Jango – o Jabá volta a atacar outra vez na Internet

by Miguel Caetano on 6 de Março de 2009

Airplay, a proposta Jabá da Jango

O sistema de pay-to-play em que uma banda ou um artista paga para que as suas músicas passem na rádio começa a atingir em força a Web. Mais conhecido por payola pelos norte-americanos ou jabá pelos brasileiros, esse sistema foi durante décadas a maior máquina de marketing à disposição das editoras discográficas que queriam à força toda aumentar a exposição dos seus artistas e desta forma levar a um crescimento das vendas.

Depois de se ter tornado uma palavra quase tabu no léxico da indústria musical, parece que o jabá passou a estar na moda, agora no meio online. Depois de em Novembro passado ter referido aqui o Highnote, eis que surge outra empresa com um serviço bastante semelhante de promoção de grupos e músicos independentes que estão a tentar obter uma maior promoção do seu trabalho.

A Jango é uma companhia responsável por uma plataforma de rádio online composta por estações temáticas que conta com cerca de seis milhões de ouvintes mensais. Esta semana, ela lançou o Airplay, um sistema de promoção do tipo jabá em que quanto mais uma editora ou um pagar, quanto mais vezes as suas músicas passarão nas rádios da Jango.

Jango

Assim, quem quiser ser escutado pelo menos mil vezes poderá pagar 30 dólares. Para tal basta apenas submeter uma música e indicar o nome de artistas já conhecidos do grande público que na vossa opinião mais se assemelha ao vosso som. Por exemplo, se acham que o vosso estilo é bastante parecido com o dos Radiohead, as vossas músicas acabarão por ser ouvidas pelos utilizadores que sintonizarem a rádio personalizada dos Radiohead. De modo a segmentar mais o público-alvo, podem ainda escolher atingir apenas os ouvintes com uma determinada idade/género ou que residam numa cidade/região/país específico.

Os ouvintes que escutarem o tema poderão atribuir uma classificação à música: “Não Gostei” no caso de não quererem ouvir mais aquela faixa, “Gostei” para assinalar que pretendem continuar a ouvir a música ou “Adorei”, se quiserem ouvir muitas vezes o mesmo título.

Segundo a empresa, o seu sistema de pay-to-play é eficaz na medida em que um teste beta privado revelou que as bandas que pagam 30 dólares alcançaram uma média de cerca de 100 acções positivas da parte de ouvintes que clicou nos botões “Gostei” e “Adorei”, escreveram um comentário ou tornaram-se seus fãs. Existem ainda uma série de pacotes adicionais: 50 dólares para  duas mil reproduções, 100 dólares para cinco mil reproduções.

Teoricamente, o conceito de payola é bastante detestável – sobretudo quando aplicado a um medium como a rádio que assenta numa infra-estrutura tecnológica dominada pela escassez como é o espectro electromagnético onde existe um número limitado de frequências disponíveis. Isso dá invariavelmente azo à criação de monopólios assentes num modelo de funcionamento opaco e fechado.

Mas quando aplicado à Web o Jabá pode ser encarado de uma perspectiva diferente. Sobretudo no caso do Jango, onde as regras são transparentes, todos têm à partida a possibilidade de participar e o facto de um artista pagar para que a sua música seja escutada não diminui as oportunidades dos restantes serem ouvidos. O problema coloca-se do lado do utilizador que poderá desconfiar de um sistema que depende mais do dinheiro que cada banda paga do que das escolhas de um editor humano ou mesmo de um algoritmo que calculou o grau de semelhança entre as músicas. De qualquer modo, se ele não gostar pode sempre carregar no botão de skip

Para perceber melhor o funcionamento do Airplay do Jango e as suas vantagens e desvantagens aconselho a ler esta série de entradas no P2PNet. Não deixa de ser interessante que enquanto as editoras andão a tentar extorquir dinheiro dos serviços de música online, há quem esteja disposto a pagar para ser ouvido. Mas talvez neste caso o conselho de Matt Rosoff seja bastante indicado:

Músicos, isto passa-se assim: se querem ganhar a vida a tocar música, alguém deve pagar pela vossa música e não o contrário. Se ninguém a comprar, considerem isto como um hobby e não uma carreira.

Quanto a mim, não sei se ele tem razão ou não. A verdade é que hoje em dia o valor comercial da música é cada vez menor ao passo que o seu valor promocional para levar à venda de bilhetes ou produtos adicionais não pára de aumentar.

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Notícias do Front Baixacultural (17) « BaixaCultura
6 de Abril de 2009 às 12:08

{ 2 comments }

1 remixtures 7 de Março de 2009 às 0:35

POST: Jango – o Jabá volta a atacar outra vez na Internet http://tinyurl.com/a84pkv

2 remixtures 7 de Março de 2009 às 1:35

POST: Jango – o Jabá volta a atacar outra vez na Internet http://tinyurl.com/a84pkv

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