Nova ministra da Cultura receptiva ao corte da ligação à Internet

by Miguel Caetano on 26 de Novembro de 2009

Tanta pressão as organizações representantes das indústrias de entretenimento fizeram sob José Sócrates após a vitória do Partido Socialista nas últimas eleições legislativas que agora o caminho para a implementação de um sistema de resposta gradual conducente à suspensão do acesso à Internet para os infractores reincidentes dos direitos de autor começa a tornar-se mais saliente.

Vem isto a propósito das declarações feitas pela recém-empossada ministra da Cultura Gabriela Canavilhas ao jornal Público onde esta pianista de formação refere o seguinte: “É natural que a medida do corte de acesso possa vir a ser tomada, depois de vários avisos ao utilizador, mediante decisão judicial.”

Estas declarações surgem totalmente em contra-mão face a posição defendida pelo anterior detentor da pasta da Cultura José António Pinto Ribeiro. Inicialmente o ministro chegou mesmo a comparar os filmes e músicas que podem ser descarregados da Internet ao gesto de apanhar notas de banco caídas do chão mas como isso não caiu lá muito bem no goto da Sociedade Portuguesa de Autores, o governante foi obrigado a fazer marcha atrás para explicar que considerava grave quem efectua uploads e não os utilizadores comuns que se limitam a descarregar.

Novo governo; nova ministra com visões totalmente opostas a respeito do livre acesso à cultura e ao conhecimento para detrimento de todos nós e benefício dos mais poderosos:

Ressalvando que ainda é prematuro “tecer considerações profundas”, o gabinete de Gabriela Canavilhas explicou, por e-mail, que uma medida deste género “inscreve-se no horizonte de protecção das obras intelectuais, da luta contra a contrafacção em massa e, muitas vezes, com fins lucrativos, do incentivo à criação e na defesa dos interesses dos titulares de direitos”. Mas frisa que “a sua aplicação vai exigir rigor, ponderação dos interesses em presença, adequação, proporcionalidade, equilíbrio e justiça”.

Era óbvio que para lobbies como a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) ou do auto-denominado Movimento Cívico contra a Pirataria na Internet (MAPINET), qualquer sinal de abertura por parte de Canavilhas em relação às suas propostas liberticidas é mais do que bem-vindo. Para além disso, convém também não esquecer que a nova ministra pertenceu até muito recentemente ao Conselho Directivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), pelo que este zelo excessivo pela protecção dos conteúdos maioritariamente made in USA não é propriamente extraordinário

O que já é menos natural é o papel desempenhado pela comunicação social portuguesa de modo mais ou menos voluntário para legitimar quaisquer futuras medidas no sentido de reprimir a partilha de ficheiros não autorizados. Senão vejamos:

  1. Hoje o mesmo jornal Público publicou uma peça segundo a qual, a avaliar pelo título, o novo Pacote Telecom é um autêntico convite por parte da União Europeia para que os Estados-membros desliguem a Internet a alegados partilhadores sem que estes possam recorrer a tribunais. Para além de estar errado, o título conduz a uma leitura pouca ou nada precisa do espírito daquelas a que a UE atribuiu curiosamente o título de Provisões para a Liberdade da Internet. Na verdade, o que a UE se limitou a fazer foi a conceder aos seus cidadãos o direito a serem ouvidos antes de qualquer corte e a recorrerem posteriormente da decisão perante um juiz de direito.
  2. A edição de sábado do semanário Expresso integrou uma notícia dando mais uma vez conta do declínio dos video-clubes em Portugal que coloca todas as culpas por essa crise naquilo a que um senhor chamado António Carrasco chama de “pirataria”. De fora ficam qualquer referência aos cada vez mais serviços populares de video on-demand e às plataformas mais ou menos legais de streaming vídeo na Web. No fundo, não passa de uma enésima repetição da “cantiga do desgraçadinho” visando deliberadamente levar o governo a agir para defender os seus interesses sem que os responsáveis pela indústria em questão se deiam ao trabalho de pensar em modelos de negócio inovadores.

O que nenhum jornal ou órgão de comunicação social refere é que tanto Bloco de Esquerda como Partido Comunista Português têm posições bastante diferentes em relação a este tema. Será que quase 20 por cento dos votos do eleitorado não contam para nada?

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Sua fonte de música!
27 de Novembro de 2009 às 1:14
Decio Coutinho
27 de Novembro de 2009 às 1:54
Fábio Alexandre
27 de Novembro de 2009 às 4:04
JM Cerqueira Esteves
27 de Novembro de 2009 às 9:37

{ 12 comments… read them below or add one }

1 remixtures 27 de Novembro de 2009 às 1:46

RT @tweetmeme Nova ministra da Cultura receptiva ao corte da ligação à Internet | Remixtures http://bit.ly/85dHxh

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2 Nelson Cruz 27 de Novembro de 2009 às 9:03

Já na altura referi que alguns poderiam ver o artigo como um convite a implementar a resposta gradual, ou que alguns governos aproveitassem para isso.

