Já não é a primeira nem será certamente a última vez que um estudo demonstra aquilo que é óbvio mas que as grandes editoras discográficas se recusam a admitir e a tolerar: os internautas estão dispostos a pagar uma mensalidade para terem o direito de utilizarem um serviço de P2P legal de música.
Um estudo da Sociedade Sueca de Direitos de Execução Pública (STIM) intitulado Piratas, Partilhadores e Utilizadores de Música” (via Billboard e The Register) revela que 86,2 por cento dos internautas suecos estão dispostos a pagar por uma subscrição voluntária para terem o direito de partilharem música entre si com toda a legalidade (dos quais 52 por cento estão “muito interessados” e 35 por cento estão “moderadamente interessados”) sendo apenas 5,2 por cento aqueles que não têm qualquer interesse num serviço deste tipo.
A pesquisa baseia-se numa amostra de 1123 suecos que se auto-propuseram a responder anonimamente a um questionário online, pelo que a STIM avisa que ela poderá não ser representativa de todos os utilizadores suecos de música na Internet.
Mesmo assim, convém não descurar as principais conclusões do estudo. Por exemplo, 51,8 por cento dos inquiridos afirmaram estarem dispostos a pagar entre 50 a 150 coroas suecas (cerca de 4,60 e 13,70 euros), ao passo que 18,8 por cento considerariam pagar entre 150 a 300 coroas suecas (27,50 euros). Outros 21,7 por cento afirmaram que pagariam menos de 50 coroas. Apenas 7,4 por cento não estariam interessados em pagar qualquer quantia.
Outro dado interessante da pesquisa é que embora serviços de streaming como o da Spotify ou o d Last.fm sejam populares, eles não substituem os downloads de música para o disco rígido do computador visto que 80,5 por cento dos inquiridos afirmaram que é importante poder coleccionar música e acedê-la offline. Mais ainda, 90,3 por cento afirmaram que gostavam de poder transferir as suas músicas para outros dispositivos de modo a ouvi-las em todo o lado.
Dos inquiridos, 56 por cento afirmou ouvir frequentemente música nos seus computadores, 25 por cento num leitor de MP3 e 19 por cento num telemóvel. Metade possui uma colecção de música digital de cerca de mil faixas e uma maioria pagou por menos de metade desses temas. Mas não se pense que os internautas suecos não valorizam o trabalho dos artistas: 75 por cento concordaram que os criadores devem ser pagos pela distribuição da sua música pela Internet, tendo apenas 17 por cento discordado.
- 47 por cento queixaram-se de que estes sites fornecem ficheiros corruptos;
- 40 por cento disseram que fornecem ficheiros incompletos;
- 41,3 por cento afirmaram que já lhes aconteceu transferirem um disco ou uma música que não correspondeu àquilo que estavam à espera;
- apenas 48,3 por cento concordam que é possível encontrar aí tudo o que procuram;
- menos de 60 por cento pensam que os sites de torrents e o LimeWire são fáceis de utilizar.
As conclusões deste estudo vão no mesmo sentido das de um outro junto dos adolescentes britânicos encomendado pela British Music Rights (BMR) à Universidade de Hertfordshire segundo o qual 74 por cento dos inquiridos estavam dispostos a pagar por um serviço legal de partlha de ficheiros. No caso dos partilhadores essa percentagem aumentava mesmo para os 80 por cento. Quase um ano depois e ainda não há sinais de uma oferta desse tipo no continente europeu. E depois não se admirem que serviços de subscrição como o Nokia Comes With Music sejam um falhanço!
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POST: Estudo sueco conclui que internautas estão dispostos a pagar por um serviço legal de P2P http://tinyurl.com/d7d4zs
Direito a? Mas de que direito é que estamos aqui a falar?
Sinceramente que não percebi. Poderia ser mais explícito?
Fala Miguel!
Acredito que as gravadoras estejam agindo mais por desespero do que por uma política propriamente dita quando o assunto é perceguir downloaders.
Digo isso porque pelo que percebi o que há nelas são setores que combatem a pirataria, geralmente ligados a organizações internacionais como a RIAA – Aqui no Brasil a mais atuante é APCM.
Por outro lado os setores de marketing das gravadoras tem se mostrado bastante ao lado dos downloaders, não é a toa que o comércio de músicas digitais cresceu e não são poucas as ações de gravadoras para alançar o público na Internet.
O triste é que enquanto alguns setores das gravoras, como o de marketing digital, irá aproveitar essa pesquisa citada no seu post, outros setores continuaram a tratar os downloaders como criminosos. Absurdo, não?
forte abço, rapaz.