
Os principais prejudicados com as novas medidas contra a partilha de ficheiros que o governo britânico está a pensar implementar poderão muito bem ser os executivos das editoras discográficas. A ideia parece contraproducente mas é o que podemos concluir de um estudo (PPT) da empresa de análise de mercado Ipsos Mori encomendado pelo think-thank Demos sobre os hábitos musicais dos consumidores britânicos.
A pesquisa revela mais uma vez que os partilhadores de ficheiros não autorizados são os que mais gastam dinheiro com música. Esta ideia já não é propriamente nova e vem no mesmo sentido que um estudo de 2007 encomendado pelo Ministério da Indústria do Canadá, bem como de outra pesquisa da Escola de Gestão da Noruega ou de um inquérito realizado pela firma Interpret, já para não falar nos inúmeros outros inquéritos provenientes de entidades menos credíveis que eu referi por aqui ao longo dos últimos três anos.
Mesmo assim, há gente que não aprende, em especial o Secretário de Estado dos Negócios do Reino Unido Peter Mandelson, a avaliar pela pressa que ele tem manifestado em impor “medidas de restrição tecnológicas” à ligação de Internet dos alegados partilhadores. O que acontece é que medidas como essas poderão ter o efeito totalmente inverso ao desejado que é fazer subir as vendas. Isto porque as alternativas ilegais online são sobretudo usadas pelos fãs de música para descobrirem e experimentarem música nova.
Olhem bem para estes números agora divulgados pela Demos. aqueles que descarregam música não autorizada da Internet gastam uma média de 77 libras (85 euros) por ano em música em comparação com apenas 44 libras (49 euros) para todos os restantes. A amostra do inquérito da Ipsos Mori abrangeu 1008 indivíduos com idades entre os 16 e os 50 anos.
É claro que os defensores da repressão da partilha de ficheiros irão sempre alegar que a pesquisa foi financiada pelo ISP britânico Virgin Media, que é uma parte envolvida no assunto (basta lembrar o seu serviço de subscrição), e que 61 dos partilhadores admitiram que deixariam de copiar ficheiros sem pagar caso fossem ameaçados com a suspensão da sua ligação de banda larga durante um mês.
Mas qual o sentido de suspender a ligação de um internauta se essa pessoa passa a dispor de menos meios de conhecer música nova, logo de gastar dinheiro em CDs, vinil ou bilhetes para concertos? Outros dados interessantes do inquérito que certamente serão mais uma vez ignorados por quem de direito:
- Três quartos (74%) dos inquiridos pagaram por algum tipo de música ao longo do último ano (65% pagou por um CD físico ou um disco em vinil, 30% pagou por downloads de singles e 16% adquiriu um álbum em formato digital).
- 33 por cento dos inquiridos afirmou usar serviços como o BitTorrent ou o RapidShare – uma percentagem bastante inferior àquela que a indústria discográfica nos quer fazer crer!
- 93 por cento dos partilhadores disse ter gasto dinheiro em música durante o último ano, tendo 26 por cento respondido que gastou um pouco ou bastante mais dinheiro em música e 47 por cento afirmado que gastou o mesmo montante que antes. 19 por cento disse que comprou um pouco ou bastante menos. Apenas nove por cento respondeu que recorreu às alternativas ilegais para obter música sem pagar.
- Apenas três por cento dos consumidores comuns são a favor de um imposto a cobrar aos ISPs para compensar os detentores de direitos, percentagem essa que sobe para os cinco por cento no caso de todos os adultos inquiridos.
- Dois terços de todos os inquiridos afirmou estar interessado num serviço legítimo de downloads legais, percentagem essa que sobe para os 80 por cento no caso dos “piratas”.
- O preço médio que inquiridos estão dispostos a pagar por cada download individual é de 45 pences; no caso dos serviços de downloads ilimitados o valor indicado foi de cinco libras (em comparação a Spotify cobra actualmente 9,99 libras pela sua subscrição Premium no Reino Unido.
- Em relação às alternativas legais, 50 por cento usam o YouTube, 27 por cento o iTunes, 12 por cento a Amazon e nove por cento a Spotify – sendo que destes, 91 por cento recorre à versão grátis. Por último, a Last.fm tem apenas cinco por cento de utilizadores.
- 78 por cento dos inquiridos afirmaram que a Spotify é fácil de utilizar, contra apenas 40 por cento dos que disseram o mesmo a respeito do Nokia Comes With Music.
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“Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo http://migre.me/ayrf
“Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo http://migre.me/ayrf
@musicaos “Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo http://migre.me/ayrf
“Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo – http://migre.me/ayK8 #meganao
RT @faconti: “Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo – http://3.ly/moQ #meganao
RT @musicaos
“Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo http://migre.me/ayrf
Em um estudo sobre hábitos de cosumo dos adolescentes americanos de classe média, entre outras coisas apontadas, como o celular ser o ítem de desejo número 1 deste pessoal, revelou-se que 80% deles descarregam música "ilegal" pela internet. Claro que estes número são influenciados pelo fato de eles não terem cartões de crédito, mas é uma gerações inteira que verá os descarregamentos gratuítos de ficheiros como um direito adquirido.
Agora vejamos os bens de consumo deste grupo em questão: Nintendo Wii, Ps3, Macs, notebooks caros para rodarem games, games, tênis caros. É uma parcela de mercado que adora gastar dinheiro, mas não vão abrir mão dos descarregamente gratuítos de música. Levem esses adolescentes aos shows, aproveitem os artistas emergentes das redes de P2P, youtube etc, e anunciem produtos com estes artistas, enfim, subsidiem indiretamente porque solução diferente dessas, na minha opinião, vão naufragar em um mar de lama
@gbellia: também acho. Por isso, considero bastante importante "disfarçar" serviços de subscrições em tarifários de telemóveis e Internet, etc. Do jeito que a Spotify está a fazer. Mas o preço tem que ser ligeiramente inferior.
Commented on “Os partilhadores compram mais música,” conclui o 123º estudo / Remixtures http://tinyurl.com/ykwa4tk
Compartilhar música on line gera lucro para a industria da música: http://migre.me/aCtm #Música #Torrents #Rapidshare #Megaupload
Engraçado foi ver este estudo noticiado no Destak.
Progressivamente, parece que os media tradicionais estão a deixar de ser manipulados pelos lobbies antipiratas.