Techdirt aplica modelo de negócios de Trent Reznor aos blogs

by Miguel Caetano on 22 de Julho de 2009

Já há mais de sete ou oito anos que me lembro de ler o Techdirt de Mike Masnick. Creio que ainda hoje se mantém o meu blog favorito – juntamente com o francês Numerama. Aliás, foi por causa do Techdirt que eu cheguei à conclusão de que havia algo de muito errado com o jornalismo de tecnologia.

Ali estava um “mísero” blog escrito por um amador que era suposto ser meramente opinativo mas que na verdade fornecia informação de muito melhor qualidade do que um jornal ou um site especializado em notícias de tecnologia. Mais surpreendente ainda era que Masnick se dava ao trabalho de entrar em diálogo directo com os comentadores e responder de igual para igual para os anónimos cobardes e os trolls, coisa que na altura era (ainda hoje é assim em parte…) um autêntico sacrilégio para todos os jornalistas.

Durante alguns anos andei imerso no mundo académico e distanciei-me do Techdirt. Mas quando recomecei a escrever regularmente online através do Remixtures, o Techdirt voltou a ser uma referência indispensável. Principalmente pela forma como Masnick demole os argumentos “rançosos” a favor do direito de autor, dos monopólios de propriedade intelectual e do controlo que determinados conglomerados multimédia e organizações corporativistas querem exercer na Internet.

Masnick tem sido um dos maiores defensores de novos modelos de negócio para o mundo da música. Em Fevereiro passado referi aqui uma apresentação que ele realizou no âmbito da conferência MidemNet em Cannes, no Sul de França, onde ele resumiu a estratégia seguida por Trent Reznor para vencer no novo negócio da música numa simples fórmula:

Connect With Fans (CwF) + Reason To Buy (RtB) = The Business Model ($$$$)

Segundo Masnick, esta fórmula é igualmente a aplicável a uma série de outras indústrias assentes na produção de bens infinitos – isto é, não escassos -, incluindo o próprio sector dos media. Tal como eu, ele também é da opinião que as receitas publicitárias não são suficientes para assegurar a sustentabilidade a longo prazo de um projecto de edição online. Vai daí, ele e os seus colegas da Floor64 – a empresa proprietária do Techdirt – decidiram aplicar a fórmula à blogosfera segundo um modelo Freemium.

O resultado é uma gama de 14 pacotes à escolha com preços que vão desde os cinco dólares até aos 100 milhões de dólares. A opção mais barata dá direito a um distintivo com a designação “Techdirt Insider” a acompanhar o perfil do leitor. Por 15 dólares, os leitores podem consultar a fila de edição dos títulos de artigos a publicar antes de todos os outros. Assim que um artigo for publicado, eles poderão lê-lo uma hora mais cedo que os demais.

Depois, existem uma série de artigos de merchandising bastantes interessantes mas que têm o inconveniente de apenas serem expedidos para endereços localizados nos Estados Unidos: camisolas (25 dólares), combo camisola + livro do próprio Mike Masnick (35 dólares).

De modo a ajudar a promover alguns dos artistas independentes que têm conseguido fazer carreira por si próprios e sem a ajuda de uma grande editora (Jill Sobule, Amanda Palmer, Moto Boy e Joe Pug), os leitores do blog podem comprar por 150 dólares o Techdirt Music Club. Quem quiser perceber mais a fundo sobre como a propriedade intelectual acaba por prejudicar a criatividade e não contribui para o bem-estar da sociedade em geral, poderá adquirir por 150 dólares um conjunto de cópias autografadas de juristas e economistas como William Patry, James Boyle, David Levine e Michele Boldrin.

Depois, é claro, existem opções mais dispendiosas. Uma que será certamente do agrado da RIAA, IFPI e MPAA é aquela que por 100 milhões de dólares dará direito ao comprador a livrar-se durante um ano das “vituperações” e “ilocubrações” (completamente sãs e razoáveis) de Masnick e companhia dirigidas contra os cartéis que defendem a ferro e fogo monopólios privados sobre a nossa cultura e o nosso conhecimento.

Depois de ter ficado a saber desta panóplia de soluções freemium lançadas pelo Techdirt, senti-me ainda mais motivado em renovar o meu desafio inicial. Quem sabe algum designer defensor da cultura livre não se sinta motivado a unir esforços com o autor destas linhas segundo um modelo de divisão equitativa de receitas ;-)

(foto de TechPolicySummit segundo licença CC-BY-NC 2.0)

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1 Fábio Alexandre 23 de Julho de 2009 às 0:00

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