Estudo revela que estudantes preferem copiar de borla do que pagar por Rap mau

by Miguel Caetano on 23 de Outubro de 2009

No que diz respeito à partilha não autorizada de ficheiros de música, existem estudos para todos os gostos: uns que dizem que os downloads não autorizados contribuem para o aniquilamento da indústria discográfica, outros que concluem que não existe qualquer relação entre a “pirataria” online para fins não comerciais e as vendas de música e ainda outros que chegam mesmo a sustentar que o P2P de obras protegidas por direitos de autor faz aumentar as vendas de discos e produtos derivados.

O que eu nunca tinha visto era uma pesquisa que tenta demonstrar um conjunto de factores que influenciam negativamente a probabilidade de uma pessoa recorrer a downloads ilegais exclusivamente com base numa única música, a saber, “Right Round” do rapper Flo Rida, mais conhecido pelos seus dotes de dançarino do que pelas suas rimas ou produções.

Intitulado “The Determinants of Music Piracy In a Sample of College Students”, o estudo da autoria de Marc F. Bellemere da Duke University e Andrew M. Holmberg do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (conhecido pela sua posição a favor da RIAA) tenta extrapolar uma série de conclusões a respeito das motivações para os jovens recorrerem aos downloads não autorizados unicamente com base nessa música.

Os investigadores concluíram que a opção ou não pelos downloads não autorizados está relacionada com a disposição de pagar pela música, o grau de auto-percepção do indivíduo da probabilidade de ser alvo de um processo judicial e as suas motivações morais. Como é que alguém pode tentar fazer qualquer ilação desta pesquisa para o conjunto da indústria discográfica é que eu me pergunto…

Para aí chegar, os autores realizaram um inquérito a algumas centenas de estudantes de uma universidade privada dos EUA de modo a que respondessem se comprariam a tal canção por um preço aleatório. Esse montante baseou-se nos últimos dois dígitos do número de segurança social de cada estudante, variando entre os zero e os 98 cêntimos – de fora ficou os 99 cêntimos cobrado pelo iTunes por cada single.

Os inquiridos disseram que estavam dispostos a pagar uma média de 68 cêntimos, tendo as respostas variado entre 11 cêntimos e 1,37 dólares. Outra conclusão é que os estudantes que disseram ter descarregado de forma ilícita a última música que ouviram estavam disposto a pagar menos pela canção de Flo Rida.

Em concreto, por cada cêntimo a mais que eles estavam disposto a pagar, a probabilidade de terem obtido ilegalmente a sua última música diminuía 0,3 por cento. Deste modo, os investigadores chegaram à conclusão que uma redução do preço do single para 63 cêntimos diminuiria em 50 por cento os downloads ilegais.

Mas será que isto quer dizer que os partilhadores são forretas ou pura e simplesmente que os inquiridos não gostam de Rap descartável de fraca qualidade ou, o mais provável, preferem outros estilos de música?

Outra questão colocada aos inquiridos foi que indicassem o nível de probabilidade de serem legalmente perseguidos pela RIAA e quanto é que pensavam que teriam que pagar para chegar a um acordo extra-judicial. Por cada aumento de um por cento na probabilidade percepcionada pelo estudante de enfrentar uma acção judicial, a probabilidade de terem obtido de forma ilegal a sua última música diminuía 0,4 por cento. Ou seja, os partilhadores tendem a ter menos receio da RIAA do que os restantes estudantes.

Mas segundo os autores da pesquisa, isto só prova de que se a RIAA queria mesmo acabar com a pirataria, a associação não deveria ter parado com a sua campanha de processos contra partilhadores. No entanto, não será antes que esta discrepância se deve ao facto dos “piratas” estarem em regra geral mais bem informados?

Por fim, os investigadores pediram aos inquiridos que respondessem a uma série de questões morais relativas ao seu comportamento enquanto partilhadores. Aqui, eles descobriram que cada ponto a mais numa escala de moralidade de 0 a 30 correspondia a uma diminuição de 0,2 por cento da “pirataria”.

Enfim, tudo isto para pôr (mais uma vez) as culpas da crise da indústria discográfica nos fãs de música quando o essencial do estudo indica precisamente que a melhor forma de estancar a razia nas vendas à disposição das editoras passa por diminuir o preço dos downloads legais. No entanto, as majors têm feito orelhas moucas a essa sugestão. Basta relembrar o recente aumento dos temas novos à venda no iTunes para 1,29 euros em vez dos tradicionais 99 cêntimos.

(foto de Beyond The Barricade Photography segundo licença CC-BY 2.0)

Bookmark e Compartilhe

{ 3 comments }

1 Sua fonte de música! 23 de Outubro de 2009 às 23:37

Estudo revela que estudantes preferem copiar de borla do que pagar por Rap mau http://migre.me/9MOx

2 Antonio Arles 24 de Outubro de 2009 às 1:21

#ultimas Remixtures: Estudo revela que estudantes preferem copiar de borla do que pagar por.. http://bit.ly/36vRkF #blogosfera

3 Fábio Alexandre 24 de Outubro de 2009 às 18:45

Estudo revela que estudantes preferem copiar de borla do que pagar por Rap mau http://tinyurl.com/yforjs6

Comments on this entry are closed.

Previous post:

Next post:

google - ukash - buruncerrahisi.com - burunestetik.de - geciktirici ilaç