Apple compra serviço de streaming Lala por 80 milhões de dólares

by Miguel Caetano on 7 de Dezembro de 2009

Toda a gente diz que não há dinheiro na música digital mas a verdade é que tudo indica que a Apple pagou nada menos do que 80 milhões de dólares (54 milhões de euros) pela Lala, a empresa responsável pelo serviço de streaming de música na “nuvem” com o mesmo nome. Pelo menos é o que as fontes confidenciais de Peter Kafka do MediaMemo alegam.

O que é surpreendente (ou talvez não, tendo em conta o tradicional secretismo cultivado por Steve Jobs) é que até ao momento a companhia ainda não fez qualquer confirmação oficial da transacção. Tudo o que um porta-voz da marca da maçã se limitou a dizer à Reuters foi que a Apple costuma adquirir startups de tempos a tempos e que regra geral nunca costuma tecer comentários a respeito.

A confirmarem-se os tais 80 milhões, trata-se de um montante bastante inferior aos 200 milhões em que os investidores valorizaram a companhia em 2008 mas bastante mais do que os 35 milhões de dólares (23,6 milhões de euros) que a Lala conseguiu recolher em financiamentos até hoje.

Quem ficou entretanto a perder dinheiro foi a Warner Music Group que em Março deste ano desvalorizou o seu investimento inicial na companhia de 20 para 11 milhões de dólares (de 13,5 para 7,4 milhões de euros) para . Mesmo assim, desta vez o balanço final foi bem mais positivo para a WMG do que aquando da sua investida no Imeem, em que acabou por perder todos os 15 milhões de dólares que tinha aí metido. Por coincidência ou não, este serviço de streaming de música também acabou por ser recentemente adquirido pela MySpace. Não haja dúvida que estamos muito longe dos tempos exorbitantes em que a CBS chegou a pagar 280 milhões de dólares (189 milhões de euros) para ficar com a Last.fm.

Mas afinal de contas, porque é que a Apple está tão interessada em apostar no streaming de música se este é um sector manifestamente em crise, entalado entre um modelo de publicidade online de fraca rentabilidade e as tarifas elevadíssimas de royalties por cada música escutada exigidas pelas editoras discográficas e sociedades de gestão colectiva?

A resposta está no modelo de funcionamento adoptado pela Lala. Desde Outubro de 2008 que a empresa oferece um híbrido que combina as funcionalidades dos “cacifos virtuais” de música – ao permitir que os utilizadores possam fazer o upload das músicas da sua colecção pessoal na “nuvem” de servidores da Lala e assim as poderem escutar em todos os computadores que pretender, a partir da Web – com uma loja online. Aqui os utilizadores podem comprar downloads de MP3s sem DRM a 256 Kbps por 89 cêntimos ou o acesso ao streaming ilimitado de músicas por 10 cêntimos de dólar cada.

Apesar de não ser um modelo que seduza por aí além os fãs de músicas habituados a terem tudo de borla na Internet, a Lala conseguiu mesmo assim cativar mais de 100 mil fiéis utilizadores. Por outro lado, os seus widgets de streaming que permitem ouvir uma música de borla antes de pagar começaram a ser utilizados por publicações reputadas como a Pichfork. Daí a uma parceria com a Facebook e um acordo de licenciamento com a Google foi um pequeno passo.

Subsistem contudo várias dúvidas em relação às razões que levaram a Apple a adquirir a Lala justamente agora. Há quem especule que a aquisição se ficou a dever ao facto da Google estar a planear incorporar a loja da Lala no seu novo sistema operativo Chrome OS para netbooks. Visto deste prisma, estaríamos perante uma jogada por antecipação de modo a evitar “voos” maiores da Google no campo da música.

Mas a pista com mais consistência aponta para o facto da marca da maçã querer entrar a matar (quem? Spotify, Mog, MySpace…) no sector dos serviços de música na “nuvem”), de modo a renovar o seu iTunes que desde o seu sistema de recomendação Genius já não sofre qualquer grande actualização. Como a Apple não dispunha dos recursos humanos necessários para tal, optou por ir às compras e assim aviar caminho.

Mas existe uma grande objecção a esta linha de argumento: o facto de várias fontes alegarem que as licenças de streaming que a Lala estabeleceu com as editoras expirarem automaticamente em caso de aquisição da companhia por terceiros. Em todo o caso, poderá tratar-se apenas de mais uma compra da Apple que não irá dar em nada – pelo menos nos tempos mais próximos em que o ganha-pão continua a ser a venda de iPods e sobretudo iPhones. Convém contudo não esquecer que a Lala se encontrava a desenvolver uma aplicação para o iPhone. Com isto tudo, onde é que fica a tal “jukebox celestial” com que os fanáticos da maçã já andam há anos a sonhar?

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{ 3 comments }

1 Sua fonte de música! 7 de Dezembro de 2009 às 22:25

Apple compra serviço de streaming Lala por 80 milhões de dólares http://bit.ly/69TPtM

2 Antonio Arles 7 de Dezembro de 2009 às 23:57

#ultimas Remixtures: Apple compra serviço de streaming Lala por 80 milhões de dólares http://bit.ly/6LYuZr #blogosfera

3 sdgdf 25 de Setembro de 2010 às 15:56

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