
É o fim de uma era da música online. Os três co-fundadores da rede social de música Last.fm, anunciaram hoje no blog oficial que tencionam abandonar a empresa londrina. Martin Stiksel, Felix Miller e Richard Jones referem que o número de utilizadores do site mais do que duplicou ao longo dos últimos meses, para 37, 3 milhões de visitantes únicos. Mas então porquê sair numa altura em que as coisas estão a correr tão bem?
Na verdade, o anúncio é não só lógico como surge também numa altura um tanto ou quanto inoportuna a ponto de deixar um leve amargo na boca dos utilizadores do site.
Em primeiro lugar, porque foi há pouco mais de dois anos – em Maio de 2007 – que a CBS adquiriu a empresa por 280 milhões de dólares. Apesar de Stiksel e Miller terem adiantado ao PaidContent que este facto não passou de uma mera coincidência, a verdade é que quando uma grande empresa adquire uma startup é costume aquela obrigar os fundadores desta a manterem-se na empresa durante um determinado período de tempo.
Depois, porque há apenas algumas semanas atrás o TechCrunch voltou a envolver a Last.fm em relações perigosas com a RIAA. Segundo fontes confidenciais contactadas pelo blog de tecnologia, a CBS teria divulgado dados musicais dos utilizadores do site à associação que representa os interesses das grandes editoras nos Estados Unidos. Não obstante a equipa da Last.fm ter negado terminantemente todas as acusações, muitos membros da comunidade ficaram ainda mais desconfiados.
Por fim, e apesar do aumento do número de visitantes, a verdade é que o mercado publicitário já não cresce como dantes, o que acaba por prejudicar bastante as finanças da Last.fm. Deve ter sido justamente por isso que no final de Abril a empresa decidiu começar a cobrar três euros ao mês pelo acesso ao seu serviço de rádios personalizadas a todos os utilizadores residentes fora dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Some-se a isto tudo a concorrência cada vez mais feroz do Spotify em certas partes da Europa e está o caldo entornado.
O que me parece é que os três co-fundadores pretendiam “pisgar-se” o mais cedo possível para outras paragens longe do controlo centralizado de grandes organizações. Ao contrário do Tiago Dória, penso que este abandono marca o início do fim da Last.fm enquanto “marca” autónoma da Web social. Outras alternativas menos (Twones) ou mais abertas (Libre.fm) de recomendação social de música estão a começar a surgir. Embora eu não acredito que a rede social Last.fm venha a desaparecer tão cedo, não me admiro nada se um dia a CBS decidir absorver pura e simplesmente o serviço no seu site. Quem sabe com a designação de “CBS Social Music”?
E olhem que isto foi escrito por um vetusto utilizador da Last.fm – a fazer scrobbling desde Julho de 2003.
P.S: só para juntar ao já extenso rol de broncas da Last.fm, recentemente os utilizadores do site foram alvo de um ataque de phishing com vista a roubar-lhes o nome de utilizador e a palavra-passe. Realmente, foi mesmo uma óptima altura para sair da empresa
(foto de Peter Gerdes segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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@remixtures Como assim fundadores do Lastfm abandonam o barco?! http://bit.ly/O676Y
@remixtures Como assim fundadores do Lastfm abandonam o barco?! http://bit.ly/O676Y
RT: @fabinhuh Fundadores da Last.fm abandonam o barco http://tinyurl.com/nxvrvz
Já não sinto o mesmo prazer ao navegar pela last.fm que sentia quando descobri o serviço, apesar de ainda ser uma ótima plataforma social.
Parabéns pelo ótimo conteúdo e obrigado por trazer tanta informação de forma clara e relevante aos falantes da língua portuguesa. Sem dúvida este espaço é uma referência à cultura livre.
E o fim do Last.fm está cada vez mais próximo… http://bit.ly/O676Y
Fundadores da Last.fm abandonam o barco http://bit.ly/O676Y
Rt @amf: Fundadores da Last.fm abandonam o barco http://bit.ly/O676Y
RT @miss_day: Rt @amf: Fundadores da Last.fm abandonam o barco http://bit.ly/O676Y (tenso?)
Eu adoraria fazer um terrorismo poético lá no Last-fm. http://migre.me/2nrb E vc?