Tal como já acontecera no caso francês, os fornecedores de acesso à Internet britânicos já vieram a público notar que são eles quem acabarão por pagar as despesas resultantes da implementação do sistema de resposta gradual contra a partilha de ficheiros que o governo está a ponderar implementar.
A ideia de suspender o acesso à Internet dos internautas acusados de partilharem conteúdos não autorizados através da Internet tinha sido anteriormente posta de parte por David Lammy, ministro da propriedade intelectual. Contudo, no mês passado o Secretário dos Negócios Peter Mandelson resolveu reintroduzir a questão em cima da mesa através de uma emenda a um processo consultivo sobre a partilha de ficheiros.
Embora as opiniões dos músicos britânicos relativamente à medida se tenham dividido em dois grandes campos – um a favor e outro contra - rapidamente se percebeu que a maioria dos artistas considera que o corte da ligação de banda larga do alegado partilhador constitui uma medida demasiado repressiva para resolver o problema.
Esta semana foi a vez dos fornecedores de banda larga se envolverem na questão pela mão da British Telecom (BT). Numa entrevista ao jornal Daily Mirror, o responsável pelo departamento de consumidores da BR afirmou que os custos com que os ISPs terão que arcar caso a medida seja posta em prática serão superiores a um milhão de libras ao dia (quase 1,1 milhões de euros), ou seja, 365 milhões de libras por ano (quase 400 milhões de euros). Segundo Petter, as margens lucro das operadoras são já demasiado finas pelo que esta despesa teria que ser passada para os consumidores.
Ora, esses 365 milhões de libras constituem quase o dobro da estimativa avançada pela Jupiter Research – a empresa de estudos de mercado que conta como clientes o governo britânico e a British Phonographic Industry (BPI) – segundo a qual a indústria discográfica britânica irá perder 200 milhões de libras em 2009 (quase 220 milhões de euros).
“As suas reivindicações são melodramáticas e partem do princípio de que as pessoas comprariam toda a música que é ilegalmente descarregada, o que é um total absurdo,” comenta Petter que acrescenta que embora já existam leis que permitem que as companhias discográficas e outros detentores de direitos persigam infractores, elas não pretendem ver a sua imagem pública afectada. Segundo ele, esta escalada na guerra da partilha só irá conduzir a uma verdadeira “corrida às armas” à medida que os internautas vão descobrindo novas formas de ocultar os seus hábitos de navegação. Uma dessas armas são as VPNs ou Redes Virtuais Privadas que permitem criar um túnel completamente inacessível a olhares indiscretos.
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Resposta gradual britânica mais cara para os ISPs que as alegadas “perdas” das editoras http://migre.me/7Fyp
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