Por esta altura do ano é já habitual as grandes empresas revelarem os seus resultados financeiros relativos ao trimestre fiscal findado a 31 de Março. As nossas “adoradas” editoras discográficas não são excepção. E a avaliar pelas contas divulgadas pela Warner Music e pela EMI, parece que a aposta no digital tem corrido melhor a umas do que a outras.
No caso da britânica EMI, as vendas não físicas (digital, licenciamento e direitos) representaram 35 por cento das receitas totais da companhia em comparação com apenas 20 por cento do ano anterior. É claro que com esses dados não dá para avaliar de forma fidedigna qual o verdadeiro desempenho do digital.
Mas é provável que não tenha sido mau. É que a margem bruta ou EBITDA da EMI cresceu 200 por cento para as 163 milhões de libras (182 milhões de euros). Este crescimento parece ter sido resultado sobretudo de uma redução das devoluções - devido ao aumento das vendas digitais, há menos CDs que ficam por vender – e de outros custos (despedimentos) no valor de 48 milhões de libras (54 milhões de euros).
Mas estas contas bonitinhas não passam de um disfarce que oculta as variações no valor da libra. Embora as vendas brutas tenham aumentado quatro por cento para 1.072 milhões de libras (1,2 mil milhões de euros), se excluirmos as oscilações cambiais, verifica-se uma redução de dez por cento, o que corresponde a uma quebra ligeiramente mais acentuada do que a ocorrida no mercado. Em termos de quota mercado a EMI manteve-se praticamente inalterável: de 9,7 durante o ano de fiscal de 2007 desceu para os 9,5 por cento em 2008.
Warner Music arrependida de investir nos serviços de streaming da Lala.com e do Imeem
Quem está mesmo em pior estado é a Warner Music Group que viu as suas perdas quase que duplicarem dos 37 milhões de dólares (27 milhões de euros) ou 25 cêntimos por acção em 2007 para os 68 milhões de dólares (50 milhões de euros) ou 45 cêntimos por acção em 2008. As suas receitas também caíram 17 por cento para os 668 milhões de dólares (493 milhões de euros).
Mas a grande asneira da Warner Music Group parece ter sido o investimento em serviços de streaming de música online. A editora acaba de declarar como prejuízo mais de metade do seu investimento de 20 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros) na Lala.com e a totalidade da soma de 15 milhões de dólares (11 milhões de euros) injectada no Imeem efectuados em 2008. Com isto, a etiqueta assumiu o pagamento de uma despesa de 33 milhões de dólares (24 milhões de euros) pelas duas startups.
Isso é sinal de que ambas as empresas estão em muito maus sarilhos. Principalmente a Imeem cujos problemas financeiros já não são propriamente novos. Esta semana a companhia conseguiu recolher um financiamento de emergência em dinheiro que não deverá ultrapassar a dezena de milhões de dólares mas isso não vai ser suficiente para mantê-la à tona de água por muito mais tempo.
Entretatanto, Edgar Bronfman Jr. – o director executivo da Warner Music Group – já fez saber que a sua empresa não pretende investir mais no sector digital e aproveitou para manifestar a sua decepção para com o MySpace Music que tem revelado bastante dificuldades em implementar ferramentas de monetização. Bronfman confirmou assim os zunzuns divulgados nas últimas semanas segundo as quais as grandes editoras querem que o serviço de música da rede da News Corp. começe a dar dinheiro o mais rapidamente possível.
O pior é que no caso destes serviços falharem, a culpa será sempre das majors cuja desmesurada cobiça fez com que cobrassem valores exorbitantes pelos royalties. Gostaria de saber como é que irá ser se todos estes serviços continuarem a fechar as portas. Para onde é que os fãs de música irão? Para as lojas de música certamente que não!
(foto de zizzybaloobah segundo licença CC-BY-NC 2.0)

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