
Bandas como os Radiohead que nos últimos anos conseguiram grande sucesso no mundo online bem podem dizer que o álbum está morto mas isso não serve de grande consola para as editoras discográficas que ainda não suportam lá muito bem a ideia do consumidor poder comprar uma só música de cada vez.
De modo a contornar a situação, as majors têm tentado uma série de medidas, umas com mais, outras com menos sucesso. Uma tentativa falhada de recuperar o controlo sob as opções de compra do consumidor foi retirar ou pura e simplesmente não colocar à venda na loja do iTunes os singles de álbuns com bom desempenho nas tabelas de vendas.
Como esse tipo de medidas não correu lá muito bem, a solução a que chegaram foi fazer marcha-atrás e melhorar o formato tradicional de álbum digital enchendo-o com uma série de conteúdos multimédia como fotos, vídeos e letras. O esforço mais recente nesse sentido consistiu no iTunes LP, um formato recém-lançado pela Apple mas que essencialmente não traz nada de novo, limitando-se a cobrar mais por algo que já pode ser facilmente encontrado nos sites dos artistas.
Há, no entanto, quem não se possa queixar muito do fraco desempenho dos registos de longa duração em termos de vendas. É o caso da eMusic, uma empresa de subscrições de música digital que oferece uma série de pacotes para fazer download de MP3s em troca de determinadas mensalidades. Até há pouco tempo a eMusic apenas se dedicava a disponibilizar música de artistas e editoras independentes mas desde Junho passado que passou também a distribuir boa parte do catálogo da Sony Music.
Recentemente, a eMusic divulgou à Digital Music News que 72 por cento das suas vendas ao longo do último ano foram relativas a álbuns completos. Segundo a mesma empresa, desde Julho deste ano que os álbuns passaram a representar 75 por cento das vendas. Alargando o período abrangente até 2006, o formato de álbum representou 69 por cento das vendas globais da eMusic.
Estes números contrariam a tendência do mercado discográfico dos Estados Unidos. De acordo com a Nielsen SoundScan, as vendas globais de álbuns registaram uma queda de 14 por cento em 2008.A mesma empresa refere que até 12 de Setembro tinham sido comercializados 53 mil álbuns digitais e 630 mil faixas digitais, tendo os títulos individuais representado vendas 34 por cento superiores às comercializadas através dos álbuns (sendo que a companhia faz equivaler 12 temas individuais a um álbum). No entanto, as vendas digitais subiram 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, ao passo que as vendas de faixas individuais subiram apenas 12 por cento.
Por outro lado, a Apple refere que as suas vendas da loja do iTunes se encontram divididas irmamente: metade dos temas são vendidos sob a forma de downloads individuais e outra metade vendida sob a forma de álbuns.
É claro que esta importância tão elevada dos álbuns nas vendas da eMusic também tem muito a ver com o tipo de consumidor a que ela se dirige: os fãs de música que gastam regularmente dinheiro com música e com uma idade superior a 25 anos, logo, com recursos financeiros disponíveis para gastar numa subscrição de MP3s. Por outro lado, a empresa também têm feito esforços significativos no campo editorial, através de artigos sobre determinados artistas e da inclusão de informação relacionada derivada de sites terceiros como Wikipedia, YouTube e Flickr. Por fim, o próprio modelo da subscrição incentiva os fãs de música a descarregarem álbuns completos.
O risco que a eMusic corre com a inclusão do catálogo de grandes editoras como a Sony é trair o seu público fiel na tentativa de captar mais gente com gostos próximos do mainstream. Neste momento, oito das 15 editoras responsáveis pelo maior número de vendas na eMusic pertencem à Sony Music. Isto pode indicar que a base actual de assinantes acabou por aderir ao catálogo da major ou, pelo contrário, pode apenas querer dizer que a empresa está a atrair novos subscritores.
(foto de 37Hz segundo licença CC-BY 2.0)
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RT @remixtures: eMusic: “O álbum não morreu” http://bit.ly/Pwxp9
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