Trent Reznor é um dos músicos que mais tem tirado partido das novas tecnologias para facilitar modelos de negócio inovadores. É por isso natural que ele tenha recentemente recebido um WebbY Award de Artista do Ano. Há cerca de um mês o frontman dos Nine Inch Nails lançou uma aplicação para o iPhone totalmente grátis mas bastante completa que permite aos fãs da banda acederem a uma panóplia de conteúdos audiovisuais sobre os NIN via streaming.
Só que esta aplicação – denominada NIN: access – contem uma falha que fazia com que a aplicação fosse abaixo para todos os utilizadores não residentes nos Estados Unidos. Uma vez detectado e resolvido o bug, em menos de 24 horas o programador dos NIN enviou a versão 1.0.3 para a Apple.
Contudo, a marca da maçã resolveu rejeitar a sua disponibilização via App Store do iTunes. Motivo: a aplicação integra um podcast que permite ouvir via streaming a música “The Downward Spiral”, onde se pode escutar várias vezes a palavra “fucking.”
Embora a música possa ser descarregada em formato digital na loja do iTunes, o contrato que todos os programadores independentes necessitam de assinar com a Apple de modo a poderem utilizar o kit de desenvolvimento de software para o iPhone proíbe todas as aplicações com conteúdos obscenos, pornográficos, ofensivos e difamatórios.
Mas ao contrário de vários outros programadores que viram as as suas aplicações rejeitadas pela Apple, Trent Reznor não se deixou ficar por aqui e utilizou os fóruns dos NIN para protestar veemente contra a empresa através de um post inundado de asneiras.
Nesse artigo, Reznor explica que a banda já passou pela experiência de ser alvo da censura de uma grande empresa, neste caso pela gigante norte-americana de superfícies comerciais Wal-Mart, que na altura era a maior retalhista de música nos EUA. Em meados dos anos 90, enquanto que bandas como os Nirvana optavam por se auto-censurar no intuito de verem os seus discos à venda nos armazéns da Wal-Mart, os NIN recusaram-se sempre a mutilar a sua expressão artística.
Embora esclareça que admira bastante os produtos da Apple e que considera o iPhone o melhor smartphone do mercado, Reznor deixa no ar a ameaça de disponibilizar a aplicação aos serviços de distribuição alternativos que permitem contornar o recurso à App Store do iTunes.
Este caso demonstra de uma forma flagrante os perigos da adesão crescente dos consumidores a plataformas móveis que tem vindo a ser fomentada pelas indústrias de entretenimento. Convém não esquecer que o iPhone funciona como um ecossistema fechado que pode ser facilmente controlado quer pela Apple, quer pelos seus parceiros. É muito bonito e prático ter o acesso imediato e em qualquer lado a uma série de conteúdos. Mas seria um enorme passo atrás se a Apple ou qualquer outra empresa nos impedisse de aceder a todos os conteúdos que podem ser disponibilizado via Web. Porque afinal de contas, um telemóvel também é um computador.
Actualização (20h30m): através do Engadget, fiquei a saber que o próprio Trent Reznor anunciou via Twitter que a actualização da aplicação dos Nine Inch Nails foi finalmente aprovada pela Apple e que deverá estar disponível dentro de algumas horas. Segundo ele, este update corrige todos os problemas que os utilizadores internacionais estavam a sentir.
(foto de Mikey aka DaSkinnyBlackMan in Iraq segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)

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Já está disponível.
#musicaos Trent Reznor enfurecido por a Apple ter bloqueado aplicação dos NIN para o iPhone
http://buzzup.com/1f8r
O Trent nunca desiste..lol