Desde há alguns anos a esta parte que tenho vindo a acompanhar com entusiasmo o surgimento de inúmeros partidos pirata em vários países do mundo (Espanha, Brasil, EUA, Alemanha, etc.) mais
ou menos inspirados no original Piratpartiet sueco – que nas eleições
europeias deste domingo passado conseguiu eleger um eurodeputado.
E, no entanto, até há poucas semanas atrás parecia que a questão da partilha de ficheiros, do direito de autor e do poderio crescente dos monopólios de propriedade intelectual continuava a não motivar um número mínimo de portugueses a ponto de justificar a criação de uma força política capaz de defender as liberdades individuais, o direito à privacidade e a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento.
Daí que tenha ficado bastante satisfeito quando há cerca de três semanas atrás o leitor “Andrer757″ deixou um comentário alertando-me para a existência de um Partido Pirata Português (PPP) Contudo, o meu entusiasmo inicial rapidamente se desvaneceu quando constatei que o manifesto e a declaração de princípios do PPP se limitavam a adaptar para português de Portugal os textos de apresentação de outros partidos piratas, nomeadamente o brasileiro. Do mesmo modo, o blog também se limitava a ser um apanhado de notícias provenientes de outras fontes. Mas o que me fez mais impressão foi a inexistência de um formulário de contacto e de uma pequena biografia que identificasse os responsáveis pelo partido. Até ao momento, a única forma de um visitante entrar em contacto directo com os administradores consiste em inscrever-se no fórum.
Se uma coisa é o direito à privacidade que cada internauta individual deve sempre beneficiar, a questão já se coloca de uma forma completamente diferente no caso de um partido – neste caso um movimento, uma vez que o PPP ainda não foi formalmente constituído – que pretende representar os interesses de todos os internautas. Por outras palavras, é aqui que o anonimato deixa de fazer todo o sentido.
Porque um Partido que quer conquistar novos “membros” tem que procurar a visibilidade e não o anonimato. Não estamos a falar de um clube privado ou de um clã de “amigos” do World of Warcraft em que as pessoas se identificam por pseudónimos esotéricos. Por muito que o lamentemos, no século XXI o reconhecimento público e o carisma continuam a ser condições fundamentais para galvanizar o eleitorado. Basta olhar para o perfil de Rick Falkvinge, o líder dos “piratas suecos”, ou para o do futuro “eurodeputado” Christian Engström para constatar que a experiência, a dedicação, o espírito de evangelização e o seu “capital social” contaram muito para este notável desempenho eleitoral do Piratpartiet.
De forma a obter mais informações sobre o projecto, decidi não destacar logo naquele momento o surgimento do PPP e optei por enviar um questionário ao leitor “Andrer757″ no intuito de obter resposta a estas e outras dúvidas. Os dias foram passando e nada de respostas! Entretanto, alguns outros membros do fórum convidaram-me a participar no fórum mas eu voltei a insistir na necessidade de obter previamente respostas às minhas questões. O meu interlocutor de nome “Ephram” disse-me que o assunto estava a ser debatido no fórum de modo a chegar a um consenso geral. Mas a verdade é que antes disso, já o JPN tinha publicado um artigo sobre o PPP. Aí fiquei a saber que o partido – ou movimento? – foi criado por alunos de Engenharia Informática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Hoje, recebi finalmente as respostas às minhas questões. Mais uma vez, notei com algum desapontamento que os responsáveis pelo PPP continuam a não dar o nome – quando mais a cara! – por este projecto. Se têm tanto “medo” assim em assumir-se, não seria melhor entrar em contacto com estes nomes de gente mais experiente para saber se eles estavam interessados em participar na oficialização do PPP?
Por último: não levem isto como um ataque directo às vossas ambições mas apenas um conjunto de críticas construtivas.
Quem são os responsáveis pelo PPP?
Acreditamos que o partido é de todas as pessoas que pretendem alterar a actual legislação relacionada com os direitos de autor e direitos conexos, para que a partilha livre de cultura seja possível. Neste momento a actual administração é composta por cinco pessoas e a informação sobre as mesmas está no fórum na parte de apresentação de membros, mas todos os membros podem participar da forma igual e independente na formação do partido.
Quantas pessoas é que estão por detrás do Projecto?
