
A Comissária Europeia para a protecção dos consumidores está extremamente preocupada com a vossa saúde, fãs de música! Não, a sério! Como a senhora Meglena Kuneva sabe o que é melhor para nós e, em particular, para os nossos ouvidos, ela pretende propor uma série de novas normas para regular o volume máximo a que os leitores portáteis de MP3 e telemóveis multimédia são capazes de emitir. Este novo conjunto deverá entrar em vigor após um período consultivo de 24 meses que deverá envolver cientistas, fabricantes e consumidores.
A preocupação de Bruxelas com os preciosos e frágeis tímpanos dos europeus já não vem de agora. Há alguns anos atrás, os eurocratas fixaram um volume máximo de 100 décibeis para os auscultadores de dispositivos móveis de música digital. Contudo, isso não parece ser suficiente para a comissária Kuneva que ontem se encontrou com a Apple e outros fabricantes de gadgets no sentido de os aconselharem a limitarem automaticamente o volume dos seus aparelhos antes destes serem comercializados na União Europeia.
A ideia consiste em aplicar definições “por defeito” que garantam um nível seguro de exposição ao ruído equivalente a 80 decibéis. Esta configuração poderá, no entanto, ser posteriormente alterada pelo consumidor. Do pacote das novas medidas fazem também parte a inclusão de advertências claras sobre os efeitos adversos de uma exposição excessiva a níveis sonoros elevados através de uma sinalética própria a colar junto aos aparelhos.
Em Outubro do ano passado, o Comité Científico dos Riscos para a Saúde Emergentes e Recentemente Identificados (CCRSERI, um organismo estabelecido em 2004 pela Comissão Europeia precisamente para lidar com este tipo de casos) publicou um parecer sobre os riscos de surdez provocados pelos leitores de MP3: “Os proprietários de leitores de música portáteis arriscam-se a danos irreversíveis à audição se ouvirem música num volume muito elevado durante mais de uma hora por dia todas as semanas durante pelo menos cinco anos.”
O CCRSERI estima que o número de cidadãos dos 27 Estados-membro da União Europeia que utilizam diariamente leitores de música portáteis ronde entre 50 a 100 milhões, sendo que dentro destes dois a dez milhões correm o risco de perder a audição de forma permanente. É por tudo isso que Kuneva encarregou o CENELEC (o organismo europeu especialização na emissão de normas para artigos electrotécnicos) de elaborar um conjunto de novas normas técnicas de modo a apresentá-las à Comissão Europeia que posteriormente as poderá aprovar, passando assim a constituírem um padrão industria
Mas será que os eurocratas só sabem intrometer-se nos prazeres alheios e privados dos cidadãos europeus? Não seria melhor deixar a saúde dos ouvidos ao discernimento e à inteligência de cada um? É que esta mania do politicamente correcto e de querer impingir-nos à força aquilo que consideram ser melhor para nós próprios já chateia! Afinal de contas, de que vale ter ouvidos se não podemos tirar o máximo partido deles? Um conselho para Meglena Kuneva: compre uns bons auscultadores e ouça “To Here Knows When” dos My Bloody Valentine ou “Sister Ray” dos Velvet Underground no volume máximo. Vai ver que não se irá arrepender. São experiências verdadeiramente transcendentais
(foto de SkullShank segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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{ 5 comments }
Não costumo ser a favor de restrições que vão de encontro com liberdades fundamentais. No entanto, no que toca à saúde, quando não se favorecem lobbies, acho que até é compreensível. Na verdade, não me parece que alguém ganhe com isto a não serem os utilizadores. Sobretudo, quando os jovens começam a utilizar este tipo de tecnologias (e a debilitar a própria audição) cada vez mais cedo.
