O mundo da música online é feito de jogadas estranhas capazes de baralhar qualquer um. O Project Playlist é um site de partilha de playlists que se encontra actualmente a enfrentar um processo instaurado pela Warner Music Group e pela Universal Music Group. Agora, a empresa responsável pelo Playlist.com resolveu adquirir aquilo que resta do serviço de streaming de música TotalMusic, ou seja, activos e os funcionários.
Este tipo de fusões e aquisições são perfeitamente normais no mundo de Silicon Valley. Mas neste caso em especial, não deixa de ser curioso que a companhia responsável pelo TotalMusic tenha sido uma joint-venture criada em conjunto pela Sony Music Entertainment e pela Universal Music Group, a mesma UMG que se encontra neste momento ainda envolvida num litígio judicial com o Project Playlist e que fez com que a aplicação do serviço fosse removida pelas redes sociais MySpace e Facebook.
O anúncio surge alguns meses depois do encerramento da empresa responsável pelo TotalMusic em Fevereiro passado. Meses antes. a companhia tinha decidido adquirir o Ruckus, um serviço de subscrição de música destinado aos estudantes universitários norte-americanos. Tendo em conta que esta oferta usava DRM em todas as músicas e que era totalmente incompatível como um iPod ou um iPhone, não admira que os estudantes não tenham aderido lá muito ao modelo.
Embora o post no blog do Project Playlist não adiante muitos dados, o mais provável é que a empresa esteja interessada em usar a infra-estrutura tecnológica do TotalMusic para lançar o seu próprio serviço de streaming de música, em particular o seu conjunto de APIs. Actualmente, a empresa limita-se a recorrer outras fontes de música grátis disponíveis online.
Foi em grande parte devido a isso que as grandes editoras instauraram um processo contra o Playlist. Depois da Sony ter chegado a acordo com a empresa em Dezembro do ano passado, no final de Março foi a vez da EMI.
Juntamente com esta aquisição, o Playlist anunciou ainda a assinatura de um acordo de licenciamento com a Sony/ATV Music Publishing e a EMI Music Publishing. A julgar por estes acordos e pela aquisição do TotalMusic, o mais provável é que dentro em breve tanto Warner Music como Universal Music acabem por dar o braço a torcer. Mas e depois? Se as situações anteriores servirem de precedente, tudo indica que as majors irão exigir quantias exorbitantes em royalties. Isso foi o que aconteceu com o Imeem que agora – por coincidência ou não… – se encontra em apuros financeiros. Será este o mesmo destino que o Project Playlist?
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