
A ideia não é minha, é de Cory Doctorow, do popular BoingBoing e escritor de ficção científica – o seu último livro Little Brother pode ser descarregado gratuitamente -, mas creio que é um detournement bastante pertinente para demonstrar o absurdo das propostas para a implementação de uma resposta gradual actualmente em curso em vários países europeus (França e Reino Unido) e não só.
O que une este tipo de medidas é o facto de todas assentarem num sistema de notificações dos clientes dos ISPs que utilizarem as suas ligações para descarregar conteúdos protegidos por direitos de autor: depois de dois avisos enviados por carta, o assinante verá o seu acesso suspenso. Caso continuem a partilhar músicas ou filmes ilegais mesmo depois disso, eles podem messmo arricar-se a perderem o acesso à Rede durante um determinado período.
Mas o que acontece se os dados obtidos pelas empresas de monitorização de tráfego de redes de partilha de ficheiros contratadas pelos detentores de direitos para demonstrarem que aquele utilizador em particular é que fez o download de tal disco ou filme estiverem errados? A solução apontada meio a sério meio a brincar por Cory Doctorow na sua mais recente coluna no The Guardian consiste precisamente em inflingir uma resposta gradual a esses detentores de direitos: “Penso que devíamos cortar de um modo permanente o acesso à Internet de qualquer empresa que envie três avisos em falso de violação aos direitos de autor. À terceira, estás fora, pazinho”
Tendo em conta que um estudo científico recente realizado por um grupo de investigadores da Universidade de Washington conseguiu provar que as intimações enviadas pela MPAA e pela RIAA assentam frequentemente em métodos ineficazes de recolha de dados – a ponto de, no âmbito desta pesquisa, impressoras a laser totalmente “inofensivas” terem recebido também elas notificações… -, a sugestão de Doctorow faz todo o sentido. Como ele próprio refere, só assim é que as indústria dos direitos de autor compreenderão que cortar a Internet é uma medida desproporcional. Como Glynn Moody refere no OpenDotDotDot:
O acesso à rede está actualmente ao nível da electricidade ou da água no mundo moderno: sem ela, não se pode funcionar normalmente. Permitir que uma indústria defenda um modelo de negócio obsoleto mediante o corte do abastecimento da água digital e da electricidade digital (…) revela da parte dos políticos tanto uma profunda ignorância a respeito da tecnologia como um desprezo profundo pelas “pequenas” pessoas que dependem deste abastecimento se quiserem ter qualquer chance contra o sistema que as submete diariamente.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a Roo Reynolds.
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Meu caro, aonde assino!?!
Concordo plenamente!!
Abraço!