Está cientificamente provado que ruído a partir dos 60 db é bastante incomodativo para o sistema auditivo. A partir dos 80 db torna-se demasiado cansativo para o tímpano e, quando se chegam aos 100 db a fatiga torna-se extrema e começam a surgir fortes riscos de surdez. 80 db é um nível bastante razoável, mesmo para quem não quer abdicar de uma boa "experiência musical no volume máximo". É o equivalente à chegada de um comboio de passageiros à estação.
Por um lado, cada um é dono de si, e tem uma consciência e livre arbítrio próprios. Por outro lado, se se podem minimizar certos riscos, porque não fazê-lo?
Eurocratas pretendem impor restrição de volume nos leitores portáteis de MP3 http://migre.me/7Ynz
Eu concordo com a Rute. No que toca a saude penso que os governos devem servir de guia. Por exemplo eu sou fumador e nao me importo nada dos aumentos no preco do tabaco pois penso que qt menos eu conseguir comprar, melhor para mim!
Sendo a musica a minha paixao muitas vezes exagero no numero de horas de escuta, No sabado passado fui dancar ao clube Digital aqui em Brighton. A musica estava excelente e o sistema de som era mesmo refinado. Contudo, o volume era simplesmente demasiado alto (aquelas noites em que sabes que vais para casa com um piiiiiiiiiiiiiii ou zumbido constante nos ouvidos). Ainda assim eu estava euforico e a saborear a danca como um desalmado e, surpresa surpresa, fui salvo por um casal amigo que tinha uns protectores de ouvidos descartaveis e me cederam um par! O produto vem em cores garradidas, florescentes w funciona bem – Imediatamente senti-me melhor e embora o volume fosse menor, conseguia perfeitamente ouvir a musica bem como as pessoas com quem falei. Sai de la com a sensacao de muito boa onda e pretendo ter uns protectores num bolso da proxima vez que for a um festival ou concerto pujante.
Rutinha, Rutinha
Este tipo de medidas “pró-saude” forçadas só me fazem lembrar o Hitler; é-me impossível esquecer as política de saude dos regimes nazi, em particular, e fascistas, em geral. Imagino que estejas a esquecer-te que esses valores que apresentas são única e simplesmente **médias** e o altíssimos para uns pode ser baixo para outros (muito cuidado com interpretações abusivas dos dados científicos) . Por exemplo, as pessoas com problemas auditivos (e nota que só uma fracção dos problemas auditivos derivam desta questão) seriam pura e simplesmente deixadas à margem ou teriam que ter (ainda mais) aparelhos especiais.
A saúde, tal como uma sociedade livre, constroi-se com educação e não com medidas opressivas. Infelizmente acabam por ter de existir excepções que considero aceitáveis, como é a “lei do tabaco” porque afecta **terceiros** (o que claramente não é o caso). Já o cinto de segurança considero bastante discutível (refiro-me ao próprio, não o da criança) tal como o capacete (este último não é obrigatório em Espanha para o movimento dentro das cidades). Ainda assim o cinto de segurança tem uma diferença radical face aos auscultadores: a haver multa ela é sempre feita à _posteriori_. No caso de impossibilitar os mp3 de emitirem a certos niveis sonoros a medida é tomada à priori, não sabendo para quê nem como vão ser usados os aparelhos. É como se quando entrasses num carro, o carro automaticamente te prendesse ao banco para evitar que andes sem cinto. Para alem do mais: quem quiser ouvir pode sempre contornar, usando amplificadores.
Eu prefiro a solução do meu mp3: tem um limitador que pode ser voluntariamente desactivado; e campanhas de prevenção.
Beijinhos,
Gil
(da Zero, só para contextualizar
Correcçãoo: não tinha percebido que a possibilidade de desligar o limite estivesse incluida na proposta. Ainda não não estou certo que mais legislação seja necessária: o meu mp3 já tem isso sem haver essa legislação. É porcausa da sobre regulamentação que existe confusão no direito de autor. Mas enfim, fico descansado até “amanha” que ainda querem permir a liberdade de ouvir “à minha maneira”
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