O movimento somente agora iniciou a sua actividade, sendo normal o envolvimento de poucas pessoas, mas não pretendemos ser um partido “desta ou daquela pessoa”. Toda comunidade do Partido Pirata Português está por detrás do projecto, ainda assim são os responsáveis referenciados acima que representam a comunidade, o que para todos os efeitos é quem, neste momento, está por detrás do projecto. Sendo uma comunidade livre e aberta os responsáveis de hoje poderão não o ser amanhã. Respondendo directamente a questão somos cinco. O que queremos é ser um partido de “todo e qualquer cidadão” que queira discutir a problemática das leis de direitos de autor e afins. Iremos certamente
crescer.
Como é que vos surgiu a ideia de criar um partido pirata?
A ideia surgiu a um dos actuais responsáveis que em meados de 2007, ao procurar as noticias diárias encontrou uma sobre a oficialização do Partido Pirata Espanhol. De imediato, tentou informar-se sobre o mesmo e procurar uma ramificação do mesmo em Portugal, foi quando descobriu o Partido Pirata Português, na altura um simples fórum abandonado pelos membros e os responsáveis desse mesmo projecto. Tentou contribuir para o crescimento dos mesmo mas o esforço foi em vão e o fórum morreu pouco tempo tempo depois do mesmo ser descoberto. O fórum morreu no mesmo ano da sua criação. Sem nunca tirar a ideia da cabeça, em 2009 já na faculdade, após algumas conversas com actuais responsáveis e com a colaboração dos mesmos, foi possível o nascimento de um novo movimento que visa a criação do partido.
Todos nós trocamos um pouco da nossa liberdade individual a cada dia que passa, sentados em frente às nossas televisões, alguns olham sem ver, esse rol de atropelos cada vez maior às nossas liberdades e direitos. Decide quem não foi eleito para tal, decide um qualquer conselho de Administração de uma corporação, sediada num qualquer paraíso fiscal. Uma parte cada vez maior da humanidade começa a dizer não, basta, vamos mudar este estado de coisas, vamos participar no processo político e como não se revêem no actual espectro político, procuram alternativas. Os cidadãos do mundo estão a abrir os olhos e o Partido Pirata Português é parte da resposta da sociedade civil às leis injustas e abusivas que alguém decide sem consultar quem os mandatou, os cidadãos. De referir que o nosso movimento não é uma ideia, mas sim um conceito, um modo de vida, o modo da liberdade.
Muitos de nós sentíamos cada vez mais, ao longo do tempo, a necessidade de confrontar esta problemática na nossa sociedade Portuguesa. Essa necessidade apenas aumentou à medida que o movimento foi crescendo um pouco por toda a Europa, seguindo o exemplo do Partido Pirata Sueco. Assim, e visto que Portugal ameaçava começar a ficar para trás num tema que consideramos tão importante, actualmente esperamos que outros se interessem e se juntem a este, o que começou lentamente a acontecer à medida que novos membros foram tomando consciência da sua existência e se foram juntando a este.
Qual é a vossa agenda política e o vosso projecto de sociedade? Quais são os vossos objectivos a curto, médio e longo prazo?
A nossa agenda é sensibilizar as pessoas de que todos podemos fazer mudanças, nomeadamente nos assuntos já referidos. Os nossos objectivos a curto prazo são os de gerar a discussão na comunidade e principalmente fora dela, trazendo o debate para a realidade Portuguesa, assim como educar os interessados sobre a situação e suas consequências. A médio prazo pretendemos criar um movimento de cidadãos oficial que promova reuniões e manifestações caso sejam necessárias. A criação de um verdadeiro movimento social a nível nacional. A longo prazo o nosso objectivo é a criação de uma base sólida para a oficialização do Partido Pirata Português. O objectivo final é, como esperado, o de alterar a legislação. Esse é o nosso sonho!
O que é que pensam do crescimento do número de militantes do Partido Pirata Sueco?
O crescimento de militantes Partido Pirata Sueco, ainda que aliado a algum mediatismo relacionado com o Pirate Bay, só demonstra que cada vez mais pessoas querem alterar a legislação em vigor. As pessoas percebem que o actual sistema só dá lucro a quem comercializa e o criador é não raras vezes abandonado e desvalorizado, para além de ser negado muitas vezes a livre distribuição de cultura/informação/educação que é um dos princípios dos Estados de Direito. O direito básico à privacidade, essencial para uma democracia, está a ser cada vez mais colocado em causa. O julgamento do Pirate Bay serviu como um focos, um despertar de consciências para toda a situação. O crescimento do Partido mostra que a altura é a correcta e que as pessoas estão preparadas. Esperam apenas da oportunidade, do focos no qual se devem unir para seguir em frente neste caminho.
Acreditamos também que o aumento de filiados do Partido Pirata Sueco se deve ao facto de o partido ser um partido participativo o que encoraja as pessoas a
filiarem-se no partido e divulgarem as suas ideias, que serão certamente ouvidas e discutidas.
