Quem disse que o streaming matou a partilha de ficheiros?

by Miguel Caetano on 14 de Julho de 2009

A acreditar numa artigo ontem divulgado pelo The Guardian sobre uma pesquisa da empresa britânica de estudos de mercado The Leading Question em conjunto com a Music Ally, os fãs de música estão a deixar de copiar ficheiros obtidos através de redes de partilha de ficheiros e a optar em lugar disso por serviços mais-ou-menos legais de streaming de música como o Imeem ou a Last.fm.

Segundo o inquérito baseado numa amostra de mil indivíduos, a percentagem global de fans de música que descarregam música não autorizada de redes de P2P pelo menos uma vez por mês desceu para os 17 por cento em Janeiro de 2009 face aos 22 por cento registados no inquérito de Dezembro de 2007. A maior descida registou-se mesmo na faixa etária dos adolescentes entre os 14 e os 18 anos: de 42 por cento em Dezembro de 2007 para 26 por cento em Janeiro de 2009.

À primeira vista, serviços gratuitos como o YouTube, MySpace e o Spotify – que caiu nas boas graças das grandes editoras discográficas provavelmente porque apenas está disponível naqueles países com mercados publicitários mais atractivos -, parecem ter ocupado o lugar do Limewire, Pirate Bay e outros sites de BitTorrent: 65 por cento dos adolescentes entre os 14 e os 18 anos afirmaram escutar regularmente música via streaming. 31 por centes deles disseram que fazem diariamente streaming de música a partir do seu computador face a apenas 18 por cento de todos os que foram interrogados.

Mas a jornalista que escreveu o artigo esqueceu-se muito convenientemente de referir que a percentagem global de fãs de música que admitiram já terem alguma vez partilhado ficheiros aumentou de 28 por cento em Dezembro de 2007 para 31 por cento em Janeiro de 2009. No comunicado os autores do estudo referem ainda que um número maior de fãs partilha CDs gravados entre amigos e transfere faixas via bluetooth do que aqueles que descarregam os MP3s de sites e redes de partilha de ficheiros.

Estes dados é que importam e são fundamentais para perceber a actual transição pela qual o negócio da música está actualmente a passar. Na verdade, embora os sites legais de música possibilitem que os titulares de direitos exerçam um maior controlo sobre os seus conteúdos, muitas vezes eles apenas são utilizados para saber se vale a pena ou não descarregar os álbuns – DE BORLA a partir do Pirate Bay ou do Rapidshare.

Ou seja, na prática as gerações mais novas parecem ter definitivamente abandonado o hábito de comprar CDs. Isso mesmo é demonstrado pelo facto da percentagem de fãs que partilham regularmente álbuns (13%) é superior à daqueles que adquirem a versão digital a partir do iTunes ou da Amazon (10%). O mesmo já não se passa com a percentagem de downloads legais de singles (19%) que já ultrapassaram os downloads a partir de redes de P2P (17%).

Mesmo assim, a distância entre o sector legal e ilegal começa a diminuir: se em Dezembro de 2007 o rácio de faixas obtidas a partir de redes de P2P face às adquiridas em lojas online era de 4:1, em Janeiro de 2009 esse rácio desceu para 2:1.

É claro que as editoras discográficas e as sociedades de gestão colectiva de direitos de autor têm algumas razões para estar contentes. Mas não muito é que tanto o YouTube como o Spotify têm demonstrado alguma debilidade financeira. Ou seja: se com o Pirate Bay eles não recebem absolutamente nada, com estes serviços de streaming eles apenas recebem alguns cêntimos de euros mensais por cada utilizador.

Para além disso, estudos deste tipo pecam sempre por uma grande falta de transparência. Será que os seus autores contaram com o Rapidshare, o MegaUpload e outras dezenas de serviços de alojamento de ficheiros online? Quais as perguntas que foram colocadas? Ficamos sem saber. Nisto tudo, apenas acho lamentável que pessoas perfeitamente razoáveis incorram mais uma vez no erro de confundir a partilha com o roubo apenas porque lhes é mais conveniente.

Já agora: é bom não confundir o cenário britânico onde se pode aceder ao Spotify e à Last.fm sem pagar nada com o da nossa terra, em que somos relegados a excertos de 30 segundos apenas porque não temos o poder de comprar suficiente para atrair anunciantes de prestígio.

(foto de Adri H segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)

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{ 10 comments… read them below or add one }

1 Diego Camara 14 de Julho de 2009 às 16:49

Como sempre muito bem visto!

Acho que a partilha de arquivos não está diminuindo de maneira alguma. Acredito que "alguém" – e você sabe bem quem – está ganhando muito tentando manipular textos nos grandes sites de notícias sobre música e tecnologia.

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2 Rodrigo 14 de Julho de 2009 às 19:41

Quem disse que o streaming matou a partilha de arquivos? http://migre.me/3DPk

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3 Mad Dogg 14 de Julho de 2009 às 23:07

Muitissimo bem visto, Diego. A partilha de ficheiros não diminuiu, muito pelo contrário. Bem como o streaming que tambem nao diminuiu, mas que felizmente não aumenta pelos custos inerentes; essas brincadeiras de disponibilização de streamings saem caras… Aliás, bloquear os conteúdos digitais unicamente para o espaço Schengen é uma óptima idéia, mantendo assim fora da Europa conteúdos protegidos por direitos de autor colocados na web oriundos de outros países. Nada entra, nada sai. Assim mata-se a pirataria de vez. Streamings e partilhas, vai tudo á vida!

Fixe não é? ;)

MORTE Á PIRATARIA!
Mad Dogg

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4 A_F 15 de Julho de 2009 às 13:56

E pronto … agora que estavas a ir tão bem … lá estás tu outra vez com a cassette!

Já agora … já paraste para pensar que TODOS OS CONTEÚDOS são AUTOMATICAMENTE protegidos por copyright? Afinal ao certo que conteúdos é que tu queres excluir? E quem é que define isso? És tu? E já agora, onde é o espaço Schengen, em termos de Internet? Ou queres dizer os países que fazem parte do espaço Schengen? E estás mesmo a sugerir que cada país implemente filtros? Ou como é que tás a pensar resolver as coisas? Quem é que vai "gerir" isso? Os gajos da indústria?

Lembra-te, não há ninguém de confiança na "indústria", são palavras tuas!

Mad Dogg, larga lá a cassette pá. A sério, os teus posts são muito melhores sem essas tretas das mortes e ah e tal vai tudo à vida.

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5 Sua fonte de música! 15 de Julho de 2009 às 5:45

Quem disse que o streaming matou a partilha de ficheiros? http://migre.me/3FuP

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6 nunopinho 15 de Julho de 2009 às 11:14

@contrafactos Esse artigo é muito mau…stream more and stea less? Cf. http://bit.ly/MtMuo

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7 Fa Conti 15 de Julho de 2009 às 12:33

RT @remixtures: Quem disse que o streaming matou a partilha de ficheiros? http://migre.me/3FKT #meganao #ciberativismo #ai5digital

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8 contrafactos 16 de Julho de 2009 às 0:39

Claro, faz todo o sentido (stream more, steal less) @nunopinho Esse artigo é muito mau…stream more and stea less? Cf. http://bit.ly/MtMuo

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9 Feira da Música 16 de Julho de 2009 às 16:49

Quem disse que o streaming matou a partilha de arquivos? http://bit.ly/26pdF

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10 Leoni 16 de Julho de 2009 às 17:09

Ninguém. Mas vai a longo prazo. Faz sentido @feiradamusica: Quem disse que o streaming matou a partilha de arquivos? http://bit.ly/26pdF

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