Vendas de música continuam a descer praticamente em todo o mundo

by Miguel Caetano on 22 de Abril de 2009

Se os números mais recentes da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) sobre as vendas globais de música durante o ano de 2008 divulgados pela Reuters trazem alguma boa notícia é que o ritmo da quebra das vendas parece ter estagnado. Em Junho do ano passado, referi aqui que a descida registada em 2007 tinha sido de oito por cento, tendo o valor das receitas de situado nos 19,40 mil milhões de dólares (14,92 mil milhões de euros). Essa percentagem é praticamente igual aos 8,3 por cento registados em 2008, o que corresponde a um total de 18,42 milhões de dólares (14,16 mil milhões de euros).

A história é a mesma de sempre: apesar das vendas digitais terem crescido 24,1 por cento para os 3,78 mil milhões de dólares (2,90 mil milhões de euros) e de as receitas derivadas dos direitos de licenciamento para rádio e televisão terem crescido 16,2 por cento, isso não foi suficiente para compensar a descida das vendas físicas em 15,4 por cento, o que correspondeu a um total de 10,63 mil milhões de euros.

A região do mundo onde as vendas de música caíram mais foram os Estados Unidos (-19%) – em grande parte devido a uma quebra dos formatos físicos de quase um terço -, seguido pela Europa (-6,3%) e América Latina (-4,7%). Apenas a Ásia registou uma subida. Mas mesmo aqui este aumento foi de apenas um por cento. Esta foi também a única região onde as vendas digitais conseguiram compensar a descida dos CDs

Tendo em conta a actual recessão económica, é quase um milagre que as vendas globais de música não tenham sido ainda piores. Era natural que assim fosse. Afinal de contas, as editoras discográficas deixaram de vender um produto escasso em resultado do controlo da plataforma de distribuição para passar a vender artigos abundantes que podem ser facilmente copiados. O monopólio evaporou-se e já não é possível recuperá-lo. Por mais que tentem fechar o acesso à Internet de quem tem acesso aos artigos que comercializam sem passarem pelos vossos pontos de controlo.

(foto de CaseyMRM segundo licença CC-BY-SA 2.0)

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  1. IFPI confirma descida do mercado discográfico global

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1 remixtures 23 de Abril de 2009 às 1:34

POST: Vendas de música continuam a descer praticamente em todo o mundo http://tinyurl.com/cam2ot

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2 Astromac 23 de Abril de 2009 às 3:44

Estas notícias das editoras são enganadoras. O que eles entendem por vendas não representa de modo algum "unidades vendidas", mas sim lucro das vendas. Na realidade, o número de unidades vendidas aumentou. O que diminuiu foi o lucro por cada venda. Isto porque nos suportes digitais a margem de lucro é muito menor. Eles queixam-se, mas já era tempo de se acabar com este modelo de negócio arcaico.

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3 Gerson 23 de Abril de 2009 às 3:50

Queria eu ter ser dono de um mercado de quase 3 bilhões de euros só em vendas legais pela internet… não preciso nem contabilizar o licenciamento… já estaria de bom tamanho para ajudar uma boa parte do mundo a sair da linha da pobreza… quando os legisladores e a própria população vai se dar conta de que estão sendo enganados por essa indústria bilionária? Tadinha dessa indústria, estão tão pobrinhos que me faz sentir até culpado pelas suas perdas… :-D

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4 Ricardo S. 23 de Abril de 2009 às 11:46

Há que olhar para estes números em 2 perspectivas: as vendas físicas e as receitas das vendas. Porque podemos até ter menos unidades vendidas e aumento de receita.
Mas há aqui uma outra coisa que falas ao de leve mas que ainda não está presente no discurso daqueles que vão reflectindo sobre esta matéria: tal como em tantos outros sectores estão a redimensionar-se para a nova realidade, especialmente com a forte crise económico-financeira, a indústria fonográfica luta desesperadamente para manter o nível de negócio do passado. A questão, mais uma vez, tem muito a ver com as lógicas de cultura organizacional e a incapacidade de perceber que as margens do passado não são mais possíveis e que o bem estar material obtido por muitos profissionais do sector terá igualmente que ser redimensionado. E mais, o processo de tomada de decisão terá que ser revisto. Se no passado para se ter um sucesso eram preciso 99 insucessos (investimentos), essa lógica tem que ser alterada e reduzir a margem de erro de forma significativa. Os sistemas informacionais das organizações capitalistas de entretenimento têm que ser algo, igualmente, de uma revisão.

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5 Miguel Caetano 23 de Abril de 2009 às 11:58

E mais, o processo de tomada de decisão terá que ser revisto. Se no passado para se ter um sucesso eram preciso 99 insucessos (investimentos), essa lógica tem que ser alterada e reduzir a margem de erro de forma significativa. Os sistemas informacionais das organizações capitalistas de entretenimento têm que ser algo, igualmente, de uma revisão.

Pois, é por isso é que acho que o modelo de financiamento pelos fãs do Sellaband e do SlicethePie fazem tanto sentido. Porque o risco do investimento passa a estar do lado dos fãs e não da editora que apenas se limita a disponibilizar a plataforma, recebendo em troca uma percentagem sobre as vendas.

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