Estes britânicos passam o tempo todo a realizar inquéritos sobre as atitudes dos seus concidadãos em relação à partilha de ficheiros! Depois de recentemente termos tido acesso a um estudo que indicava que os fãs de música estavam a trocar a partilha de ficheiros pelo streaming de faixas a pedido, surge agora outra pesquisa com conclusões totalmente oposta que indicam que o P2P e os downloads não autorizados continuam a subir.
Neste caso, a Telindus, uma companhia especializada na prestação de serviços de tecnologias de informação, decidiu realizar um inquérito online a dois mil adultos, tendo 43 por cento destes admitido que nunca pagaram por conteúdos em formato digital, de acordo com o ZeroPaid. Esta percentagem foi maior no caso dos homens (50%) do que no das mulheres (38%).
Um dado que revela bem a ineficácia das acções penais contra a partilha de ficheiros é o facto de 59 por cento dos participantes terem dito que tinham consciência de que a partilha e o download de filmes, músicas e séries de televisão não autorizadas são considerados ilegais à luz da legislação britânica de direitos de autor.
Ao mesmo tempo, um quinto dos inquiridos reconheceu que sabia onde pode descarregar material ilegal. Essa percentagem aumentou para os 57 por cento no caso daqueles entre os 16 e os 24 anos, em comparação com apenas um terço para aqueles com idades entre os 25 e os 34 anos.
O que é mais preocupante para as indústrias que dependem dos direitos de autor é o desconhecimento em relação ao funcionamento em concreto das leis de direito de propriedade intelectual: apenas um quarto dos inquiridos disseram que continuam a manter o direito sobre os seus conteúdos a partir do momento que os publicam online, enquanto que uma “maioria” afirmou que a publicação de conteúdos para a Internet significava que eles podiam ser descarregados de borla e livremente apropriados por todos.
Outros dados que deverão certamente minar a crença das grandes editoras em fazer propaganda em defesa dos direitos de autor é o facto de três em cada cinco (60%) dos inquiridos terem discordado da opinião de que os músicos devem ganhar dinheiro com as suas músicas e vídeos que são descarregados online, tendo mais de dois terços afirmado o mesmo a respeito dos cineastas e produtores de televisão.
Um factor que prejudica gravemente a fiabilidade deste estudo é que a Telindus é especializa no fornecimento de soluções de gestão de tráfego de rede, pelo que é totalmente do seu interesse apresentar os números mais inflacionados possíveis em relação à partilha de ficheiros. Bem, mas vistas as coisas deste prisma, também podemos dizer que o estudo da The Leading Question e Music Ally publicado na semana passada também padecia do facto de ser da responsabilidade de uma empresa que fornece serviços de consultoria digital para as grandes editoras…
(foto de grewlike segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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