Com o lançamento da sua nova loja de música online, ficou-se a perceber melhor porque é que o Imeem anunciou há dias que pretendia apagar todas as fotos e os vídeos disponibilizados pelos utilizadores. Na altura, os seus responsáveis justificaram a medida afirmando que se tratava de um esforço de “simplificação do serviço” com vista a reforçar a sua aposta no sector da música. Segundo eles, conteúdos menos populares como imagens e vídeos são menos populares, logo, incubem em maiores despesas de alojamento e largura de banda.
A medida era suposto entrar em vigor a 30 de Junho mas devido ao coro de protestos por parte dos utilizadores que se viram ofendidos com o facto de lhes ter sido concedido tão poucos dias de aviso prévio o “apaganço” foi adiado para 15 de Julho. Ora, a verdade é que essa tal “simplificação de serviço” não passa de um eufemismo para disfarçar mais uma tentativa desesperada da empresa de monetizar o seu serviço e evitar a todo o custo uma falência iminente e o encerramento forçado.
Em Janeiro deste ano, o Imeem passou a cobrar cerca de dez dólares ao ano a quem quiser efectuar o upload de mais de 100 músicas. Acontece que os utilizadores que pagaram até agora por esta funcionalidade fizeram-no partindo também do pressuposto de que poderiam efectuar entre dez a 100 uploads de vídeos.
Mas com esta medida, eles não só perderam o direito de alojar vídeos e imagens como também ficaram sem acesso a esses conteúdos. Isto porque o Imeem nem sequer disponibilizou um meio fácil e imediato de descarregar os ficheiros a partir do site. Se no caso das fotos existe sempre a possibilidade de guardá-las no ambiente de trabalho com um mero clique no botão direito do rato, no que toca aos vídeos é mesmo completamente impossível. A este respeito, o responsável de marketing do Imeem Matt Graves comentou o seguinte:
Nós não somos proprietários dos conteúdos e por isso não temos os direitos necessários para que as pessoas os possam descarregar – trata-se de um problema de licenças e não do Imeem.
Embora Graves se tenha comprometido a reembolsar os utilizadores que pagaram por contas Premium, a imagem do Imeem ficou bastante manchada com todo este incidente.
Downloads directos para gerar mais receita
Seja como for, este desaire não parece ter afectado significativamente a startup que na sexta-feira passada aproveitou para lançar nos Estados Unidos uma versão experimental da sua própria loja de música online. Até agora, a empresa tem recorrido sobretudo a parcerias de links afiliados com o iTunes e a Amazon.
Tal como é habitual nestes casos, apenas os utilizadores norte-americanos têm acesso a estes links directos para comprar a versão digital da música. O resto do mundo é “despachado” apenas com um link afiliado para comprar o ringtone na Jamba – que quase sempre nunca existe. Mas a novidade aqui é que o Imeem decidiu incluir links para adquirir directamente o MP3 a partir do site ao preço de 99 cêntimos. Quer dizer, isto se nós formos norte-americanos, claro… Alguns dos artistas onde isto seria supostamente possível são os The Shins e Iron & Wine. O sistema de pagamentos aceita tanto cartões de crédito como PayPal.
Esta parece ser a primeira funcionalidade que o Imeem importou da Snocap, empresa que adquiriu em Fevereiro de 2008. Nos tempos mais próximos os downloads fornecidos pelo iTunes e pela Amazon irão manter-se como opção. No entanto, é provável que a longo prazo o objectivo do serviço passe por acabar de vez com estas parcerias.
No sistema actual, o Imeem apenas recebe uma percentagem de cinco por cento das receitas geradas pela venda de cada download. Mas graças aos downloads directos, esta percentagem poderá subir para os 30 por cento – e isto sem que tenha que efectuar alterações nos preços.
Alguns analistas consideram que a missão a que o Imeem de propõe de gerar dinheiro com os downloads é bastante complicada. Na sua opinião, os serviços que oferecem o streaming de música não favorecem a venda de downloads. Segundo eles, esta é uma das razões pelas quais as lojas de música online não permitem mais que escutar um pequeno excerto da música.
Mas esta lógica está errada uma vez que eles se esquecem de que o streaming de milhões de música por mês custa muito dinheiro em largura de banda. Daí que a Spotify tenha tomado a decisão certa quando optou por um sistema de arquitectura baseado no P2P. Talvez seja por isso que a empresa sueca tenha optado por recorrer a um intermediário, a 7Digital, para incorporar a venda de MP3s em vez de se encarregar ela própria da tarefa…
(foto de jonkpirateboy segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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