
A esta altura já ninguém se admira quando artistas e bandas se queixam de serem prejudicados pela falta de transparência nas práticas contabílisticas das grandes editoras discográficas no que diz respeito ao pagamento de royalties devidos. Não raras vezes, estas estórias terminam com um processo judicial contra estas majors, sendo estas frequentemente obrigadas a desembolsar uma quantia adicional aos visados.
Mas geralmente estas denúncias ocorrem por intermédio dos advogados e nao pelos próprios artistas, sem que o público em geral tenha acesso a documentação que sustente as acusações. Pois bem, desta vez o caso passou-se de forma diferente ou não estivéssemos a falar de alguém com uma experiência profunda em bases de dados de pagamentos de royalties devidos a detentores de direitos.
Tim Quirk é hoje em dia vice presidente sénior do serviço de música digital Rhapsody da RealNetworks mas no início dos anos 90 ele era vocalista da banda Too Much Joy. Entre 1990 e 1992, o grupo editou três álbuns com a chancela da Giant Records, uma subsidiária da Warner Music Group. Vários anos depois, a banda continua a dever 395 mil dólares relativos a um adiantamento concedido pela WMG para a gravação e promoção do disco.
Deste modo, todos os royalties obtidos com as vendas de discos dos Too Much Joy destinam-se a pagar essa dívida. Mas uma vez que eles se enquadram na categoria de bandas “unrecouped” (aquelas cuja editora considera que nunca serão capazes de pagar a dívida), a Warner Music Group parece não dar muita importância a eventuais enganos no sistema contabilístico de royalties obtidos com as vendas digitais.
Uma vez que as vendas dos quatro álbuns independentes dos Too Much Joy distribuídos por via digital pela IODA tinham rendido um um total de 12 mil dólares, Quirk ficou bastante irritado quando a WMG lhe enviou um balanço relativo às vendas digitais dos álbuns durante um período de cinco anos que no final indicava apenas a mísera quantia de 62,47 dólares. Tendo em conta que a banda tinha obtido um relativo sucesso na sua época áurea, o músico previra inicialmente que os discos editados pela WMG viessem a render entre duas a cinco vezes mais do que os lançamentos independentes.
Vai daí decidiu expor o caso no blog da banda onde admite que os erros contabilísticos da Warner não se devem a um acto de pura má fé mas sim a um simples descuido e indiferença para com bandas como a sua que considera serem “irrecuperáveis”. O problema é que já existem ferramentas informáticas de balanço de contas que permitem o registo de downloads e streams digitais. Quirk sabe bem do que fala pois ele ajudou a criar a base de dados da Rhapsody. Daí que conclua: “Se os serviços estão a reportar os dados para as editoras e as outras editoras estão a reportá-los para os seus artistas, não existe qualquer razão para que uma major não possa reportar essa informação para todos os seus artistas.”
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