Espanha: Coligação de Criadores encontrou solução para acabar com os downloads não autorizados

by Miguel Caetano on 14 de Outubro de 2009

Milagre! Por uma vez na história as indústrias de entretenimento uniram as mãos para fazer face àquilo que chamam de “pirataria”. Em vez de se lamuriar mais uma vez junto do governo de José Luís Zapatero, a Coligação de Criadores espanhola – uma entidade que congrega editoras discográficas e sociedades de gestão colectiva de direitos de autor, optou por inovar.

“Terá lançado uma subscrição que permite descarregar um número ilimitado de MP3s em troca de – vá lá… – 15 euros mensais?” Não. “Então foi uma assinatura que permite fazer download de quantos filmes quisermos em troca de 30 euros mensais, não?” Infelizmente, também não.

Trata-se apenas de um site que irá funcionar como mero agregador de conteúdos a partir do qual nuestros hermanos poderão pesquisar filmes e músicas e em seguida encontrar lojas online onde poderão adquirir versões digitais e analógicas dos conteúdos – tudo aos preços habitualmente caríssimos a que as editoras de discos e os estúdios de cinema já nos habituaram.

Segundo o jornal El País, o site deverá estar disponível no primeiro trimestre de 2010 e conta com o apoio da Motion Picture Association (MPA), bem como das principais produtoras de cinema de Hollywood (Paramount, Disney, Fox, Sony, Warner e Universal). Aparentemente, esta MacroWeb não passa de um clone do britânico FindAnyFIlm.com, um site lançado em Janeiro deste ano pelo UK Film Council que concede ao utilizador a possibilidade de encontrar e adquirir ou alugar mais de três milhões de filmes, oferecendo uma série de opções à escolha: Cinema, TV, DVD, Blu-ray, download e streaming.

O modelo de negócios do site a criar deverá assentar nas receitas geradas com a publicidade e programas de afiliados, não se descurando a hipóteses de recorrer a subvenções públicas (é incrível como todo o cão e gato quer subsídios, não acham? Afinal estamos ou não estamos numa economia de mercado? O cinema é ou não é encarado como uma mercadoria como qualquer outra?).

A grande diferença em relação ao FindAnyFIlm é que o site espanhol deverá incluir apenas conteúdos em espanhol e abrangerá também cinco milhões de músicas pertencentes ao catálogo da Promusicae. Mesmo assim, Antonio Guisasola, o patrão desta associação representante das maiores editoras discográficas espanholas, mostra-se bastante céptico em relação ao plano: “Vamos colocar à disponibilização do público muito mais do que qualquer loja física poderia comportar. Mas isso não servirá de nada se o Governo não suporta o projecto oferecendo algo da sua parte.”

O que Guisasola pretende é que José Luís Zapatero avance primeiro com legislação concreta relativa aos downloads não autorizados de forma a pôr cobro às sucessivas derrotas sofridas em tribunal pelos titulares de direitos contra partilhadores e administradores de sites de links de P2P e torrents. Isto porque na Espanha os downloads não são considerados ilegais desde que não haja qualquer intenção de lucro.

Foi nesse sentido que surgiu recentemente a notícia de que o governo espanhol se prepara para criar uma comissão contra a partilha não autorizada de ficheiros. Mas mesmo que as pressões da indústria do copyright venham de facto a surtir algum efeito e que os downloads passem a ser ilegais, será preciso uma diminuição drástica dos preços para que os partilhadores abandonem os seus velhos hábitos.

Mera coincidência ou não, já depois deste anúncio de um projecto conjunto entre a MPA e a Coligação de Conteúdos Zapatero teve um encontro de duas horas com o presidente dos EUA Barack Obama na Casa Branca. É provável que um dos temas que tenha constado dessa conversa tenha sido o facto da Espanha ter sido mais uma vez incluída na lista de “pequenos piratas” do Departamento dos Negócios Externos dos EUA.

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{ 2 comments }

1 Sua fonte de música! 14 de Outubro de 2009 às 20:06

Espanha: Coligação de Criadores encontrou solução para acabar com os downloads não autorizados http://migre.me/91Xm

2 Marco 15 de Outubro de 2009 às 9:55

"O modelo de negócios do site a criar deverá assentar nas receitas geradas com a publicidade e programas de afiliados, não se descurando a hipóteses de recorrer a subvenções públicas"

É preciso ter alguma afinidade familar com o Zapatero e amigos para criar uma empresa lá que também receba subsídios !? É que assim … até eu crio já uma e mudo-me já para lá …

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