa música.
Por seu lado, os artistas, editoras e compositores também têm a possibilidade de colocar restrições no que diz respeito ao perfil das marcas que podem patrocinar as suas músicas. Vale a pena ler a entrevista toda até porque Loberg está empenhado em rentabilizar de uma forma muito mais eficaz o mercado da música online financiada por publicidade que muitos consideram actualmente ser insustentável.
Ao contrário do modelo tradicional da publicidade online (que na verdade não passa de uma importação do sistema usado há décadas na televisão) em que os anunciantes pagam uma determinada quantia por cada download efectuado, com a Guvera eles irão pagar x por cada utilizador: “Três dólares por cliente significa que o cliente poderá descarregar uma ou duas faixas e fazer streaming de 20 a 30 faixas.”
Uma coisa é certa: muito do sucesso da Guvera dependerá da possibilidade de convencer as outras três grandes editoras discográficas (Warner Music Group, EMI e Sony Music) da viabilidade do seu modelo de negócios, bem como da capacidade de captar anunciantes importantes em vários mercados online. Este último ponto afigura-se neste momento bastante difícil de atingir tendo em conta que a empresa só tem para já planeados lançamentos na Austrália (15 de Dezembro) e Estados Unidos (1 de Fevereiro).
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{ 3 comments }
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