“O P2P deixou de ser o ‘papão’ da Internet,” disse eu aqui a propósito de dados divulgados pela Arbor Networks que davam conta de uma descida percentual do P2P no cômputo geral do tráfego de Internet.
Esta semana a Sandvine, outra fabricante de dispositivos de gestão de redes, disponibilizou a edição de 2009 do seu relatório Global Broadband Phenomena que dá mais força a esta tese ao concluir que a largura de banda ocupada pelo P2P desceu de 32 por cento em 2008 para 20 por cento este ano, uma descida de cerca de 25 por cento.
Contudo, a companhia esclarece que não são tanto os protocolos de partilha de ficheiros que estão a registar uma descida – muito pelo contrário, uma vez que a a utilização de P2P continua a crescer em termos absolutos -, mas sim outros tipos de categorias que estão a conseguir crescer ainda mais, acabando assim por “roubar” quota de mercado ao peer-to-peer.
Em particular, o tráfego relativo ao que a Sandvine apelida de “entretenimento em tempo real” mas que na verdade corresponde a serviços de streaming de música e vídeos “a pedido” como o YouTube e o MySpace. De acordo com o estudo, esta categoria cresceu de 12,6 por cento em 2008 para 26,6 por cento em 2009. Só o YouTube contribuiu com mais de cinco por cento.
Outra categoria que “roubou” tráfego ao P2P foi a dos serviços de armazenamento e backup de ficheiros como o Rapidshare e o MegaUpload. que cresceu 56 por cento face a 2008. Cada um destes dois sites foram responsáveis por cerca de um por cento do tráfego global de Internet Em conjunto, os dois representaram mais tráfego que o Facebook. Pelos vistos, os 300 milhões de utilizadores desta rede social não foram suficientes para ocupar mais do que 1,5 por cento do total da largura de banda.
O consumo de largura de banda foi também outro indicador em que o P2P desceu: de 61,08 por cento de upload em 2008 para 31,4 por cento este ano; o declínio foi menos saliente em termos de downloads, tendo descido de 22,3 por cento no ano passado para 15,6 por cento em 2009.
Um dado interessante que salta a vista ao lermos o estudo da Sandvine é a existência de dois grandes tipos de utilizadores: os consumidores intensivos de conteúdos e todos os restantes. Durante um mês, um por cento dos internautas foram responsáveis por 25 por cento dos downloads. Essa desigualdade foi ainda maior nos uploads, onde um por cento dos internautas contribuíram com 40 por cento do tráfego total de Internet. No total, um utilizador intensivo gerou 200 vezes mais tráfego que um internauta comum. Em termos gerais, verificou-se que 20 por cento dos internautas mais activos geraram 80 por cento do tráfego total de Internet.
Mas embora o crescimento do P2P tenha abrandado ao longo dos últimos meses, tal não significa que esta categoria de aplicações e serviços tenha registado uma quebra uniforme em todos os continentes. Por exemplo, o P2P ainda continua a ser a categoria com maior peso na Europa, com 29,2 por cento. No caso da América Latina e da África – zonas do globo onde ainda não existe uma infra-estrutura física de rede com uma qualidade suficiente para aguentar com serviços de streaming e alojamento de ficheiros -, o P2P representa mais de um terço do tráfego gera: 35 e 33 por cento, respectivamente.
(foto de pascal.charest segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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Estudo comprova descida do P2P em favor dos sites de alojamento de ficheiros e streaming: http://migre.me/a6jG #p2p
Streaming ou P2P? http://bit.ly/2PNKy8 (via @remixtures)
Estudo comprova descida do P2P em favor dos sites de alojamento de ficheiros e streaming http://migre.me/a6t1
É totalmente falso
. As autoridades que se concentrem em andar atrás do P2P que eu não me chateio com isso