Não acham que a sociedade portuguesa é demasiado conservadora para atribuir importância ao debate sobre os direitos de autor, a partilha de ficheiros e a propriedade intelectual em geral?
No nosso ponto de vista a sociedade portuguesa não é assim tão conservadora como se afirma. Existem sim muitos velhos do Restelo, particularmente em alguns lugares chave de poder. Pensamos que também por cá as pessoas estão cada vez mais conscientes e preparadas para este passo. Sabemos que Portugal tem muita gente que quer mudanças nestes assuntos, basta observar o número de downloads ilegais que são feitos cá. Nós queremos mudar isto, queremos descriminalizar a pirataria. E sabemos que existe muita gente que partilha o nosso pensamento. O surgimento deste movimento é certamente um indicio de que estamos prontos para dar este passo. Se estamos certos ou errados apenas o futuro o dirá.
Qual é a vossa opinião sobre o sistema de resposta gradual que o governo francês deverá implementar dentro em breve no sentido de cortar a ligação à Internet dos internautas apanhados três vezes seguidas a partilharem ficheiros protegidos por direitos de autor?
Achamos um absurdo, uma vez que se viola alguns dos direitos humanos. Anonimato que devia ser um direito fundamental. Sem esse direito não há liberdade de expressão e sem liberdade de expressão não há democracia. A lei para ser aplicada pressupõe uma constante violação do princípio da privacidade. A lei fundamenta um estado de polícia onde todos são vistos como possíveis criminosos e observados segundo a segundo, perdendo-se o pressuposto de inocência. Todos passam a ser considerados criminosos até prova em contrário. Consideramos também ridículo a quantidade de recursos investidos no combate a este tipo de crime quando outros consideravelmente mais prejudiciais para a sociedade em geral são cada vez menos perseguidos e penalizados.
O direito de acesso à Internet foi recentemente considerado como um direito essencial pelo Parlamento Europeu aquando da votação do Telecom’s Package e que deveria apenas poder ser negado através de uma ordem judicial. Esta posição do Parlamento Europeu está em directa oposição à Lei HADOPI avançada pela França. O analfabetismo do futuro é o analfabetismo tecnológico. Uma lei deste tipo incentiva a ignorância e cria um obstáculo directo à educação e progresso dos cidadãos. Os ISP’s são colocados em oposição directa aos seus clientes. Situação que era evitada pela protecção gozada pelos provedores de comunicações em que estes não podiam ser responsabilizados pelas comunicações
realizadas pelos utilizadores nas suas infraestruturas. A lei HADOPI obriga os ISP’s a participarem numa caça às bruxas contra os seus utilizadores, tendo de gastar recursos a ajudar a sustentabilidade de uma indústria que não é a deles e que parece gozar, actualmente, de uma protecção governamental que nunca nenhuma indústria gozou até então. Finalmente, lembramos que não existe ainda tecnologia fiável para detectar infracções ao copyright. As existentes não foram abertas a verificação e já foi demonstrado em estudos que ela não é de todo fiável, tendo-se conseguido que impressoras de rede, por exemplo, tenham sido acusadas de cópias ilegais quando obviamente tal não era o caso. O facto das tecnologias não terem sido submetidas ao escrutínio público e cientifico coloca o poder de censura na mão das entidades responsáveis por aplicar tais tecnologias e elimina a presunção de inocência, bastando três acusações seguidas para cortar um serviço considerado hoje essencial e primário. Alertamos para o facto de que uma vez abertas as portas a qualquer tipo de censura a tendência é ao seu crescimento e ao abuso de poder por quem a pode aplicar especialmente se não severamente controlado e restrito como é o caso. Esta solução não é apenas um perigo imenso para a sociedade do presente mas as suas implicações para o futuro podem ser catastróficas.
É de notar que, com base em alguns destes argumentos, a lei, apesar de ter passado no parlamento, foi agora chumbada pelo Concelho Constitucional Francês, a autoridade máxima legislativa nesse país. Consideramos tal facto uma vitória para a democracia e para a liberdade.
O que pensam do posicionamento dos outros partidos políticos em relação à Internet e à liberdade de informação na era digital, nomeadamente no que diz respeito ao sentido de voto dos eurodeputados portugueses em relação à emenda anti-resposta gradual?
