É mais fácil criar vários Pirate Bays não autorizados do que um legítimo

by Miguel Caetano on 21 de Agosto de 2009

Tudo parece correr mal com o “novo” Pirate Bay que a empresa sueca Global Gaming Factory X pretende erguer já a 27 de Agosto quando os seus accionistas se reunirem em conselho de administração para – se tudo correr como o previsto… – aprovarem o plano de aquisição do site de BitTorrent no valor de 5,5 milhões de euros anunciado em Junho deste ano. Destino oposto parece ser o do “velho” Pirate Bay, o tracker de ficheiros torrent que nos últimos anos provocou a ira da indústria de entretenimento.

Confusos? Bem, o facto é que muito mais do que um local/território com fronteiras bem definidas, a “Baía dos Piratas” sempre foi um rizoma ou um espaço de fluxos. A transição actualmente em curso apenas representa o culminar de um processo de desterritorialização em que o Pirate Bay passará a estar em toda a parte menos no domínio ThePirateBay.org. No futuro não haverá uma única “Baía dos Piratas” mas sim várias espalhadas por todo o mundo. E desta vez será completamente impossível exterminar esta hidra.

Mas comecemos com os planos da GGFX para transformar o site numa plataforma de P2P legal e paga que não poderiam estar a correr da pior forma. Há dias a empresa anunciou que não pretendia remover nenhum torrent a menos que os detentores de direitos os identificassem e removessem manualmente, caso não quisessem mantê-los e monetizá-los. Acontece que a organização holandesa de combate à pirataria BREIN já veio a público afirmar que este sistema de remoção de ficheiros não será suficiente para poupar a GGFX de uma acção legal.

“No sistema proposto, o detentor de direito precisa de detectar os conteúdos ilegais no site e removê-los. Isso é insuficiente,” afirmou o director dos anti-piratas holandeses Tim Kuik.”Este tipo de Sistema de Notificação e Remoção funciona no caso de infracções ocasionais mas não para o tipo de infracção regular que ocorre no Pirate Bay.” Na verdade, tal afirmação não é propriamente surpreendente se tivermos em conta que a BREIN contestou em tribunal o sistema de filtragem de conteúdos implementado pelo Mininova.

Entretanto, a disputa entre Tim Kuik e os ainda actuais administradores do Pirate Bay subiu de tom quando o presidente da BREIN divulgou que recebeu um email anónimo prevendo o seu assassinato a 3 de Setembro. Por seu lado, Peter Sunde, o antigo porta-voz do tracker de torrents comentou via Twitter o caso para afirmar que tudo não passa de invenções de Kuik para se tentar colocar numa posição de vítima e mártir. Recorde-se que recentemente a BREIN conseguiu já que um tribunal obrigasse os ISPs holandeses a impedir o acesso dos internautas nacionais aos servidores Web, trackers e bases de dados da “Baía dos Piratas”. Antes disso, já os piratas suecos tinham processsado Kuik por difamação devido a este ter implicitamente acusado-os de estarem por detrás de uma série de ataques de negação de serviço (DDOS) que afectaram o site da BREIN.

Enquanto isso, pelos lados da Irlanda o fornecedor de acesso à Internet Eircom concordou finalmente em bloquear o acesso dos seus utilizadores ao Pirate Bay a partir de 1 de Setembro no âmbito do seu acordo com a Associação da Indústria Discográfica Irlandesa (IRMA) de Janeiro deste ano.  Quem não cedeu às pressões do lobbie nacional das grandes editoras foram as concorrentes UPC e BT Ireland que receberam igualmente emails intimidatórios da parte da IRMA. Anteriormente, a Eircom tinha referido que só tomaria tal medida mediante uma ordem de um tribunal mas parece que agora mudou de ideias.

Outra operadora de banda larga que foi ameaçada pelas majors e que acabou mesmo sendo processada pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) em conjunto com duas associações de editores e produtores de cinema finlandeses foi a norueguesa Telenor. Mais recentemente, uma coligação de 21 empresas pertencentes à indústria do cinema e do disco apresentaram uma acção judicial contra o ISP com o mesmo objectivo. Agora, o tribunal anunciou que irá examinar o caso a partir de 12 de Outubro.

Mas todas estas complicações legais um pouco por toda a Europa não são, mesmo assim o pior dos problemas para a GGFX. Corroborando ainda mais as suspeitas anteriores das debilidades financeiras da companhia de forma a concretizar esta aquisição, ontem ficou-se a saber que um dos parceiros-chave da GGFX para a prossecução do plano de legalização do Pirate Bay exprimiu fortes críticas à operação. Na altura em que o anúncio da compra do site foi feito, a empresa sueca divulgou também a aquisição da Peerialism no valor de 100 milhões de coroas suecas (cerca de 9,2 milhões de euros).

Conforme o director executivo da GGFX Hans Pandeya revelou, a empresa tencionava utilizar a tecnologia de P2P da Peerialism para criar uma rede retrocompatível com a BitTorrent que permitsse remunerar os utilizadores que disponibilizassem a sua largura de banda e capacidade de processamento.

No entanto, em entrevista à CNET o seu director executivo Johan Ljungberg confessou estar decepcionado com as promessas de Pandeya. Aquando da aquisição, o empresário prometeu pagar metade do valor a pronto. Mas a verdade é que já passaram dois meses e dinheiro nem vê-lo. Para além disso, Ljungberg disse que Pandeya não colocou a Peerialism a par dos planos futuros e da situação financeira da GGFX. Esta já não é a primeira vez que Pandeya falta à palavra com os seus parceiros de negócio. O mesmo aconteceu com Wayne Rosso que decidiu abandonar o navio três semanas após ter sido contratado para servir de intermediário com as editoras discográficas.

Para acabar em beleza, o dia de hoje ficou igualmente marcado pela suspensão das acções da GGFX da bolsa sueca Aktietorget. Segundo o jornal The Local, tal decisão devesse ao facto de ter surgido a notícia de que Pandeya está a dever centenas de milhar de dólares a Johan Sellstrom, antigo directo e membro do conselho de administração da companhia. Ao todo, o empresário deve-lhe mais de seis milhões de coroas suecas (595.800 euros).

Isto está bonito, está :-) Quem deve estar a gozar imenso com esta situação são os fundadores do Pirate Bay. Depois de há alguns dias atrás um uploader anónimo ter criado um torrent enorme (21,3 Gigabytes) contendo toda a base de dados do site – incluindo os 873671 torrents alojados nos servidores da “Baía dos Piratas” –, agora alguém pôs as mãos à obra e criou um clone do Pirate Bay em btarena.org. Tal como se previa, é mais fácil criar vários Pirate Bays não autorizados do que um Pirate Bay legítimo.

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22 de Agosto de 2009 às 5:07

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1 Sua fonte de música! 22 de Agosto de 2009 às 2:56

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2 Fábio A. E. Mello 22 de Agosto de 2009 às 16:09

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3 Fábio Alexandre 22 de Agosto de 2009 às 18:09

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