
Quando o MySpace Music foi lançado nos Estados Unidos, em Setembro de 2008, uma das principais falhas apontadas pelos analistas ao serviço de streaming de música da rede social da News Corp. foi a ausência de boa parte das editoras independentes mais reputadas.
A razão para essa lacuna ficou a dever-se ao facto do MySpace ter excluído a a Merlin, uma organização que representa mais de 12 mil etiquetas indie do mundo inteiro, não ter proposto uma participação no capital da joint-venture - ao contrário do que aconteceu com as quatro majors.
É claro que, apesar de no seu conjunto as editoras ligadas à Merlin representarem mais de dez por cento do mercado discográfico global, nem toda a música indie se esgota nela e de facto o MySpace Music conseguiu atrair importantes distribuidoras digitais independentes como a The Orchard e IODA nas semanas subsequentes ao lançamento. Mas a Merlin preferiu ficar de fora.
Desde então, Charles Caldas, o director executivo desta “aliança” das independentes não tem escondido as suas críticas à plataforma. Mas agora a relação hostil entre ambas as partes parece ter finalmente terminado uma vez que o MySpace Music acaba de assinar um acordo global com a Merlin que concede às suas associadas a possibilidade de receberem uma percentagem das receitas financeiras geradas pelo site.
Como já é habitual nestas coisas, não foram revelados quaisquer detalhes financeiros do acordo mas é provável que a Merlin tenha recebido uma participação no capital da joint-venture já que ela terá a possibilidade de contar com um representante nas reuniões do conselho de administração do MySpace Music.
Com este acordo, os utilizadores norte-americanos e australianos passam a poder fazer streaming ilimitado de músicas completas de bandas como Arctic Monkeys, Animal Collective, Franz Ferdinand, Vampire Weekend e Basement Jaxx para além de artistas como Bjork e Tom Waits.
Seria bom que os fãs de música residentes fora da América do Norte e da Oceânia pudessem também aceder ao MySpace Music mas a verdade é que, por causa dos royalties pagos às editoras e sociedades de gestão colectiva, as perspectivas de isso vir a acontecer nos próximos 12 meses são bastante diminutas.
(foto de Panda Bear/Noah Lennox dos Animal Collective tirada por DG Jones – CC-BY-NC 2.0)
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