Não existe nenhum partido português que discuta activamente esta temática. Claro que há propostas de mudança, mas estas são insuficientes e muitas vezes sem resultados práticos. De uma forma geral, os partidos seguem interesses pessoais e não os do povo, todos sabemos disso e por isso é que se regista estes números de abstenção. Nós acreditamos num partido participativo e numa democracia participativa. Onde existe uma total transparência do Estado para com os particulares e são estes que decidem o futuro do país. Sabemos que existem algumas propostas neste sentido, em particular a nível Europeu pela coligação dos partidos verdes da qual “Os Verdes” fazem parte, mas consideramos isso insuficiente e, como tal, consideramos importante a criação deste movimento com o intuito de chamar a atenção para o problema.
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Este blog é pessimo a dar informação… O partido não quer hierarquias, lideres…. quer apenas ser o partido dos que querem mudar o copyright, algum mal nisso? Tem que haver um rosto? Não podemos fazer todos a mudança? Lamentavel este tipo de publicidade negativa e desinformação de um menino mimado que pensa que é alguem só por ter um blog.
O caminho faz-se caminhando não se esqueça disso… Começamos como um grupo de colegas e estamos a ter o nosso evoluir natural. Repito queremos ser o partido de todos que queiram mudar a lei dos direitos de autor, aqui não há lideres! A historia de existerem pessoas por de tras de um projecto não atrai votos atrai é abstenção. Ou o senhor reve-se em algum politico portugues?
Lamentavel este artigo!
Caro Bruno Caires: posso não me rever totalmente em nenhum político português em especial mas a verdade é que os milhões de pessoas que votaram em Barack Obama fizeram-no porque se sentiram tocados pelo seu discurso. E já agora, deixe-me que lhe diga, a sua visão a respeito da política e das funções de um partido são demasiado ingénuas para fazerem qualquer sentido. A ideia de descentralização, horizontalidade e anarquia total é muito bonita na teoria mas na prática é meio caminho andado para a desresponsabilização e a "rebaldaria". O projecto Gnu/Linux e o software livre em geral constituem o movimento mais bem sucedido dos últimos 20 anos no sentido da democratização do conhecimento. Também aí o papel de "ditadores benevolentes" como LInus Torvalds e Richard Stallman foi decisivo para atrair programadores interessados na filosofia do código-fonte aberto e em espalhar a mensagem em prol da abertura, da participação e da transparência. Esses responsáveis não foram eleitos por um qualquer "comité central"; foram eles próprios que se auto-propuseram a desempenhar funções de administração dos projectos, tendo sido implicitamente aceites como "líderes" pelos restantes membros da comunidade. Gostaria que o PPP retirasse alguns ensinamentos daqui. Caso pretenda ser encarado como uma força política séria, terá que o fazer. Eu sou defensor da colaboração, da abertura, da participação e da transparência. Mas no fim de contas, é sempre preciso alguém que avance e que dê a cara.
Caro Bruno Caires: posso não me rever totalmente em nenhum político português em especial mas a verdade é que os milhões de pessoas que votaram em Barack Obama fizeram-no porque se sentiram tocados pelo seu discurso. E já agora, deixe-me que lhe diga, as suas perspectivas sobre a política e as funções de um partido são demasiado ingénuas para fazerem qualquer sentido. A ideia de descentralização, horizontalidade e anarquia total é muito bonita na teoria mas na prática é meio caminho andado para a desresponsabilização e a "rebaldaria".
O projecto Gnu/Linux e o software livre em geral constituem o movimento mais bem sucedido dos últimos 20 anos no sentido da democratização do conhecimento. Também aí o papel de "ditadores benevolentes" como LInus Torvalds e Richard Stallman foi decisivo para atrair programadores interessados na filosofia do código-fonte aberto e em espalhar a mensagem em prol da abertura, da participação e da transparência. Esses responsáveis não foram eleitos por um qualquer "comité central"; foram eles próprios que se auto-propuseram a desempenhar funções de administração dos projectos, tendo sido implicitamente aceites como "líderes" pelos restantes membros da comunidade. Gostaria que o PPP retirasse alguns ensinamentos daí. Caso pretenda ser encarado como uma força política séria, terá que o fazer. Eu sou defensor da colaboração, da abertura, da participação e da transparência. Mas no fim de contas, é sempre preciso alguém que avance e que dê a cara. O consenso a todo o custo gera burocracias desnecessárias.
Caro Bruno Caires: posso não me rever totalmente em nenhum político português em especial mas a verdade é que os milhões de pessoas que votaram em Barack Obama fizeram-no porque se sentiram tocados pelo seu discurso. E já agora, deixe-me que lhe diga, as suas perspectivas sobre a política e as funções de um partido são demasiado ingénuas para fazerem qualquer sentido. A ideia de descentralização, horizontalidade e anarquia total é muito bonita na teoria mas na prática é meio caminho andado para a desresponsabilização e a "rebaldaria".
