iPhone: Apple não aceita aplicação que faz uso de BitTorrent

by Miguel Caetano on 12 de Maio de 2009

Uma das vantagens do telemóvel da Apple são as capacidades da sua plataforma móvel. Assim se explicação a profusão de inúmeras aplicações grátis e pagas desenvolvidas por programadores independentes. E não haja dúvida, neste campo o iPhone é o dispositivo móvel que se encontra actualmente melhor posicionado.

Mas se ideia de computação na nuvem, de acesso imediato à informação através de apps que nos empurram informação, é bastante aliciante, a verdade é que a política de rejeições da App Store da Apple deixa muito a desejar. Depois de ter chumbado a actualização da aplicação NIN: Access dos Nine Inch Nails por considerar que incluía conteúdos ofensivos – a empresa acabou, em boa hora, por reconsiderar – , agora a marca da maçã está a braços com um novo escândalo. 

Desta feita, refere-se à aplicação Drivetrain desenvolvida por Maza Digital que permite controlar à distância o cliente de BitTorrent Transmission para Linux e Mac. Depois de ter enviado um email ao programador informando-o que o processo de avaliação iria demorar mais do que o inicialmente esperado, a Apple acabou por rejeitar a inclusão da aplicação na App Store, justificando que “este tipo de aplicações é frequentemente usado para infringir os direitos de terceiros.”

Segundo Maza, tratou-se de uma decisão ridícula uma vez que não só nem os clientes de BitTorrent nem o protocolo de P2P são em si próprios ilegais como também a Drivetrain não descarrega quaisquer dados, pois limita-se a fornecer um interface Web para administrar o Transmission à distância. Todos os downloads e uploads são efectuados a partir do computador pessoal em que o software de desktop se encontra instaldado.

É claro que a ideia de impedir que uma aplicação de BitTorrent seja disponibilizada oficialmente na App Store do iTunes faz ainda menos sentido se compararmos o iPhone com o contexto de um computador pessoal. Aceitariam que uma empresa fabricante de um sistema operativo vos impedisse de instalar uma aplicação de BitTorrent?

Infelizmente, situações como estas começam a tornar-se frequentes no que diz respeito ao telemóvel da Apple. Mas se a tendência é para que os smartphones se aproximem cada vez mais dos netbooks, como é que poderemos confiar nestes dispositivos se ninguém nos garante que num futuro próximo iremos usufruir das mesmas funcionalidades que um computador?

A juntar a isto tudo, existem fortes suspeitas para desconfiar do envolvimento ou das grandes editoras discográficas – que poderão ter exigido medidas deste tipo como contrapartida para a comercialização de música sem DRM a partir da loja móvel do iTunes – ou das operadoras de telecomunicações como a norte-americana AT&T.

Não deixa contudo de ser estranho o facto da Apple ter autorizado a disponibilização na App Store do iTunes da Trakr, um leitor de feeds de RSS que também permite controlar remotamente tanto o  Transmission como o uTorrent para Windows. Se calhar a grande fiferença está no facto da Drivetrain ser grátis e da Trakr custar  2,99 dólares.

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