
O álbum homónimo de estreia dos norte-americanos Fleet Foxes foi um dos que constou na minha lista de 20 melhores discos de 2008. Aliás, eu não fui o único. De facto, salvo raras excepções, a crítica foi unânime: daí que o disco tenha terminado na sexta posição na lista dos melhores do ano passado do MetaCritic, um site agregador de críticas de publicações offline e online especializadas em música.
A sua fusão surpreendentemente fresca da sonoridade de uns My Morning Jacket com uns Beach Boys fez com que o disco tenha ultrapassado a marca das 210 mil cópias vendidas nos EUA e 100 mil no Reino Unido. O passo óbvio para uma banda independente deste calibre seria assinar com uma major.
Tal não foi o caso dos Fleet Foxes, cujo vocalista Robin Pecknold afirmou num post publicado no blog da banda no MySpace no final de Janeiro deste ano que os Fleet Foxes nunca em circunstância alguma assinariam com uma grande editora. Pecknold, que negou assim os rumores que davam como certo a ligação da banda à Virgin Records – subsidiária da EMI – considera que as majors mantêm uma posição anti-música.
Como se isto não fosse suficiente, o cantor afirmou recentemente à BBC que os Fleet Foxes nunca teriam conseguido gravar o seu álbum se não tivessem tido a inspiração dos discos de outros artistas a que ele teve acesso apenas graças ao Napster e às subsequentes redes de partilha de ficheiros.
Foi assim que eu fui exposto a quase toda a música que eu até hoje adoro, e ainda continua a ser a forma mais fácil de encontrar coisas bastante obscuras.
Descobri tanta música através desse meio. Calculo que isso seja também totalmente verdade para qualquer artista da minha idade.
Smile de Brian Wilson e Odessey and Oracle dos Zombies foram alguns dos álbuns que eu descobri através do serviço
De facto, penso que o que ele diz é verdade. O acesso imediato e grátis a uma biblioteca de música tão vasta contribuiu bastante para a melhoria da qualidade de boa parte da música feita na primeira década do século XXI. E suponho que outras bandas cujos álbuns foram igualmente elogiados pela crítica partilhem da opinião de Pecknold.
O que é raro é ver um músico desta geração declarar que a partilha de ficheiros contribuiu para aumentar a sua inspirar e assim elevar a qualidade do seu som. Mas o cantor dos Fleet Foxes vai mais longe e chega mesmo a admitir que não coloca qualquer objecção aos fãs que descarregaram o disco da banda:
Eu descarreguei centenas e centenas de discos – porque é que me iria importar se alguém descarregasse o nosso? Ficar incomodado com isso é absolutamente ridículo. Isto é, quanto dinheiro é que uma pessoa precisa? Penso que é nojento quando as pessoas se queixam disso.
Palavras sábias de um músico que detesta a hipocrisia e a desonestidade. Infelizmente, as grandes editoras e alguns músicos ainda não aprenderam a lição. A sobrevivência de um artista no mundo da música depende da instituição de uma relação de confiança com o fã. Se essa relação se danifica, só com muito dificuldade é que o artista conseguirá restabelecê-la. Os Metallica bem o sabem…
(foto de Christoph! segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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{ 6 comments }
Hipócrita mesmo é chamar a Sub Pop (subsidiária da Warner) uma "editora independente".
Fu***ng posers!
Independente como a Interscope ou a Cooking Vinyl. A t(r)eta é sempre a mesma.
é isso irmao: tudo de borla. ha gandulos ai ganhando grana com merda igual a que estes fazem. amen.
Fleet Foxes: a música de hoje é melhor devido ao P2P http://bit.ly/qZ39C
O que todos pensam mas não querem ou não podem dizer! Já a Joss Stone tinha dito algo do género numa entrevista.
a música de hoje é melhor devido ao P2P http://tinyurl.com/l5qctl
Fleet Foxes: a música de hoje é melhor devido ao P2P http://bit.ly/gRK0n
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