Sobre se obriga a uma decisão judicial prévia ou não, creio que ainda vai correr muita tinta. O deputado do Partido Pirata sueco disse que a intenção dos deputados foi descrever como um tribunal deve funcionar (ouvir o acusado, respeitar a presunção da inocência), em resposta à intenção francesa de meter juízes a carimbar simplesmente os processos. Ora, para determinar a inocência ou culpa de alguém é preciso avaliar as provas, dar o direito de defesa ao acusado, etc. Não vejo quem mais, num estado de direito, possa ter competência para isto senão um tribunal!

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3 lolcats 27 de Novembro de 2009 às 9:51

grande vaca.

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4 Lira 27 de Novembro de 2009 às 11:04

Realmente, apenas as grandes empresas – principalmente as editoras Major's que viram o seu negócio afundar que nem o titanic ao longo destes anos – é que porderão ter algum proveito com esta medida (sem falar na indiscutível SPA). Bom para essas editoras que tudo fazem para rever subir as vendas de discos, mas mau para a cultura e progressão intelectual dos portugueses que não mais poderão ter acesso à maior fonte de aculturação e globalização. Não duvido (ainda) da capacidade da nova ministra entender estes factos e ter uma visão da importância dessa globalização. Se nos for retirado esse bem essencial, estaremos banidos do resto do mundo!

Aquele que não entende a importância da diversidade, ficará além da energia e vivacidade.

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5 deorion 27 de Novembro de 2009 às 11:27

Try First, Buy Later!

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6 piratatuga.net 27 de Novembro de 2009 às 13:03

Gabriela Canavilhas é uma vadia ordinária. Nem ela, nem IGAC, nem PJ, nem Ministerio publico são capazes de retirar da net o meu site http://www.piratatuga.net, nem outros de conteudos semelhantes tais como o sapotuga.com e todos os outros daquela lista que a IGAC ordenou a PT que encerrasse e que tiveram de meter o rabinho entre as pernas por que não passam de porcos cobardes e inuteis, e que são meramente brochistas que não irão fazer a ponta dum corno para encerrarem seja o que for. Nem a nós, nem ao remixtures, nem ao partido pirata, tudo ficará como dantes e seremos os ultimos a rir. Ministra Gabriela Canavilhas, chupa-mos! Vaca! Nao tens coragem para nada! E a PJ em portugal nao existe é uma anedota!

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7 Marco 30 de Novembro de 2009 às 0:34

Se achas que a PJ em portugal não existe … aconselho-te vivamente a sair à rua …

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8 Pedro 27 de Novembro de 2009 às 21:57

piratatuga.net
Não me parece que sejas assim, ou será uma provocação dessas entidades, para ver se fazem algo?
Hum será?

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9 dominique jackson 28 de Novembro de 2009 às 16:58

not good news 8o( RT @alexgamela Nova ministra da Cultura receptiva ao corte da ligação à Internet http://ff.im/-c8td4

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10 Marco 30 de Novembro de 2009 às 0:39

Bah … agora estão lixados para aprovar qualquer coisa sem a maioria OBSOLETA …

Quanto a desligar o pessoal da internet, em que é que isso vai parar a pirataria !? …

Eu há dias comprei os 5 filmes do Saw, não porque me ameaçaram em cortar-me a internet mas porque os apanhei a 2 euros cada no Jumbo Box … se não estão contentes com as vendas baixem os preços. Mas não … segundo alguns estudos as pessoas querem até pagar mais pelas coisas, só não compram porque acham que os originais estão demasiado baratos …

Assim a ser ajudado pelas queixinhas que não me compram nada por culpa da pirataria também eu quero montar uma empresa de roubos declarados …

Enfim … as editoras e sociedades(máfias) de autores servem tudo menos os artistas que deviam representar …

A SGAE espanhola anda outra vez com o tribunal à perna devido a irregularidades económicas …

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11 Pirata xD 6 de Dezembro de 2009 às 19:21

Os politicos nao nos conseguem parar!!! eles devem pensar que somos burros!!!
Eles nao sabem que os uploaders têm todos os cuidados e sabem muito mais que eles???
que lata… cada filme é super caro, nao tenhu guita para comprar todos os filmes que queria, e alguns saem merda, por isso ia arrepender-me de os ter comprado!!! e alguns nem aparecem em portugal! o que é que eles têm na cabeça???

eles que acordem, nao nos vao parar!!! Torrents e sites de distribuiçao até ao fim!!!

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12 sdgdf 25 de Setembro de 2010 às 15:57

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