50 Cent, o amigo dos “piratas”: das mixtapes ao P2P

by Miguel Caetano on 9 de Dezembro de 2007

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Curtis James Jackson III, mais conhecido por 50 Cent, é uma lenda viva do Hip-Hop e do Rap em geral. Mas antes de ter alcançado o primeiro dos 20 milhões de discos vendidos até hoje e de ter criado a sua própria editora G-Unit Records, 50 Cent deu a conhecer às ruas o seu trabalho através das mixtapes, compilações que combinam samples de faixas antigas ou os singles mais recentes: “Eu inundei o mercado das ruas porque as mixtapes são a porta de entrada para o Hip-Hop“, disse ele em tempos.

E na verdade, foi em grande parte graças ao seu desrespeito pelos direitos de autor que 50 Cent obteve o sucesso que hoje tem: remisturando músicas de outros rappers e colando-lhes rimas em que narra as façanhas e desventuras da sua vida, das ruas às mansões de Beverly Hills e às limusinas.

Não admira por isso que 50 Cent encare sem grandes reticências o fenómeno da partilha de ficheiros, confome confidenciou ao site norueguês Pål Nordseth numa entrevista dada meia-hora antes de entrar no palco para um concerto num clube de Oslo. O TorrentFreak publicou alguns excertos da entrevista:

Os avanços na tecnologia afectam-nos a todos e temos que nos adaptar. Principalmente o hip-hop, um estilo de música que depende de uma audiência bastante jovem. Este mercado é composto por indivíduos que aderem mais rapidamente às inovações do que os fãs de música clássica ou jazz.

A indústria da música precisa de compreender que isto não prejudica os artistas.

Mais à frente, 50 diz mesmo:

Um jovem fã que roubou o disco pode ser tão fiel e dedicado como aquele que o comprou.

Na opinião do rapper e empresário, a única solução para as editoras discográficas assegurarem a suas sobrevivência consiste em apostar nos contratos de 360 graus, na medida em que os concertos estão a abarrotar e os números do negócio de merchandising estão igualmente a subir. 50 Cent não explica é o que é que os artistas terão a ganhar em assinar um contrato desse tipo, uma vez que esse modelo coloca-os numa situação de dependência ainda maior do que o modelo do contrato discográfico tradicional…

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e foi tirada por spcoon.

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