O projecto Gnu/Linux e o software livre em geral constituem o movimento mais bem sucedido dos últimos 20 anos no sentido da democratização do conhecimento. Também aí o papel de "ditadores benevolentes" como Linus Torvalds e Richard Stallman foi decisivo para atrair programadores interessados na filosofia do código-fonte aberto e em espalhar a mensagem em prol da abertura, da participação e da transparência. Esses responsáveis não foram eleitos por um qualquer "comité central"; foram eles próprios que se auto-propuseram a desempenhar funções de administração dos projectos, tendo sido implicitamente aceites como "líderes" pelos restantes membros da comunidade. Gostaria que o PPP retirasse alguns ensinamentos daí. Caso pretenda ser encarado como uma força política séria, terá que o fazer. Eu sou defensor da colaboração, da abertura, da participação e da transparência. Mas no fim de contas, é sempre preciso alguém que avance e que dê a cara. O consenso a todo o custo gera burocracias desnecessárias.
EXCLUSIVO: Entrevista com os responsáveis pelo Partido Pirata Português, no Remixtures http://cli.gs/pirata
O PPP não e NUNCA será uma Anarquia. Se não era isto que querias dizer, penso que deves reformular e escrever de outro modo.
Um partido é um conjuntos de pessoas em que todos dão a sua cara para defender uma doutrina ou conjunto de ideias e/ou ideais, logo a critica é válida e todas as outras são aspectos que foram até agora um pouco desdenhados pela parte dos responsáveis do Movimento.
Cumprimentos
O problema é que, se olharmos à genese da palavra, o PPP está efectivamente a tender para uma ideologia semelhante à anarquista como também o está uma grande massa de apoiantes do Bloco de Esquerda. O grande problema é a conotação negativa de que dispõe a palavra "anarquia" na nossa sociedade.
De acordo com o dicionário a palavra anarquia significa uma sociedade constituída sem governo ou, diria eu, uma sociedade sem hierarquias. Muitos anarcas defendem que o modelo de pequenas comunidades que efectuam trocas entre si pelos bens e serviços que necessitam e que se organizam internamente sem o conceito de chefe ou demais hierarquias são praticáveis. Apesar de eu pessoalmente não concordar com esta ideologia para uma implementação global tenho de admitir que é praticável em implementações mais pequenas e localizadas.
Quanto ao artigo em si está realmente carregado da opinião pessoal do autor mas não esperaria outra coisa de um blog. Um blog não é um site informativo mas sim um veiculo por onde uma pessoa expressa as suas opiniões e que, no decorrer dessa exposição, por vezes informa o leitor simultaneamente como um bónus e nesse aspecto o Remixtures tem feito um trabalho fenomenal que garante a minha continua subscrição ao seu feed RSS mesmo que em diversas ocasiões possua uma opinião totalmente díspar daquela do seu autor.
Uma coisa é anarquia, uma é anarquismo. Agora, pessoalmente considero que seria melhor não introduzir estas discussões demasiado ideológicas porque estão para lá do âmbito de actuação de um Partido Pirata. Feitas as devidas adaptações ao cenário português, penso que o modelo e a estrutura de funcionamento do Partido Pirata Sueco poderia servir de inspiração ao PPP.
"Feitas as devidas adaptações ao cenário português, penso que o modelo e a estrutura de funcionamento do Partido Pirata Sueco poderia servir de inspiração ao PPP."
É isso que andamos a tentar. Claro que discussões ideológicas surgem como parte natural desse processo, mas nunca como algo mais.
Uma coisa é anarquia, outra é anarquismo. Agora, pessoalmente considero que seria melhor não introduzir estas discussões demasiado ideológicas porque estão para lá do âmbito de actuação de um Partido Pirata. Feitas as devidas adaptações ao cenário português, penso que o modelo e a estrutura de funcionamento do Partido Pirata Sueco poderia servir de inspiração ao PPP.
RT @PauloQuerido EXCLUSIVO: Entrevista com os responsáveis pelo Partido Pirata Português, no Remixtures http://cli.gs/pirata / @remixtures
Deixo a nota que o meu comentário anterior é uma resposta ao comentário de Bruno Caires.
