Não é muito habitual vermos os agentes de autoridade estarem em sintonia com os partilhadores, mas desta vez parece ser o caso. A polícia e os serviços secretos britânicos receiam que se as propostas do governo britânico para a suspensão do acesso à Internet dos partilhadores reincidentes forem para a frente, o seu trabalho de investigação dos crimes realmente graves ficará ainda mais dificultado.
Segundo eles, este tipo de “resposta gradual” irá apenas contribuir para que um maior número de internautas passe a encriptar todo o seu tráfego de Internet de modo a proteger-se de eventuais acusações. Isto poderá, por sua vez, dificultar os seus esforços de monitorização da Internet com vista a detecção de actividades terroristas, pedófilas, etc.
Para além de impedir que os pacotes do tráfego de Internet sejam detectados, a encriptação poderá também colocar em causa o Interception Modernisation Programme (IMP), uma iniciativa inter-ministerial da responsabilidade do governo britânico destinada a permitir a intercepção e armazenamento de dados de comunicações.
As críticas à proposta da resposta gradual apresentada pelo Secretário dos Negócios Peter Mandelson parecem ter partido dos MI5 e do MI6, duas das agências britânicas de serviços secretos mas o The Register avança com a hipótese da GCHQ, uma outra agência de serviços de intelligence que para além de ser responsável pelo IMP sempre se opôs à utilização das técnicas de criptografia pelo grande público.
No âmbito do IMP só poderão ser guardadas informações como quem contactou com quem, quando, onde e de que como. De fora ficarão, em princípio, os conteúdos em si que apenas poderão ser obtidos dos fornecedores de acesso à Internet mediante a apresentação de uma ordem judicial.
Para além dos serviços secretos, outras forças de segurança como a Unidade de combate ao crime electrónico da Polícia Metropolitana e a Agência de combate ao Crime Organizado e Grave (SOCA) também parecem estar receosas de uma nova vaga de massificação da encriptação de dados.
De forma a acalmar os ânimos de activistas dos direitos digitais dos utilizadores, na semana passada o secretário de Estado da Cultura Ben Bradshaw explicou que ninguém verá a sua ligação à Internet suspensa sem que um tribunal emita previamente uma decisão nesse sentido.
(foto de mattwi1s0n segundo licença CC-BY 2.0)
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{ 4 comments }
Eu já ando a dizer isto há ANOS. As perseguições às redes P2P vão fazer com que se criem sistemas mais anónimos e encriptados onde passará a ser muito mais difícil ou impossível vigiar e impedir a disseminação de conteúdos REALMENTE perigosos. Para a "pirataria" será uma lomba na estrada que vai fazer a coisa abrandar um pouco temporariamente, mas vai continuar sempre. E noutros aspectos, como pedofilia e terrorismo, podemos ficar pior do que agora.
O controle deve ser feito. Não sei como. Acho que a saída neste caso não é jurídica, infelizmente. o estado se criou pelo controle e continuará controlando. http://www.myspace.com/angiquo
Serviços Secretos britânicos apoiam partilhadores contra a resposta gradual http://migre.me/a129
Serviços Secretos britânicos apoiam partilhadores contra a resposta gradual (via @remixtures) http://bit.ly/1znfTo
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