O mesmo responsável pelo fornecedor de acesso à Internet britânico que há três meses atrás afirmou que “é impossível travar a partilha” suavizou agora a sua posição ao anunciar que irá permitir que os seus clientes bloqueiem o acesso a sites de BitTorrent e outros que facilitam o download de conteúdos protegidos por direitos de autor a partir dos seus computadores.
Segundo o jornal Daily Telegraph, a ideia de Charles Dunbstone, director executivo da Carphone Warehouse – a empresa-mãe do ISP TalkTalk – é instroduzir um sistema de controlos parentais através de classificações etárias semelhantes às empregues pela indústria cinematográfica que evitam que os adolescentes descarreguem filmes e álbuns não autorizados.
O esquema previsto pela TalkTalk divide-se em três opções: uma para maiores de 18 anos, outra para maiores de 14 anos e outra do tipo U. Quando activadas, estas duas opções colocam em acção um sistema de filtragem de pornografia e jogos de azar, tendo ainda os encarregados de educação a possibilidade de vedarem o acesso a sites de BitTorrent e de partilha de ficheiros em geral sem que necessitem de instalar qualquer software adicional.
A medida agora anunciada por Dunbstone visa responder às acusações de inacção por parte dos operadores de banda larga em relação aos downloads não autorizados frequentemente levantadas pela indústria de entretenimento. Mas o fenómeno não se restringe ao Reino Unido, uma vez que já por várias vezes a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) instaurou acções legais contra ISPs europeus por se recusarem a bloquear o Pirate Bay.
Ao menos esta solução sugerida pela TalkTalk tem a vantagem de consistir numa mera medida voluntária que, como tal, poderá ou não ser accionada pelos seus clientes. Muito mais sensato e razoável do que a proposta apresentada recentemente pelo governo britânico de cortar o acesso à Internet dos alegados partilhadores ou mesmo da sugestão feita por uma série de músicos britânicos famosos de restringir a largura de banda desses suspeitos.
Por um lado, porque evita que o ISP monitorize todas as transferências efectuadas pelos seus utilizadores – o que, no mínimo, constitui uma violação do direito à privacidade bem como do princípio da neutralidade da rede. Por outro, porque delega a decisão de bloquear ou não bloquear para os próprios internautas que agirão de acordo com a sua consciência e ética.
(foto de Papaqueno segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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ISP britânico propõe que pais bloqueiem acesso a sites de P2P aos filhos http://bit.ly/VdiL0
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