Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads

by Miguel Caetano on 17 de Setembro de 2009

Tarifa plana, licença voluntária global ou contribuição criativa: os termos empregues para caracterizar uma oferta de downloads ilimitados que permita aos cidadãos tirar livremente partido desse vasto manancial de cultura e conhecimento que a Internet coloca à sua disposição abundam em troca de uma pequena mensalidade ou anuidade. Apesar das diferentes designações, todos estes modelos têm em comum o facto de visarem oferecer uma solução realista aos desafios que o meio online e a partilha de ficheiros em particular colocam a todos os criadores e artistas, com vista a serem recompensados pelo seu talento, imaginação e criatividade.

E não obstante o discurso demagógico frequentemente utilizado pelas indústrias afectadas (discográfica, livreira e cinematográfica) para contestar estas alternativas – rotulando os seus defensores de ladrões e preguiçosos, fazendo comparações despropositadas com o roubo de bens tangíveis, etc. -, a verdade é que os proponentes destes modelos não são propriamente “zés-ninguéns”.

Para demonstrar isso, decidi traduzir aqui um artigo de opinião da autoria do economista norte-americano e Prémio Nobel da Economia de 2001 Joseph E. Stiglitz que foi esta semana publicado no jornal francês Libération.

Joseph Stiglitz: é necessário um sistema para incitar à criação do saber

A quem serve a propriedade intelectual? Temos necessidade de um sistema para incitar à criação desse bem público que é o saber. Ora, a restrição da utilização desse saber, isto é, o sistema de propriedade intelectual, é ineficaz. Mas existem outros modelos: os subsídios governamentais ou a redistribuição dos royalties por organismos de colecta, por exemplo. Os avanços tecnológicos permitem melhorar estes sistemas em proporções consideráveis.

Sobretudo porque tentar manter a todo o custo o sistema existente é uma carga financeira demasiado elevada à medida que os lucros vão diminuindo. O princípio de uma contribuição razoável por utilizador, à qual se acrescentaria uma ajuda do governo em nome da investigação, é um bom sistema. Estou optimista em relação à hipótese de um novo modelo. Imaginemos que cada proprietário de um computador paga uma contribuição anual correspondente àquilo que descarrega ou àquilo que vê ou ouve por intermédio desse computador. Ele conservaria um registo do seu consumo e organismos especializados reverteriam aos artistas o fruto desse consumo. Se não nos aproximarmos de um modelo desse tipo, caminharemos em direcção a uma deriva comparável ao contrabando. Quando os produtos se tornam excessivamente caros, os consumidores contornam o sistema para comprar mais barato. Salvo que, aqui, o custo é igual a zero. Isso pressupõe também modificações profundas nos circuitos produtivos.

As editoras cuja função consistia em trazer a música dos artistas aos consumidores não têm hoje em dia mais razão de existir. É como se procurássemos salvar a indústria do cavalo e dos cocheiros em plena era do automóvel. Em contrapartida, a sua função pode muito bem evoluir no sentido de uma dimensão mais editorial, a de guiar os consumidores em direcção a um ou outro tipo de música.

(foto de World Economic Forum segundo licença CC-BY-SA 2.0)

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O Outro Lado da Notícia » Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads
18 de Setembro de 2009 às 11:08

{ 7 comments }

1 sonoropt 17 de Setembro de 2009 às 19:06

Mas porque temos de garantir ordenados a maus cantores /artistas??

entao chego ali faço um cd e peço para me pagarem por um cd 10 musicas a vida toda e ficou a viver a pala disso resto da minha vidinha!!

so contra a tarifa.. quem mete material na rede?qualidade do mesmo?

Ou estão pensar que malta vai ripar e para podermos usufruir dos rips temos de pagar essa gentinha toda que nem trabalho tem de ripar algo para povo consumir!!

Eu ja pago direitos de autor nos dvd-r que compro..

Se for fotografo amador e guardar cenas em dvd-r ou CD-r vou pagar direito conexos por alma de quem?? se trabalho é meu!!
Depois também ele dizem que recebem os direitos de autor e onde povo pode confirmar que esses direitos foram pagos aos artistas? nenhum ladooo hahah

p2p para todo sempre.. –> p4p ja vai dar dinheiro ao isp. eles depois ainda mete (TS) em cima ganham 2x mais do que se formos usar método tradicional!!

2 Miguel Caetano 17 de Setembro de 2009 às 19:28

Sonoro:

Eu ja pago direitos de autor nos dvd-r que compro..

Se for fotografo amador e guardar cenas em dvd-r ou CD-r vou pagar direito conexos por alma de quem?? se trabalho é meu!!

Aí é que te enganas. Pagas uma taxa pelo direito à cópia privada, isto é, a possibilidade de fazeres uma cópia para uso pessoal de CDs e DVDs. Depois, a verdade é que os contribuintes já pagam uma série de impostos cujo destino na maior parte das vezes desconhecemos. Não achas que mais vale pagar um imposto destinado a compensar os artistas e criadores? Ainda para mais, se essa informação sob como o dinheiro é posteriormente redistribuído tiver disponível.

Por último: boa parte dos partilhadores mais acérrimos acabam por pagar quantias adicionais como doações para trackers privados de BitTorrent, aluguer de seedboxes, subscrições de serviços de Usenet/Newsgroups, VPNs. Parece-me mais simples, seguro e justo pagar por uma alternativa legal, sem receios de ser processado.

3 Sua fonte de música! 17 de Setembro de 2009 às 20:20

Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads http://migre.me/7bgP

4 Fulano 17 de Setembro de 2009 às 20:50

O ideal seria criar uma taxa q viesse anexa a fatura de internet, e em paises q se cobram muitos impóstos como o Brasil (30% do valor da internet) era só reverter esses impóstos pra indústria.
E isso tinha q ser feito sem mudar nada pro usuário, essa taxa teria q abranger toda a internet. Tipo, baixe o quanto quiser e de onde quiser, como acontece hj e ñ de um site específico. Pq ao ter q baixar do site da indústria o compartilhamento acaba…
E isso ia ser até bom pra indústria, pq ela ia economizar ñ tendo q arcar com toda a infraestrutura q um site exige, como data center, equipe, largura de banda e etc…
Ela ia só ter q tacar o material na rede e pronto!!!

5 Compulsivo 17 de Setembro de 2009 às 23:19

#greader Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads http://migre.me/7ccj

6 João Sérgio 19 de Setembro de 2009 às 23:54

Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads http://3.ly/XYG

7 Phonobase 23 de Setembro de 2009 às 14:49

Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz a favor da tarifa plana para os downloads http://tinyurl.com/mod6o6 (via @remixtures)

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