EMI faz as pazes com Project Playlist

by Miguel Caetano on 27 de Março de 2009

Project Playlist

Dá um murro com uma mão para dar um aperto de mão com a outra. É assim a estratégia aparentemente esquizofrénica mas bastante astuta da EMI para com os serviços de música online. Depois de no mês passado ter processado o motor de busca de MP3 Seeqpod, bem como o criador do FavTape apenas por ter recorrido à API daquele para o seu próprio serviço de playlists, agora a quarta maior editora discográfica do mundo fez as pazes com o Project Playlist, um serviço de música online sediado em Palo Alto, no estado norte-americano da Califórnia.

Curiosamente, tal como os anteriores este também permite criar e partilhar playlists. Apesar de nem o TechCrunch nem o VentureBeat revelarem grandes detalhes sobre o acordo, é bastante provável que os responsáveis pelo Project Playlist tenham tido que passar um cheque chorudo para as mãos da EMI para esta desistir da acção legal contra o serviço.

Este deve ser, afinal de contas, o critério determinante para a política de licenciamentos da editora: quem tiver mais dinheiro e um maior número de utilizadores – e o Project Playlist conta com cerca de 42 milhões de utilizadores registados – sobrevive; quem não tiver dinheiro nem uma base de utilizadores suficientemente grande é assolado por processos judiciais, acabando por ter uma morte lenta e dolorosa.

Seja como for, nem tudo são rosas para os responsáveis do Project Playlist uma vez que o site ainda se encontra a braços com um processo judicial por parte da Universal Music e da Warner Music Group. Em Dezembro do ano passado, o serviço conseguiu chegar a bom termo com a Sony BMG.  Do mesmo modo e mais importante do que isso, as aplicações do Project Playlist ainda permanecem bloqueadas tanto pelo MySpace como pelo Facebook, em virtude da pressão exercida pelas companhias discográficas junto destas redes sociais.

Tendo em conta que os dois sites eram os principais geradores de tráfego para o Project Playlist, enquanto os processos se mantiverem o mais provável é que o serviço continue a perder popularidade: se em Novembro de 2008 o número de visitantes únicos a partir dos EUA era de 10,4 milhões em Fevereiro deste ano esse número já só era de 6,1 milhões, de acordo com a empresa de estudos de mercado ComScore.

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