Qtrax alvo de processo da Oracle no valor de 1,8 milhões de dólares

by Miguel Caetano on 29 de Julho de 2009

A história do Qtrax, o “serviço legal e grátis de P2P de música” financiado por publicidade que era suposto ter sido lançado em Janeiro de 2008, situa-se algures entre o trágico e o cómico. Depois de vários lançamentos falhados e de várias promessas por cumprir, a empresa responsável pela plataforma de downloads de música protegidos por DRM garante que a abertura oficial ao público está para breve.

Isso é o que podemos ler num enorme post publicado no blog oficial do Qtrax por Allan Klepfisz onde o director executivo da companhia aproveita ainda para fazer um mea culpa carregado de emoção e explica o porquê de tantos atrasos. Nesse post, ficamos a saber que o software do serviço já passou por várias versões e que a companhia já negociou dois pacotes de licenças dispendiosas com a indústria musical.

Mas o que verdadeiramente interessa nesta confissão de Klepfisz é que ele admite que a companhia gastou de uma maneira displicente os fundos que tinha conseguido recolher anteriormente – basta recordar-nos da festa principesca que a direcção organizou durante o MIDEM de Cannes de 2008 -, o que conduziu à situação actual de falta de dinheiro e ao não pagamento de dívidas a credores na data devida.

Aliás, esta é justamente a razão de um processo instaurado pela Oracle a 21 de Julho no Tribunal do Distrito Norte da Califórnia, nos Estados Unidos. A gigante da informática acusa a Qtrax de violação de direitos de autor e utilização indevida do seu software, exigindo por isso uma indemnização no valor de dois milhões de dólares (1,8 milhões de euros).

Na origem desta acção legal está uma dívida da Qtrax no valor de 1,8 milhões de dólares (1,63 milhões de euros) pelo fornecimento de software de base de dados. Em Novembro de 2008 a Oracle recebeu um cheque com esse montante que acabou por ser devolvido pelo banco por falta de fundos suficientes na conta:

“A incapacidade da Qtrax de pagar facturas elevadíssimas constituem uma violação material da licença de software,” refere a Oracle no documento legal enviado ao tribunal. Quando questionado sobre a saúde financeira da Qtrax, Allan Klepfisz afirmou que a companhia já conseguiu recolher mais dinheiro de investidores.”Penso que nós e a Oracle vamos conseguir superar isto,” prognosticou, aproveitando ainda para acrescentar que a startup não usou nenhuma das licenças incluídas no contrato que a Oracle considera ter sido violado. Mesmo perante todas as adversidades o senhor Klepfitz consegue ter um pensamento positivo. Mas neste caso não será uma negação patológica da realidade?

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