Congresso dos EUA quer criar nova versão do protocolo de P2P Gnutella

by Miguel Caetano on 3 de Agosto de 2009

FrostWire: um dos vários clientes para a rede de P2P Gnutella
Passados mais de nove anos após a invenção do protocolo de P2P Gnutella e outros tantos do LimeWire – o cliente que popularizou este protocolo – ainda existe muita gente que não sabe como partilhar ficheiros de uma forma segura. Alguns desses iliteratos digitais encontram-se dentro do aparelho burocrático do próprio governo dos Estados Unidos.

Na maioria dos casos, tratam-se de pessoas que para além de terem feito a burrice de instalar software de P2P nos computadores do Estado, conseguiram o feito de disponibilizar documentos confidenciais para partilha. Ora, se era verdade que nas suas versões iniciais o LimeWire induzia à partilha acidental de ficheiros de texto como PDFs e DOCs que não se destinavam a ser partilhados, ao longo dos anos a empresa responsável pela aplicação foi fortalecendo as suas medidas de segurança.

A pensar nos utilizadores menos familiarizados com a tecnologia, desde a versão 5.0 que o LimeWire já integra uma série de mecanismos de segurança que obrigam o utilizador a realizar um passo adicional para seleccionar ficheiros da sua biblioteca e partilhá-los de modo a disponibilizá-los para o resto da rede Gnutella.

Não obstante, existem thinktanks conservadores financiados pela indústria de entretenimento que alardeiam o contrário e que acham que o LimeWire é a pior invenção surgida à face da terra, servindo para ajudar ladrões de identidade, pedófilos, terroristas e espiões. No meio disto tudo, os disparates cometidos por alguns funcionários do governo também não ajudam.

Depois de em Fevereiro deste ano uma empresa de segurança informática chamada Tiversa ter informado que encontrou a planta do Marine One, o helicóptero de Barack Obama, num computador iraniano depois do documento ter sido publicamente partilhado via LimeWire, há dias a mesma empresa voltou a revelar mais detalhes comprometedores para a segurança nacional.

Desta vez, os investigadores da Tiversa encontraram detalhes acerca do abrigo seguro do presidente norte-americano e da sua família montado pelos serviços secretos. Outros dados encontrados “à solta” na rede foram os percursos das caravanas automóveis de Obama e uma lista de todas as instalações nucleares do país.

Em resultado destas notícias sistematicamente impingidas por representantes da indústria de entretenimento e de empresas de tecnologia especializadas em soluções de filtragem e bloqueio de conteúdos aos jornalistas, os congressistas norte-americanos estão a planear introduzir leis de modo a impedir a instalação de software de P2P em todas as redes informáticas administradas pelo governo federal ou pelas suas empresas contratantes. O objectivo é travar a partilha inadvertida de ficheiros.

Até aqui tudo bem. Mas numa audiência de um comité da Câmara dos Representantes que teve lugar na semana passada em Washington, o congressista democrata Bill Foster teve a infeliz ideia de propor o bloqueio unilateral do protocolo Gnutella. Uma vez que o LimeWire não pode ser responsabilizado por todas as falhas de segurança relacionadas com a partilha de ficheiros e dado que existem vários clientes deste protocolo, Foster considera que essa seria a melhor forma de resolver o problema em questão.

Respondendo às eventuais objecções daqueles que sabem que é totalmente impossível implementar uma gigantesca firewall ao jeito chinês nos Estados Unidos, o político propôs em alternativa criar uma nova versão do protocolo Gnutella que permitisse apenas a ligação de clientes limitados – aqueles que restringissem previamente que pastas ou tipos de ficheiros poderiam ser partilhados.

Embora os EUA estejam constantemente a criticar as violações à liberdade de expressão e de informação dos cidadãos através da Internet por parte das autoridades chinesas, só o facto de propostas tão absurdas como estas serem discutidas no Parlamento Nacional mostra que por detrás do verniz as diferenças entre ambos os países no que toca a este ponto não são tão substanciais assim.

(foto de Gubatron segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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1 Fábio A. E. Mello 3 de Agosto de 2009 às 23:02

Congresso dos EUA quer criar nova versão do protocolo de P2P Gnutella http://tinyurl.com/nuceeg

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2 Fábio Alexandre 4 de Agosto de 2009 às 1:02

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