Despedido por criticar lei da resposta gradual contra os partilhadores

by Miguel Caetano on 8 de Maio de 2009

Aparentemente nem nos media detidos por grupos privados os  funcionários têm a liberdade de exprimir opiniões políticas. É o caso que resultou no despedimento de Jérôme Bourreau-Guggenheim, um francês de 31 anos responsável pelo pólo de inovação Web da TF1, a maior estação de televisão privada francesa.

Bourreau foi já considerado o primeiro mártir da Hadopi” por ter enviado um email ao seu deputado a criticar o projecto de lei “Criação e Internet” actualmente em discussão na Assembleia nacional de França que prevê a criação daquela alta-autoridade administrativa. Esta HADOPI é a entidade que nos termos da nova legislação será encarregada de administrar as notificações e as suspensões do acesso à Internet – que podem ir de um mês a um ano – contra os utilizadores que forem apanhados três vezes a descarregar conteúdos protegidos por direitos de autor.

Segundo o Écrans, a 19 de Fevereiro deste ano, o nosso herói escreveu a Françoise de Panafieu, um deputado da União por um Movimento Popular (UMP – o partido do governo de Nicolas Sarkozy) a partir do seu endereço de email pessoal no Gmail Na mensagem, explicava porque é que enquanto profissional da Web considerava que o projecto de lei era prejudicial, solicitando-lhe que o rejeitasse.

No início de Março, ele foi chamado pelo presidente da divisão online da TF1 Arnaud Bosom, que lhe leu integralmente a carta. Bosom, explicou que a mensagem tinha sido redireccionada para o conselheiro legal do canal televisivo Jean-Michel Counillon, da parte do Ministério da Cultura, uma pasta que é ocupada por Christine Albanel, a maior responsável pelo projecto de lei.

A 16 de Abril, Bourreau foi despedido por exprimir uma “forte divergência com a estratégia da TF1.” Na carta de despedimento, a direcção do canal de televisão explica que a mensagem de email foi enviada pelo gabinete de Panafieu para o gabinete do Ministério da Cultura que por sua vez o reencaminhou no mesmo dia para a TF1: “Consideramos esta atitude como um acto de oposição à estratégia do grupo TF1 [para o qual] a adopção deste projecto de lei é uma grande prioridade,” pode-se ler na carta.

Bourreau já decidiu contratar um advogado para contestar este despedimento alegando que se trata de uma discriminação resultante das suas opiniões políticas. Esta situação seria bastante estranha não fosse o facto da TF1 ser detida pelo empresário Martin Bouygues, não por acaso um amigo próximo do presidente Nicolas Sarkozy. Para além disso, a própria TF1 tem fortes interesses no negócio da venda de DVDs.

Segundo Alan Toner do kNOw Future Inc., a emissora emitiu um comunicado onde afirmou que Bourreau foi despedido pelas suas “posições bastante radicais repetidamente expressas em público” contra a resposta gradual. Essas posições “são contrárias às declarações oficiais do Grupo TF1, conhecido por ser favorável à lei” e “incompatíveis com as suas responsabilidades no seio da e-TF1, uma subsidiária do grupo que é também responsável por operações de combate à pirataria na Internet.”

Mas a verdade é que a fonte dessas opiniões consistiu num email enviado através de uma conta privada, tendo apenas sido tornadas públicas pelo deputado, o que levou posteriormente ao despedimento de Bourreau.

Por seu lado, os assessores da ministra Albanel limitaram-se a afirmar ao Le Point que estavam bastante chocados e alarmados com o sucedido, tendo mesmo considerado a reacção do TF1 um grande exagero. Também a assessora parlamentar de Panafieu disse apenas que transmitiu o email ao Ministério porque achou tratar-se de um argumento interessante. Para adensar ainda mais a farsa, Christine Albanel divulgou um comunicado onde garante que “nunca contactou directamente a direcção da TF1 para se imiscuir na política de gestão do pessoal da estação.”

Contem-nos histórias, contem… Afinal de contas, perguntam Jean-Marie e Camille em “Quem é que matou Bourreau-Guggenheim?, “Quem foi o responsável e porquê tanto ódio?” Podem ler a letra desta versão muito peculiar de Who Killed Davey Moore?, o clássico de Bob Dylan, aqui. “Não fui eu disse a senhora Albanel”, “Não fui eu, disse a TF1.”

Actualização: O Electron Libre refere que o responsável pela fuga do email enviado por Bourreau ao seu deputado que foi parar à direcção da TF1 foi Christophe Tardieu, director adjunto do gabinete da ministra da Cultura Christine Albanel. Ao que parece, Tardieu já apresentou a sua demissão.

(foto de Richard Ying segundo licença CC-BY-NC 2.0)

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{ 3 comments }

1 Sua fonte de música! 8 de Maio de 2009 às 20:56

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2 Sua fonte de música! 8 de Maio de 2009 às 22:56

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3 Integra Minas 9 de Maio de 2009 às 4:59

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