FRANÇA: discussão da Lei da resposta gradual também pára para as férias

by Miguel Caetano on 22 de Julho de 2009

Os esforços dos deputados franceses da oposição no sentido de atrasarem a votação da nova versão do projecto de lei Criação e Internet mais conhecido por HADOPI 2 que prevê a suspensão da ligação da Internet dos internautas que forem alegadamente apanhados a descarregar ficheiros protegidos por direitos de autor mais de três vezes acabaram por ser desnecessários:

Esta terça-feira, dia 21, o governo de Nicolas Sarkozy cedeu ao bom senso e decidiu adiar a votação do documento para a reentrada parlamentar marcada para 14 de Setembro. A discussão do texto deverá terminar esta quinta-feira à tarde. Ao que consta, parece que a União Movimento Popular (UMP) – o partido do presidente – receou que o projecto não passasse novamente devido à ausência de vários deputados, tal como aconteceu em Abril passado.

De modo a tentar atrasar o máximo possível o normal desenrolar dos trabalhos parlamentares, os deputados da oposição apresentaram 818 emendas, a maioria dos quais completamente anedóticas e despropositadas. Seja como for, a maioria da UMP não se fez rogada e despachouo exame das mais de oito centenas de emendas em apenas 13 minutos durante a votação pela comissão de assuntos culturais da Assembleia Nacional.

Esta é a segunda versão do projecto de lei que visa combater a partilha de ficheiros não autorizados na Internet. A primeira foi considerada inconstitucional pelo Conselho Constitucional, que fez questão de realçar que a ligação à Internet consistia um direito essencial à liberdade de expressão e de informação, tal como consignado na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Há cerca de duas semanas atrás, o senado adoptou o documento que entre outras coisas delega a autoridade de emitir as sanções a aplicar contra os partilhadores das mãos da alta-autoridade administrativa HADOPI para um juiz de direito. Os magistrados poderão optar entre a suspensão do acesso à Internet – por um período que poderá ir de um mês a um ano -, a aplicação de uma multa no valor de 300 mil euros ou uma sentença de dois anos de cadeia.

No caso da conta de acesso à Internet ter sido abusivamente usada por outrem para infringir os direitos de autor, o assinante dessa ligação poderá ser considerado culpado de “negligência caracterizada”, arriscando-se desta forma a ser multado em 1500 euros ou a ver a sua ligação à Internet suspensa durante um mês.

Nos planos iniciais dos titulares de direitos encontrava-se a monitorização e vigilância de todas as comunicações electrónicas – incluindo contas privadas de email, messaging e Skype) – de modo a detectar todas as obras partilhadas ilegalmente. No entanto, o deputado da UMP e relator da Assembleia Nacional Frank Riester aprovou duas emendas que suprimiram as referências a esse tipo de mensagens pessoais bem como a possibilidade dos internautas considerados culpados verem também o seu email suspenso.

Entretanto, ficámos também esta semana a saber que o Ministério da Cultura seleccionou a empesa que ser irá encarregar de identificar os internautas alegadamente culpados da partilha de obras não autorizadas e de lhes enviar notificações por email. Segundo o jornal Les Echos, trata-se da Extelia, uma subsidiária dos correios franceses.

No âmbito das suas funções, a Extelia deverá iniciar já este Outuno um primeiro teste experimental com uma duração prevista entre dez e 12 meses. Durante esta fase, a empresa derverá enviar cerca de mil notificações automáticas por dia, o que constitui um décimo do volume total dos objectivos estipulados para a HADOPI quando esta estiver em pleno funcionamento. O sistema será financiado pela autoridade administrativa que possui um orçamento anual no valor de 6,7 milhões de euros.

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