Contribuintes espanhóis subsidiam novo portal das editoras espanholas

by Miguel Caetano on 19 de Novembro de 2009

737 mil euros em subvenções foi quanto a indústria discográfica espanhola recebeu das mãos do Ministério da Indústria (ou por outra, dos contribuintes) para desenvolver um portal de música online chamado ElPortaldeMusica.es. A informação consta da documentação oficial do Plan Azanza (um plano de adaptação da economia para a Sociedade da Informação) e foi divulgada por Enrique Dans que acrescenta que esta já não é a primeira vez que o dinheiro do Estado é usado para pagar à indústria cultural nacional portais que ninguém usa.

O site é uma iniciativa da Promusicae, a associação que congrega os interesses das maiores editoras espanholas, que pretende assim acabar com a ideia de que os espanhóis são forçados a recorrer à partilha não autorizada de ficheiros devido à inexistência de alternativas legais.

Mas na verdade, o resultado final está bastante longe de justificar a enormidade de dinheiro gasto em desenvolvimento: basicamente o portal apresenta os tops dos 50 singles e dos 100 álbuns mais vendidos do momento, com a possibilidade de escutar via streaming uma música (por vezes duas, no caso dos álbuns). Quem quiser pode adquirir as canções em lojas online (iTunes, Nokia Music Store, Orange e Vodafone), embora também estejam disponíveis links para serviços de streaming de música grátis como YouTube, Spotify, MySpace e Yes.fm.

Mas para além do uso excessivo de Flash (que fazem com que a navegação se assemelhe a um suplício…), o que é mais impressionante é que este portal custou 1,075 milhões de euros a construir. Ou seja, o dinheiro dos contribuintes não foi suficiente para financiar este “mamarracho” online.

Numa altura em que mais e mais pessoas se começam a questionar se as produções culturais financiadas por dinheiros públicos não devem ser livremente disponibilizadas ao público segundo licenças Creative Commons, o executivo espanhol tem o descaramento de dar assim de mão beijada quase 800 mil euros do dinheiro dos impostos a uma entidade representando os interesses de empresas privadas que além do mais detêm o monopólio da sua indústria. Tudo para construir um agregador que se limita a encaminhar o utilizador para plataformas de terceiros. O site é tão “avançado” e seguro que até permite que qualquer um descarregue os MP3 das músicas para o seu disco rígido sem pagar um euro sequer! Se isto não é incompetência e desleixo, então o que é?

E no que diz respeito a ofertas legais de conteúdos digitais financiadas pelos contribuintes, tudo indica que este portal seja apenas a primeira parte do que está para vir. Por ocasião da 3ª edição do Fórum Internacional de Conteúdos Digitais (FICOD), um evento de três dias que terminou hoje em Madrid, a ministra da cultura Ángeles González-Sinde confirmou que o tal agregador de conteúdos online da Coligação de Criadores e Indústrias de Conteúdos irá contar com um financiamento do seu ministério. Este portal deverá ser inaugurado ainda antes do final do ano e deverá funcionar como um localizador de compras de filmes, videojogos, livros e músicas.

A ideia surgiu da associação de fornecedores de acesso à Internet Redtel que se recusou a tomar medidas técnicas contra os alegados partilhadores enquanto não existisse um site de conteúdos culturais legais. Para além da Promusicae, a Coligação inclui ainda a sociedade representante dos direitos dos autores e dos compositores SGAE, bem como as associações dos produtores de software e videojogos.

Nokia Comes With Music chega à Espanha pela mão da Telefónica

Em abono da verdade, apesar dos partilhadores espanhóis usufruírem de um dos ambientes jurídicos mais favoráveis à partilha de ficheiros para fins não comerciais não se pode dizer que a oferta legal de música online é parca. Com efeito, para além de poderem aceder ao serviço da Spotify, a partir da agora eles também podem aderir ao Comes With Music, o serviço de downloads “ilimitados” de música da Nokia.

Esta semana, a Telefónica passou a integrar a subscrição de música da fabricante finlandesa, de acordo com o El País. Para obterem acesso aos cinco milhões de temas da assinatura durante 12 meses basta adquirirem um Nokia N86 8MP. A grande desvantagem do Nokia Comes With Music é que passado estes período eles deixam de poder descarregar mais temas. E embora possam continuar a ouvir as músicas que já descarregaram eles perdem automaticamente o acesso a elas caso troquem de telemóvel ou computador pessoal. Por fim, o serviço não é compatível com iPhones ou iPods e só pode ser utilizado a partir do WIndows.

No caso espanhol, o Comes With Music está associado à tarifa Internet Plus da Movistar, a operadora móvel subsidiária da Telefónica. Os utilizadores poderão optar por levar o terminal de borla mas suportar uma tarifa mensal de 59,90 euros de tráfego de voz e 15 euros de dados ou pagar 29 euros pelo telefone para aderir ao plano de 29,90 euros de voz e 15 euros de dados. Resta saber se este lançamento na Espanha irá contribuir para aumentar substancialmente o reduzido número de utilizadores do Comes With Music a nível mundial

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1 Sua fonte de música! 20 de Novembro de 2009 às 0:25

Contribuintes espanhóis subsidiam novo portal das editoras espanholas http://migre.me/c3ih

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2 Sua fonte de música! 20 de Novembro de 2009 às 1:25

Contribuintes espanhóis subsidiam novo portal das editoras espanholas http://migre.me/c3ih

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