
A avaliar pelo modo com que as editoras discográficas estão a tentar impingir os downloads digitais legais aos fãs de música nos mercados mais desenvolvidos sem se aperceberem que assim estão a contribuir para dar mais cabo das vendas de CDs, até poderíamos acreditar que já ninguém permanece à rádio, aquele que foi durante décadas o principal meio de descoberta de música nova. Mas tal não é assim.
Em Abril de 2008 referi aqui um estudo divulgado pela NPD Group segundo o qual os suportes mais utilizados pelos norte-americanos para ouvir música continuava a ser a rádio FM/AM e o leitor de CDs. Esses dados referiam-se ao ano de 2007, pelo que com o tempo o cenário poderá ter-se alterado. Mas esta semana o Council for Research Excellence (CRE) da Nielsen divulgou uma pesquisa sobre o modo como os residentes nos EUA usam a rádio e outros suportes de áudio que confirma esses estudo anterior, como se pode ler na Billboard.

O estudo é apenas uma análise parcial de uma investigação dos hábitos de consumo de media dos adultos norte-americanos realizada pelo CRE ao longo de 752 dias (intercalados em dos períodos, um na Primavera, outro no Outono de 2008) em cinco regiões urbanas: Atlanta, Chicago, Dallas, Filadélfia e Seattle.
Segundo os dados do CRE, a rádio tem um alcance diário de 79,1 por cento junto da população norte-americana – o que representa uma média de 122 minutos diários por ouvinte – chegando aos 79,2 por cento ou 104 minutos diários mesmo na faixa etária entre os 18 e os 34 anos. Embora esta percentagem seja ligeiramente inferior aos 80,6 por cento registados nos indivíduos entre os 35 e os 54 anos (que contam com uma média de audição diária de 107 minutos), trata-se de um indicador de que as Gerações Y e X continuam bastante arreigadas aos media tradicionais.
Muito atrás da rádio surge os CDs e as cassetes com 37,1 por cento de alcance e uma média de audição diária de 72 minutos. Apesar dos consumidores com menores rendimentos e menos formação passarem mais tempo a ouvir música em CDs, isso não afecta em nada o alcance diário dos CDs no cômputo geral da população. Contrariando mais uma vez o mito dos “nativos digitais”, o estudo indica que os jovens ouvem mais CDs do que os restante ouvintes: pouco menos de metade daqueles entre os 18 e os 34 anos ouvem CDs todos os dias, correspondendo a uma média diária de 78 minutos, ao passo que apenas 36,2 por cento daqueles entre os 35 e os 54 anos ouvem CDs todos os dias, fazendo-o durante uma média de 74 minutos ao dia.
Em terceiro lugar aparece a rádio por satélite (algo que não existe por terras portuguesas) com 15,3 por cento. Só depois é que surge o iPod e os outros leitores de MP3., com 11,6 por cento de alcance diário. Ainda Mais abaixo surgem aqueles que ouvem downloads de música (10,4 por cento de alcance) e streaming (9,3 por cento).
A presença da rádio no dia-a-dia da sociedade norte-americana continua a ser tão avassaladora que mesmos os consumidores de música digital continuam a ouvir rádio: 81,6 por cento no caso daqueles que usam leitores de MP3 ouviram também rádio durante uma média diária de 97 minutos.
Posto isto, estes dados colocam um grave problema às editoras discográficas que pretendem passar a receber dinheiro das estações de rádio nos EUA que passam os discos: como justifica o pagamento de direitos de autor se a rádio continua a ser o principal veículo de promoção de música?
(foto de Frants segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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Apesar dos jabás e tudo mais, pelo menos no Brasil, o rádio ainda terá longa vida – o que não quer dizer exatamente qualidade. Entre as FMs do Rio, por exemplo, conta-se nos dedos de uma só mão as rádios que democraticamente fazem o serviço de divulgação da música de qualidade estética e relevância, como a Roquete Pinto.
A rádio não morreu; longe disso! http://migre.me/aOeq
A rádio não morreu; longe disso! http://ff.im/-b4v05
Por acaso … não tenho ouvido grande rádio nos ultimos 2 ou 3 anos … o autoradio do carro deve estar mal configurado para a antena e como tem leitor de mp3 integrado … não sinto falta do dito.
No pc não ouço radio online, e não tenho um radio activo aqui por perto …
Mas acho que a culpa foi das estações de rádio que me empurravam para unicamente conseguir ouvir a antena 3 devido à pouca agressividade comercial e variedade de programação.
Por mim as rádios acabam por estar como a tv, cheias de lixo e a mesma porcaria a ser entregue ao "cliente" …
Se está morta ou não, é uma questão de inovarem … já ouço dizer que a rádio está morta desde há uns 20 anos atrás e morrem umas nascem outras …