Um dos truques retóricos utilizados um pouco por todo o mundo pelas editoras discográficas e pelos políticos para justificar a necessidade da implementação de leis mais duras contra a partilha de ficheiros consiste em fazer crer aos cidadãos de determinado país que eles é que são quem descarrega mais ficheiros não autorizados em todo o mundo.
Foi dessa forma que em Outubro de 2008 a então ministra francesa da Cultura Christiane Albanel tentou defender a agora aprovada lei Criação e Internet: “A França é a campeã do mundo da pirataria! Mais de um milhar de milhão de ficheiros foram pirateados em 2006!” Foi também desta forma que em Janeiro de 2008 a SGAE, uma sociedade de gestão colectiva que recolhe direitos de autor em nome dos autores e editores, apresentou em Janeiro de 2008 dados que faziam dos espanhóis os réis dos downloads não autorizados no continente europeu. Por outro lado, desde há vários anos que a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) vem dizendo que 99 por cento dos downloads realizados na China são “ilegais”. Afinal quem tem razão?
A avaliar por um estudo recente pela Ipsos Alemanha a uma amostra de 6500 internautas em 12 espalhados pelo mundo, é mesmo a IFPI pois o primeiro lugar é ocupado pela China com 78 por cento, seguida da Rússia (68%), Índia (48%), Espanha (44%), Brasil (42%), Itália (34%) e Estados Unidos (18%). A França surge na cauda da tabela com 15 por cento, num grupo composto pela Grã-Bretanha (12%) e Alemanha (11%). Feitas as contas, 44 por cento dos internautas inquiridos afirmaram descarregar ficheiros protegidos por direitos de autor.
É claro que nestas pesquisas existe sempre uma diferença entre aquilo que se diz a outrem e aquilo que se faz, pelo que a taxa real deve ser sempre superior. Por outro lado, a amostra é extremamente reduzida para se poder tirar qualquer ilação a longo prazo. Outra das tendências que os autores do estudo verificaram é que os partilhadores de ficheiros não autorizados utilizam muito mais as alternativas legais como o iTunes e compram muito mais discos do que os restantes internautas.
Nada que nós já não soubéssemos de estudos anteriores como este de 2007 encomendado pelo governo canadiano ou este de uma escola norueguesa de gestão datado de Abril deste ano. Outra pesquisa holandesa divulgada em Janeiro deste ano concluiu que “os efeitos económicos da partilha de ficheiros são bastante positivos a curto e a longo prazo no mercado holandês.”
(foto de atomicShed segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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Quem são os maiores partilhadores do mundo? http://migre.me/7A6k