(se possível peço para acrescentar na primeira linha @Bruno Caires e apagar este mesmo comentário)
EXCLUSIVE: Interview with responsible of the Portuguese Pirate Party http://cli.gs/pirata from @PauloQuerido
RT @nunoroby: EXCLUSIVE: Interview with responsible of the Portuguese Pirate Party http://cli.gs/pirata from @PauloQuerido
Bruno Caires,
Sou um mero espectador deste (e outros blogues) e vou dar a minha opinião sobre o artigo e o seu comentário. São meras opiniões pessoais, não quero que se sinta ofendido directamente por nenhum dos meus pontos:
1) Uma nota inicial ao género de linguagem que usa… "menino mimado" é uma expressão que nada abona a seu favor e que me parece claramente injustificada vindo de uma pessoa que quer ter responsabilidades éticas e sociais. Lamentável.
2) Como certamente sabe (e o autor do blogue referiu isso mesmo) para haver uma mobilização da sociedade é necessária uma certa "evangelização" (o termo é mau mas, dá para perceber a ideia) e isso é bastante dificil sem uma cara, sem uma imagem, sem algo em que as pessoas se revejam!
3) Por mais que queiramos mudar a instituição é necessário cumprir certos requisitos (bons ou maus, sabe que isso é necessário em qualquer área, a universidade é disso exemplo). Faço uma pergunta, sem lideres, sem caras, sem pessoas, como espera no futuro conseguir debates, publicidade e mesmo deputados eleitos?
4) A sua antepenúltima frase é um pouco complicada… Como é que se atrai alguém para um projecto sem pessoas por trás? Aceito a minha ignorância, talvez me consiga explicar esse ponto melhor.
5) O Bloco de Esquerda, por exemplo, não será uma boa opção de um partido já enriezado e com expressividade para defender as ideias que diz defender? Dada a velocidade a que as legisliações se criam (veja o exemplo da França) acha mais fácil partir de um projecto do zero? Quais são as diferenças principais entre este novo movimento e o BE, por exemplo?
Quanto ao artigo… não vejo nada de mal nele. É uma opinião pessoal que eu partilho em larga medida.
Cumprimentos,
Pedro Pinheiro
@retorta lá se foi o nosso projecto
)RT @PauloQuerido: EXCLUSIVO: Entrevista c os resp pelo Partido Pirata Português,http://cli.gs/pirata
Considero essas criticas muito válidas e apontando alguns aspectos essenciais que terão de ser resolvidos antes do movimento conseguir avançar para algo mais próximo de um verdadeiro partido. Algumas delas têm sido já mais ou menos discutidas no fórum.
Realmente, de momento, apesar de não nos faltar conhecimento sobre as temáticas propriamente ditas, falta-nos sobretudo capacidade e conhecimento, talvez preparação, de como avançar com um movimento destes.
Também daí surgiu o convite de participar na discussão, da mesma forma que estamos abertos a todos os interessados.
[B0rg]
(PS: Não sou um dos responsáveis)
RT @PauloQuerido EXCLUSIVO: Entrevista com os responsáveis pelo Partido Pirata Português, no Remixtures http://cli.gs/pirata
Acho que todas as críticas podem ser justificadas com a "idade" do movimento. Dêem algum tempo.
E já agora, que se discuta o que há a discutir, no local próprio. O Miguel sabe onde nos encontrar e é bem vindo.
RT @renatoconde: "Entrevista com os responsáveis pelo Partido Pirata Português" – http://bit.ly/17UZlq
Entrevista com os responsáveis pelo Partido Pirata Português http://tinyurl.com/l8hyob
Qual anarquismo? A partilha livre de "cultura" é exactamente a génese do comunismo que é papão na agricultura, propriedade de terrenos e empresas mas, aparentemente, bem vinda na cultura.
Não existe forma mais comunal do que achar que é tudo nosso e tudo é de todos. O conceito de um partido pirata é, só por si, um atentado ao bom gosto. Não digo que as facilidades tecnológicas não coloquem a tentação da partilha ilegal (quando disser ilegal estou a dizer hoje, porque hoje é ilegal) nas mãos dos utilizadores. Não digo que não seja normal ceder a essa tentação, tal como é normal ceder à tentação de pegar um jornal na banca não vigiada onde se deveria colocar uma moeda. No entanto, a oficialização da livre partilha leva apenas a uma coisa – à centralização da cultura num regime totalitário em que criadores que não se revêm no modelo nada podem fazer excepto deixar de criar.
Ou seja, quem advoga a partilha livre está a exigir para si próprio a manutenção das manifestações artísticas que alinham com o movimento excluindo as outras. Foi o que Stalin fez, quer queiram, quer não.
Pode estar mais na moda falar-se de iluminismo e/ou Proudhon mas, se pensarmos bem, qualquer dos manifestos é muito mais anti-Trotsky e pró-Stalin. Livre o que que controlamos, fim do que não controlamos.
Gostaria de evitar retomar aqui as discussões que tivemos no Twitter mas é preciso ver que comunismo não tem nada a ver com socialismo ou mesmo com P2P. Aconselharia antes de mais todos os participantes nesta discussão a ler o texto A Economia Política da Produção entre Pares. Apesar de começar com uma referência a Marx, pode-se facilmente constatar que o P2P é um sistema económico completamente diferente dos conceitos tradicionais como capitalismo, comunismo ou socialismo.
De acordo com a tua lógica, mais vale manter o sistema actual centralizado em monopólios protegidos por lei que apenas beneficiam grandes conglomerados multimédia. Mais uma vez, seria bom que as pessoas aceitassem a realidade que é esta: a Internet é uma máquina de copiar que permite a abundância e o acesso generalizado à cultura e ao conhecimento.
Tentar colocar de novo o génio na garrafa é meio caminho andado para o pior dos totalitarismos e das ditaduras. Por último, o P2P tem a ver com a liberdade e não com o controlo centralizado por um comité central. Visto desta forma, o sistema convencional de copyright tem bastante semelhanças com o aparelho estatal de produção da antiga União Soviética, na medida em que em ambos é implícita a autorização de uma entida superior: num caso trata-se do direito a publicar concedido por uma editora ou um livreiro, noutro trata-se do direito a ganhar o seu salário em troca da alocação da sua força de trabalho para uma actividade especificada pelo aparelho estatal. Convém nesse sentido reler o que eu escrevi aqui:
Agora, por favor, será pedir muito deixar o foclore, os clichés e a tralha do comunismo no armário? É que esse "Papão" já enjoa! Estamos no século XXI e ainda continuamos a utilizar o mesmo vocabulário do século XIX! O que está aqui em causa é uma questão de altruísmo e generosidade versus egoísmo e ganância. Isto serve tanto para os partilhadores como para os criadores. Tudo o resto é acessório e até mesmo contra-producente nesta esta discussão.
OK Miguel, aceito a resposta reticentemente com um "o tempo dirá".
Deixo apenas a pergunta no ar: qual o modelo de subsistência dos criadores que restará no modelo da máquina de copiar e, independentemente disso, quem decidiu em nome destes que deveriam compactuar com a tal nova ordem das coisas? Não me digas coisas como edições especiais cheias de fotos e em embalagens bonitas – até porque é uma questão de tempo até que mesmo isso possa ser duplicado sem perda de qualidade (quem diria que seria possível fazer cópias exactas de CDs em 1984?).
E também sem me repetir, uma outra ideia: o que fazer quando as corporações que dizes hoje em dia serem os grandes beneficiários se fartarem de não receber o que recebem hoje em dia e te apanharem por outro lado: por exemplo, sendo os conteúdos grátis, posso utilizar o modelo Apple e vender hardware caro com um sistema operativo barato. O que fazer quando decidirem que os discos rígidos passam de 50 para 200 euros? Ou que a ligação de banda larga passa a ser novamente taxada por consumo?
Nenhuma destas questões levanta os velhos chavões que não gostas mas, a minha opinião é que estamos a caminhar muito mais rapidamente para o século XIX (ou anterior, mais próximo da revolução industrial) do que para o século XXI.
Eu acho que os artistas que acreditaram que eram diferentes dos cozinheiros, dos professores ou canalizadores apenas porque eram artistas viveram até agora basicamente enfeitiçados pelo sistema do espectáculo, da fama e do sucesso. Na verdade, os músicos – tal como outros artistas – não passam de profissionais como estes que eu referi anteriormente. Durante muito tempo eles tiveram a ilusão de que os consumidores eram obrigados a lhes dar dinheiro apenas porque eram "criadores" e estavam acima do comum dos mortais. Mas não! As coisas não funcionam assim. Não basta colocar o rótulo de "arte" naquilo que produzimos para os idiotas nos atirarem dinheiro e todas as regalias do mundo.
A partir de agora, os músicos que querem ganhar dinheiro com a sua música devem apenas concentrar-se em arranjar encomendas de pessoas interessadas no seu TRABALHO. Tal e qual como acontece com os canalizadores, os professores ou os arquitectos. É claro que para arranjarem encomendas terão que disponibilizar a sua música de borla durante uns tempos, porque senão não irão conseguir fazer com que as suas obras cheguem aos potenciais interessados. Quer isto dizer que a Internet torna impossível cobrar dinheiro pela música que já criámos. Porque aquilo que não pode ser descarregado é apenas as obras que ainda não produzimos.
