
Os tempos estão a mudar, a publicidade já não rende tanto dinheiro como isso, o investimento em capital de risco em startups com um modelo de negócio assente nos anúncios escasseia e é portanto natural que as grandes editoras discográficas se vejam forçadas a deixar de lado as luvas de boxe nas suas relações comerciais com os serviços de música online e a moderar as suas expectativas de receitas fabulosas.
As coisas começaram quando empresas surgidas do nada decidiram criar sites que permitiam que qualquer um fizesse o upload de ficheiros de música protegida por direitos de autor (Imeem) ou então que ajudavam o utilizador a encontrar e a escutar temas alojados noutros sites (é o caso do extinto Seeqpod e do Project Playlist). É claro que isso suscitou a ira das majors que não perderam tempo a processá-los.
Seguiu-se então a fase do pagamento de indemnizações exorbitantes, bem como da fixação de taxas de licenciamento não menos avultadas. Quer dizer, os montantes que os serviços tinham que pagar por cada reprodução de uma música pareciam insignificantes mas quando multiplicados pelo total de utilizadores, a conta a pagar era equivalente a um número com vários zeros no final. E quanto mais visitantes um site tiver, maior será a quantia a desembolsar às editoras.
Mas em pleno 2009, este cenário constitui um beco sem saída. O Imeem que o diga. Mesmo assim, nas últimas semanas os responsáveis pelo serviço de partilha de playlists puderam obter um certo alívio. Primeiro foi a notícia de que o site conseguira receber alguns milhões de dólares em financiamento. Depois, a Warner Music Group anulou a sua dívida. Agora surgiu uma notícia no New York Times segundo a qual tanto a WMG como a Universal Music Group reviram em baixa as tarifas de licenciamento aplicadas ao Imeem no intuito de manter o serviço em funcionamento.
O jornal refere ainda que as duas editoras concordaram em estabelecer novos acordos com a Napster que permitiram que a empresa lançasse a sua nova subscrição de streaming ilimitado no valor de cinco euros ao mês. Se até há pouco tempo, as majors teriam certamente optado por deixar morrer estes serviços, agora que os tempos mudaram e que o número de startups novas no mundo da música online começa a rarear elas optaram por salvá-los.
Este tipo de raciocínio não se presta a qualquer lógica altruísta; trata-se simplesmente de um mecanismo de auto-defesa: é que se os serviços legais de música online falharem, o mais provável é que os internautas voltem de novo a utilizar em massa as alternativas ilegais como sites de torrents ou serviços de streaming não licenciados. E mais vale ganhar pouco dinheiro com os sites que ainda existem do que não lucrar nada.
Mas será que estes gestos de boa vontade serão suficientes para salvar o Imeem? O PaidContent traça um cenário negro a respeito das perspectivas a médio prazo do site. Algumas fontes indicam que a empresa será incapaz de dar lucro antes do dinheiro da mais recente recolha de fundos acabar, o que deverá acontecer antes do final do ano. Por outro lado, as tendências actuais indicam que o mercado publicitário apenas deverá voltar a crescer significativamente a partir de 2010. Neste momento, quem está com a corda na garganta é o Imeem. Mas quem nos diz que daqui a dois anos o actualmente tão na berra Spotify não estará na mesma posição? Talvez por essa altura as majors já terão decidido autorizar a legalização da partilha de ficheiros.
(foto de magerleagues segundo licença CC-BY-SA 2.0)
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{ 4 comments }
Marcos: Conclusão – tudo está bem quando acaba bem
A legalização é o caminho.
Os tempos estão a mudar: Majors dão ajuda ao Imeem e ao Napster http://tr.im/n6AE
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