Não obstante todas as ameaças de respostas graduais por parte de governos nacionais pressionados por sociedades de gestão colectiva de direitos de autor e editoras discográficas, o grau de desenvolvimento e inovação na comunidade de programadores de P2P continua imparável. E numa altura que a questão da vigilância, do controlo e da monitorização das ligações de banda larga, todas as atenções se viram para as soluções capazes de contornar essas tecnologias de controlo. O BitBlinder é a mais recente novidade nesta área.
Trata-se de um cliente de BitTorrent de código-fonte aberto baseado no BitTornado que faz passar as nossas transferências por uma série de vários nós de modo a ocultar o endereço IP original. Neste sentido, assemelha-se ao TOR, uma rede anónima com uma arquitectura semelhante a uma casca de cebola. Aliás, o próprio BitBlinder utiliza parte da tecnologia da TOR. No entanto, os seus criadores optaram por desenvolver uma rede totalmente autónoma.
Conforme Josh Albrecht, um dos programadores por detrás deste projecto, ao TorrentFreak, eles optaram por esta solução por considerarem que a rede TOR é demasiado lenta face às velocidades “estonteantes” a que os partilhadores estão habituados via BitTorrent. Para além disso, ela não foi de facto concebida para suportar protocolos de rede que devoram largura de banda como o BitTorrent mas sim para que activistas residentes em ditaduras como a China ou mesmo o Irão possam combater a censura e partilhar livremente informação confidencial que, caso fosse interceptada, poderia colocar a sua vida em risco.
Ao contrário da TOR, que não exige que disponibilizemos a nossa ligação aos outros utilizadores, o BitBlinder adoptou um esquema de incentivos em que aqueles que disponibilizam largura de banda aos restantes utilizadores acabam por ser recompensados com ligações mais rápidas. Dito de outro modo, o nosso computador passa a funcionar como um nó da rede.
Este esquema de benefícios baseia-se num sistema de micropagamentos virtuais ou dinheiro online semelhante ao rácio de partilha aplicado pelos trackers privados de BitTorrent em que para descarregar um X número de Gigabytes o utilizador é obrigado a disponibilizar pelo menos boa parte dessa quantidade de dados. No caso do BitBlinder, cada conta vem pré-carregada com 2 GB de créditos grátis. Quem quiser utilizar gratuitamente o serviço, é obrigado a fornecer largura de banda suficiente para o sistema de proxies distribuídos da aplicação. Em alternativa, é também possível comprar créditos de uploads. O atractivo deste sistema é que a monitorização do rácio entre downloads e uploads é feita anonimamente.
Neste momento, o BitBlinder ainda se encontra em modo Beta. Quem quiser, pode descarregar uma versão para o Windows que se encontra sob a forma de um ficheiro executável de 17 MB. Existe também um pacote .DEB para as distribuições Linux Debian e Ubuntu. Contudo, eu não consegui instalá-la no Ubuntu Jaunty por um problema de dependências. O programa exige uma versão do Python anterior à 2.6 mas a que eu tenho instalada é a 2.6.2. Dentro em breve, deverá estar também disponível uma versão para Mac.
Uma vantagem da versão para Windows é que ela inclui um navegador anónimo baseado no Firefox. Contudo, este browser não é compatível com Flash. Isto porque se trata de um formato proprietário de código-fonte fechado, pelo que é impossível ter a certeza de que todos os dados serão enviados por intermédio dos outros utilizadores e não directamente. É por essa razão que a rede do BitBlinder também não funciona com o uTorrent ou o Internet Explorer. De futuro, a aplicação deverá também incorporar técnicas que permitirão contornar filtros impostos a determinados sites da Web.
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