Limewire contrata um antigo “inimigo”

by Miguel Caetano on 30 de Junho de 2009

Normalmente não costumo comentar aqui as movimentações no mercado de trabalho da indústria discográfica e do Peer-to-Peer mas neste caso decidi abrir uma excepção porque poderá servir para retirar alguns ensinamentos para os partilhadores que se apressaram a chamar os administradores do Pirate Bay de “vendidos” por estes terem anunciado a sua intenção de vender o tracker de BitTorrent por 5,5 milhões de euros a uma empresa proprietária de uma rede de cibercafés e salões de jogos.

Segundo a Wikipedia, a primeira versão do LimeWire foi lançada a 29 de Maio de 2000, pouco depois do início da popularização do Napster. Ainda me lembro da primeira vez que utilizei esta aplicação de partilha de ficheiros. Ao contrário do Napster, o LimeWire permitia descarregar não apenas MP3s mas também PDFs, filmes e videojogos. Para encontrar e descarregar os ficheiros pretendidos, os utilizadores ligavam-se à rede Gnutella. De então para cá, a aplicação integrou o suporte para o protocolo BitTorrent.

Mais de nove anos depois, a empresa por detrás desse programa ainda continua a permitir a partilha de ficheiros não autorizados ao passo que o Napster passou a ser uma mera subscrição mensal de downloads “ilimitados” acorrentados a DRM. Apesar dos processos instaurados tanto pelas editoras independentes francesas como pela RIAA contra a empresa, já para não falar noutras acções legais. O facto do código-fonte do LimeWire ser aberto e estar disponível para eventuais modificações facilitou o surgimento de inúmeros forks, o mais famoso dos quais o FrostWire.

De 2000 até hoje, a LimeWire tem percorrido um percurso meio sinuoso: atacada pela indústria discográfica, tentou legitimar o seu modelo de negócios com o lançamento de uma loja de MP3 que conseguiu desde já atrair a The Orchard, uma das maiores distribuidoras de música digital. Ao mesmo tempo, quando todos pensavam que já não surgiria nenhuma inovação dali no que no diz respeito ao P2P, em Março deste ano voltou a surpreender com o lançamento da versão 5.0 do seu software que, entre outras coisas, permite partilhar ficheiros apenas com os nossos contactos através de uma espécie de redes sociais privadas.

Se esta curta história da LimeWire não for suficiente para demonstrar que estamos a falar de uma empresa que está no mercado do P2P para durar, a recente contratação de um antigo executivo de um serviço de música digital ligado às majors deverá sem dúvida convencer os mais renitentes.

Estou a falar de Jason Herskowitz, o antigo vice-presidente de product management do TotalMusic, um projecto da Universal Music e da Sony que começou por ser mais uma subscrição de downloads ilimitados destinada a afastar os estudantes universitários das alternativas ilegais como o próprio LimeWire mas que mais tarde foi transformado num widget para o streaming gratuito de música via playlists. Entretanto, as majors decidiram acabar com o serviço. No mês passado, o Project Playlist acabou por comprar parte dos activos do Total Music. Desde o fim do Total Music que Herskowitz estava praticamente parado, à parte algumas experiências como o Playdar,

A sua contratação para o cargo de vice-presidente de product management da LimeWire foi anunciada pelo próprio Herskowitz no seu blog pessoal (via MediaMemo): “Estou bastante contente – mudo-me para Brooklyn amanhã e a 1 de Julho começarei a trabalhar ao serviço da LimeWire. Como podem imaginar, estão a acontecer coisas bastantes excitantes por aqui, uma audiência global enorme e oportunidades fabulosas de fazer coisas ainda maiores. Sinto-me honrado de poder juntar-me a esta equipa.”

Embora por agora não existem grandes detalhes a respeito de qual será a missão de Herskowitz, o mais provável é que a LimeWire esteja a desenvolver novas formas de atrair mais editoras discográficas. Desde há vários anos que a empresa pretende incorporar anúncios publicitários lado a lado com os resultados de pesquisa do seu motor de busca de P2P. Para além da The Orchard, a loja de MP3 da LimeWire comercializa também músicas das distribuidoras IODA, Redeye Distribution e Nettwerk Music Group, entre outras.

Que ilações é que podermos retirar da história da LimeWire para o caso da anunciada venda do Pirate Bay? Quanto a mim, parece-me óbvio: existe um modelo de negócios capaz de conciliar o modelo grátis e não autorizado do P2P com o pagamento de direitos de autor aos detentores de direitos. Esperemos que este seja o caminho a seguir pelo futuro proprietário do Pirate Bay.

(foto de FLOODkOFF segundo licença CC-BY 2.0)

Bookmark e Compartilhe

Não existem artigos relacionados.

{ 2 comments }

1 Sua fonte de música! 1 de Julho de 2009 às 8:21

Limewire contrata um antigo “inimigo” http://migre.me/336X

2 Sua fonte de música! 1 de Julho de 2009 às 10:21

Limewire contrata um antigo “inimigo” http://migre.me/336X

Comments on this entry are closed.

Previous post:

Next post: