
Em Abril do ano passado, quando a indústria discográfica britânica começou a engendrar a ideia de importar o modelo francês da resposta gradual para o Reino Unido, Charles Dunbstone foi o primeiro dos responsáveis por fornecedores de acesso à Internet a rejeitar completamente a proposta de cortar o acesso à Internet de alegados partilhadores reincidentes.
Agora que se aproxima a data em que o governo britânico deverá publicar o aguardado relatório Digital Britain – agendada para 16 de Junho – e que irá conter uma série de medidas destinadas a reduzir a “pirataria” online, o director executivo do grupo de telecomunicações móveis Carphone Warehouse decidiu voltar novamente ao ataque contra a indústria de entretenimento.
No âmbito da apresentação dos resultados financeiros trimestrais da Talk Talk – o terceiro maior operador de Internet no país e uma das subsidiárias da Carphone Warehouse -, Dunstone afirmou que é impossível travar a partilha não autorizada de músicas e filmes protegidos por direitos de autor. Segundo ele, os partilhadores vão acabar sempre por vencer: mesmo se os ISPs forem obrigados a tomar medidas técnicas para combater o P2P, os internautas hão-de continuar a partilhar ficheiros de outras formas.
Se tentarem impor limitações ou suspensões para o Peer-to-Peer, as pessoas irão simplesmente ocultar o seu tráfego ou arranjarão outros métodos para partilhar os conteúdos. É um jogo de Tom e Jerry e nunca conseguirão apanhar o rato. O rato ganha sempre nesta batalha e temos que ter cuidado para que os políticos não sejam influenciados para aprovar leis que, no final, acabarão sempre por parecer estúpidas.
Dunstone referia-se assim às propostas mais recentes dos titulares de direitos britânicos de reduzir a velocidade da ligação dos partilhadores e exibir janelas pop-up de notificação sempre que o internauta tentar aceder a um site de partilha de ficheiros. Mas na sua opinião, tais medidas não fazem qualquer sentido. Para ele, a solução mais sensata consiste em educar os utilizadores sobre a necessidade dos criadores serem recompensados e oferecer-lhes alternativas legais a preços acessíveis.
Mas será que isso resulta? Lorde Carter, o ministro das Comunicações e coordenador do Digital Britain, acha que não. Segundo ele, dizer aos jovens que a partilha de música é ilegal é inútil porque eles não ligam nenhuma a esses avisos. Seja como for o seu colega David Lammy já garantiu que a ideia de cortar o acesso aos partilhadores após três infracções repetidas está totalmente fora de questão.
(foto de Adrian Purser segundo licença CC-BY-SA 2.0)
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{ 3 comments }
ISP britânico: “É impossível travar a partilha” http://tinyurl.com/m6ym2d
ENCERRAMENTO DOS PROVEDORES DE ACESSO JÁ!
Morte á pirataria!
Mad Dogg
Encerrar os provedores da acesso porquê? Por operarem ao abrigo da legislação em vigor (nacional e europeia) que os iliba de responsabilidade sobre os conteúdos a que os seus clientes acedem?
E pense bem lá nisso… Era o mesmo que uma operadora de telefones ser responsabilizada sobre o que os seus clientes dizem ao telefone!
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