Foi a pensar nisso que eu lancei o meu modelo Freeemium. Como é óbvio, tenho que reconhecer que a experiência não tem corrido da melhor forma. Mas creio que isto se deve unicamente à especificidade do mercado publicitário e de conteúdos online em Portugal e ao fraco nível de literacia digital da sociedade portuguesa, bem como é claro ao actual clima de recessão económica. Mas isto não fez com que eu começasse de um momento para o outro a acusar tudo e mais alguém de roubo. Pelo contrário, compreendi que o mercado nacional é demasiado restrito e tive a ideia de apostar na venda dos meus serviços em inglês.
Independentemente do meu eventual fracasso, isso não implica que a venda de conteúdos ainda não produzidos seja impossível. Sites como o Sellaband, Slicethepie ou BandStocks provam-no. Uma coisa é certa: os artistas não podem continuar a colocar-se num pedestal acima de todos os outros. Se o seu trabalho não tiver saída, o melhor que eles têm a fazer é continuar a ser músicos amadores, a tocar como um hobby aos domingos com os amigos. Agora, não venham é culpar os outros pela sua falta de talento, incapacidade de se promover a si próprio ou pura e simplesmente azar.
Como te disse, voltamos ao século XIX e ao modelo do trovador.
Não te estarás a iludir com um factor que é o da independência? É que o que eu vejo nas tuas palavras é uma excelente oportunidade para usar a arte como propaganda. Termina então a competição dos amadores que não saem da garagem até ao momento em que eu decidir vender qualquer coisa (por exemplo, ideais racistas). Aí, facilmente tenho o amador a trocar a sua não-arte pelo palco da assembleia do KKK.
Sellaband, Slicethepie e BandStocks são exactamente o mesmo modelo que anteriormente. Em vez de se levantarem e irem ao concerto ou comprarem o disco, fazem-no a partir da poltrona. É que o modelo actual pode não ter uma distribuição democrática mas, ao menos tem a independência de quem cria os trabalhos.
Fico mesmo por aqui. Veremos no que isto dá.
Boas,
sendo um dos responsaveis pelo PPP agradeço ao Miguel Caetano por ter publicado as nossas respostas e dando nos assim mais visibilidade. Quanto as criticas sem duvida são uma falha nossa e estamos neste momento a tentar corrigir
.
Ass: Andrer757
A Grande Irmã está á espreita!
Mad Dogg
Mais uns a quererem o tacho …
Se forem bombistas suicidas ainda vos dou o meu voto para irem para a assembleia da república fazerem algo de utíl pelo país e limparem a escumalha que nos infesta …
Deputado alemão envolvido em escândalo com pornografia defende downloads,abandonou o Partido Social-Democrata (SPD) e se afiliou ao Partido Pirata, que defende downloads livres na internet.
http://canoinhasonline.blogspot.com/2009/06/deput…
Grande Partido Pirata.
Principalmente de pornografia caseira. Se uns palermas querem música, isso é lá com eles.
…. mas eu comprei um cd de musica!e faço o que EU quiser com ele!
NÃO!!! TENS que…NÃO PODES….VAIS SER… mas eu não lucro nada… XIUUUU
mas também não nos pagas nada!
é penoso de assistir a esta estupidez, com outros assuntos mais alarmantes na gaveta….
maldita CEE(UE)…estas uniões globais vão acabar com a independência e liberdade das pessoas…
Ninguém obriga nada a ninguém. Assim como ninguém aponta uma arma à cabeça das raparigas que se prostituem pelo dinheiro em bordéis ou aos criminosos que praticam carjacking, também ninguém irá apontar uma arma à cabeça do músico que decide vender o seu trabalho a uma entidade com ideologias xenófobas, sexistas ou homofóbicas. Independentemente das condições económicas e do meio social em que cada um se insere, cada um tem sempre o livre-arbítrio de fazer as suas próprias escolhas.
Isso implica estabelecer princípios éticos em relação à nossa atitude para com os outros e face à nossa própria consciência. Quero isto dizer que só nos vendemos a quem queremos – sempre. E está nas nossas mãos decidir isso. Não compete a ninguém fazer em nosso nome as escolhas que decidem o nosso destino. Mas isso pressupõe inevitavelmente arcar com todas as consequências que os nossos comportamentos provocarem aos outros e ao conjunto da sociedade, representada no conjunto abstracto chamado Estado. Afirmar o contrário é passar um atestado de burrice ou inimputabilidade a nós próprios.
Ninguém aponta uma arma à cabeça das raparigas que se prostituem pelo dinheiro em bordéis???
Tens que ler mais jornais sérios.
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