Já viram um país cujos governantes têm visões opostas em relação à partilha de ficheiros? Tal parece ser a situação na Alemanha, onde a discordância a respeito da resposta gradual entre dois ministros do governo de coligação revela bem até que ponto é que a questão da liberdade na Internet é entendida de forma completamente diferente consoante os posicionamentos ideológicos de cada partido.
Em Fevereiro deste ano referi aqui que a ministra da Justiça da Alemanha Brigitte Zypries tinha exprimido fortes reservas à ideia de adoptar um sistema de resposta gradual em três etapas para combater a pirataria online. Segundo a ministra social-democrata, um mecanismo desse tipo é incompatível com as leis de protecção de dados e segredo das telecomunicações da Alemanha.
No entanto, apesar do governo alemão ser formado por uma aliança entre os democratas-cristãos da CDU (centro-direita) e os sociais-democratas do SPD (centro-esquerda), tal não implica a existência de uma convergência de opiniões entre ambas as forças políticas.
Na semana passada, o ministro da Cultura Bernd Neumann defendeu a necessidade do seu governo implementar medidas semelhantes às recentemente aprovadas em França, de acordo com a Billboard:
Outros países europeus como a Suécia e a França, demonstraram como se pode travar a pirataria na Internet. Veremos até que ponto o modelo francês de investigar e perseguir as infracções ao direito de autor virá a ser bem sucedido. Como é óbvio, este modelo não pode ser totalmente copiado devido às diferentes situações legais nos dois países mas é inaceitável que nada esteja a ser feito aqui na Alemanha.
As declarações de Neumann foram feitas durante uma cerimónia destinada a premiar o trabalho dos melhores compositores de música e que foi organizada pela sociedade de gestão colectiva GEMA – a tal que exigia enormidades em royalties à YouTube, o que levou o site a bloquear o acesso dos utilizadores alemães a milhares de videclips.
Agora, parece que a GEMA conseguiu um forte aliado na sua luta contra a partilha de ficheiros na Internet no interior do próprio governo e Neumann já prometeu inclusive pressionar Zypries a encetar negociações com as grandes editoras discográficas. De qualquer modo, qualquer decisão a este respeito só deverá ser tomada após as eleições federais a terem lugar no final do Verão.
(foto de tantek segundo licença CC-BY-NC 2.0)
Artigos relacionados:
- Governo alemão apoia resposta gradual contra downloads ilegais
- Novo governo alemão rejeita resposta gradual
- Primeiro-ministro britânico nega planos para implementar resposta gradual
- Ministra da cultura francesa apresenta lei da resposta gradual contra a partilha de ficheiros
- RIAA desiste de processar partilhadores mas quer resposta gradual nos EUA



{ 1 trackback }
{ 5 comments… read them below or add one }
日本人が勝手にボクの赤ちゃんの頃の画像を使っている! なんてこったい!! 他 http://bit.ly/bBbJkW
Próxima paragem, PORTUGAL!
):)
Mad Dogg
Na França também ainda falta a lei passar no Concelho Constitucional, e dado os atropelos ao principio da presunção da inocência e ao direito de defesa, tal está longe de garantido.
Na Alemanha talvez até faça sentido. Vai atirar ainda mais pessoas para o rapidshare, em detrimento dos P2P, que julgo ser uma empresa Alemã.
E depois há também os serviços de VPN.
Alguém vai ficar a lucrar com este sistema… não vão é ser os artistas!
já há melhor que vpn, nem tráfego aparece lol, saudações.,.
Pedro, então conta lá qual é essa novidade!