
No início de Abril, o banco Credit Suisse informou que o YouTube iria representar perdas no valor de 470 milhões de dólares (338 milhões de euros) para o Google em 2009. Segundo os analistas daquela instituição bancária, as despesas do site de partilha de vídeos ascenderiam aos 711 milhões de dólares (512 milhões de euros) no final deste ano, face a ganhos de apenas 240 milhões de dólares (173 milhões de euros). A fazer fá nesses números, todos os sites de streaming de vídeo e música estariam condenados ao fracasso.
Contudo, na semana passada a RampRate criticou essa estimativa por considerar que as despesas do Google com largura de banda, hardware e data centers são bastante inferiores. Segundo esta empresa especializada em serviços de gestão de redes de empresas de comércio electrónico, media e Internet como MySpace, CBS, Microsoft ou Blizzard Entertainment -, os custos não devem ultrapassar os 174 milhões de dólares (125 milhões de euros).
De acordo com a Business Week, a razão desta diferença tão grande de custos deve-se a o facto da RampRate ter levado em linha de contar os acordos de peering estabelecidos entre os fornecedores de serviços à Internet. Estes acordos constituem uma forma dos ISPs regatearem o tráfego dos seus clientes a preços de desconto ou mesmo grátis.
Isto significa não só que o YouTube pode estar a perder muito menos dinheiro do que o inicialmente previsto mas também que o site funciona como um grande trunfo da Google para estabelecer em melhores condições contratos de peering. Ou seja, na prática a quantidade enorme de tráfego do YouTube pode representar uma enorme poupança de dinheiro para os cofres da Google.
Mas então porque é que a empresa não veio a público desmentir os valores iniciais? Bem, tendo em conta os acordos de licenciamento estabelecidos com os detentores dos direitos relativos aos conteúdos transmitidos, a Google tem todo o interesse em não divulgar a sete ventos os resultados financeiros do YouTube. Se nos lembrarmos que o site de partilha de vídeos está em guerra com os representantes da indústria musical no Reino Unido, Alemanha e França, faz todo o sentido
(foto de Spencer E Holtaway segundo licença CC-BY-ND 2.0)
Artigos relacionados:
- YouTube a perder dinheiro, muito dinheiro: 470 milhões de $
- Grandes editoras discográficas dominam Top dos vídeos mais vistos no YouTube
- YouTube incorpora links para comprar downloads no iTunes e na Amazon
- Universal Music ganha dezenas de milhões de dólares graças ao YouTube
- Artistas querem saber do dinheiro da publicidade do YouTube


