Depois de anos a combater as reivindicações das grandes editoras discográficas, parece agora que a Pandora decidiu apoiar a luta das majors contra as estações de rádio norte-americanas que se recusam a pagar direitos de autor.
Nos últimos dias, a empresa responsável pelo serviço de estações de rádio personalizadas não tem parado de somar vitórias. Mas será que a derrota final não espreita? Após o acordo estabelecido na semana passada entre as companhias proprietárias de rádios online e a sociedade de gestão colectiva SoundExchange (pertencente à RIAA) em relação ao montante das taxas de direitos de autor a pagar pelo streaming de música – que não sendo perfeito é bem melhor do que os webcasters inicialmente pensavam -, ficou-se a saber que a Pandora timha conseguido recolher um financiamento no valor de 35 milhões de dólares (25 milhões de euros).
Esta semana, a companhia decidiu intervir ao lado das editoras em relação ao Performance Rights Act, uma proposta actualmente em discussão no Congresso dos Estados Unidos que caso a venha a ser aprovada, obrigará as emissoras norte-americanas a pagar direitos de autor pelas músicas que emitem.
A proposta foi apresentada no Senado em Fevereiro deste ano e conta, como é óbvio, com o apoio das majors que utilizam como justificação o argumento de que os EUA são actualmente um dos poucos países no mundo em que as estações de rádio não pagam direitos de autor aos artistas-intérpretes e às editoras, juntamente com o Ruanda, China, Irão e Coreia do Norte.
Bem, a verdade é que inicialmente as editoras acreditavam que quanto mais as músicas dos seus artistas passassem na rádio, mais as vendas dos discos e dos bilhetes para concertos aumentariam. Aliás, elas acreditavam tanto na importância da rádio que chegavam a estabelecer negócios secretos envolvendo o pagamento de dinheiro aos patrões das empresas de rádio. Esse tipo de trafulhice ficou conhecido com o nome de jabá ou payola. Mas com o surgimento do P2P, do MySpace e do YouTube que conduziriam a uma fragmentação da audiência, os efeitos promocionais da exposição na rádio começaram a desvanecer-se.
Agora, as editoras não estão para brincadeiras e só querem que a sua música passe na rádio se receberem dinheiro por isso. É aqui que a Pandora entra. A sua lógica é a seguinte: já as rádios online têm que pagar, porque é que as rádios tradicionais de FM e AM não hão-de ser também obrigadas a pagar?
Mas esta lógica do tipo “o inimigo do meu inimigo meu amigo é” poderá acabar por prejudicar todas as empresas de rádio sem excepção. A verdade é que nos EUA as estações de rádio tradicionais também não estão com uma saúde financeira lá muito famosa. A própria gigante Clear Channel deve neste momento 20 mil milhões de dólares. Mas mesmo as rádios locais e de menor dimensão estão a atravessar enormes dificuldades.
A táctica da Pandora de “espalhar o mal pelas aldeias” ainda vai dar muito mau resultado. Não seria bem melhor apoiar as empresas de rádio no sentido de apresentar dados empíricos que comprovassem o valor promocional de todas as rádios – online e offline – nas receitas do sector? Isto acontece numa altura em que por cá a Sociedade Portuguesa de Autores decidiu iniciar também uma caça em nome das rádios online, mas desta vez em nome dos autores e compositores.
(foto de ryanchimomas segundo licença CC-BY-ND-ND 2.0)
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Pandora quer pôr rádios americanas a pagar direitos de autor http://short.ie/jr6cmm