
Enquanto os jornalistas e bloggers norte-americanos de tecnologia parecem estar derretido com o conjunto de novas funcionalidades integradas pelo Google nos resultados de pesquisa para os EUA que apenas permitem ouvir de borla uma só vez as músicas, a verdade é que desde Março deste ano que os chineses já podem descarregar gratuitamente centenas de milhares de faixas em formato MP3 sem DRM através do serviço de música financiado por publicidade da Google
Lançado em parceria com o Top100.cn, um site detido pela empresa Orca Digital, o serviço está na verdade em funcionamento desde Agosto do ano passado mas só há sete meses atrás é que a Google conseguiu convencer as quatro grandes editoras discográficas a licenciarem parte do seu catálogo.
De acordo com dados divulgados pela Orca Digital ao Wall Street Journal, actualmente estão a ser descarregadas uma média diária de cinco milhões de música através da plataforma. O grande problema é que as empresas têm-se mostrado algo reticentes a comprar publicidade por lá. Até ao momento, apenas cinco anunciantes aderiram ao serviço, tendo gastado um total de 2,5 milhões de yuans (cerca de 250 mil euros). Mesmo assim, tratam-se todas de marcas bastante reputadas como Nokia, Apple, Volkswagen.
A Orca Digital espera conseguir atrair 30 anunciantes ao longo dos próximos seis meses. Actualmente, o Google disponibiliza apenas 700 mil faixas, o que não deixa de ser o dobro do número de músicas com que contava no início (350 mil). O objectivo da companhia é chegar aos 1,1 milhões de temas antes do final de 2009.
Com este serviço, a Google pretende conquistar quota de mercado à Baidu que continua a ser a líder indisputável do mercado de busca na China. Nem a propósito, esta semana a Qtrax, a companhia responsável pelo serviço de downloads legais financiados por publicidade (mas protegidos por DRM) com o mesmo nome, anunciou um acordo exclusivo com a Baidu com vista encaminhar parte das pesquisas de música para o Qtrax.
Mas depois de um porta-voz da Baidu ter explicado que a parceria tem um âmbito muito mais exclusivo do que a Qtrax dava a entender, esta última foi obrigada a vir a público para rectificar as suas declarações anteriores. Na verdade, o acordo restringe-se apenas a dois portais da Baidu e não ao motor de pesquisa de MP3, que alguns críticos consideram ser um dos principais “geradores” de tráfego da companhia. Para além disso, o que está em causa é apenas o informação de texto como biografias dos artistas.
Sempre muito brincalhões estes senhores da Qtrax. Por ocasião da feira da indústria da música MIDEM de Cannes em Janeiro de 2008, a empresa organizou festarolas principescas apenas para anunciar acordos com todas as quatro grandes editoras discográficas. Não bastou nem um dia para que Universal, Sony, Warner e EMI negassem a existência de quaisquer acordos. Recentemente a Qtrax foi alvo de um processo da Oracle devido a uma dívida superior a 1,8 milhões de dólares.
(foto de myuibe segundo licença CC-BY 2.0)
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