O senhor Paulo Santos está com certeza alucinado. Este responsável pelo Movimento Cívico contra a Pirataria na Internet (MAPINET) usou a antena da estação de televisão TVI24 para fazer alegações absurdas como a de que a pirataria na Internet é usada por grupos terroristas e gangues de crime organizado. É claro que o que ele diz não faz absolutamente qualquer sentido e o Ludwig Krippahl já notou isso mesmo no Que Treta.
A conversa do MAPINET já não é propriamente nova. Em Novembro do ano passado conseguiram gerar alguma repercussão na comunicação social portuguesa nas vésperas da votação da emenda anti-resposta gradual do Pacote Telecom pelo conselho de ministros das telecomunicações da União Europeia. Infelizmente, o governo francês acabou por propor à votação dos ministros uma versão do documento em que a dita emenda já não constava. Mas isso não valeu de grande coisa porque a emenda acaba de ser reintroduzida.
O que me faz mais espécie nesta reportagem televisiva (podem ver o vídeo aqui) é que um canal de televisão possa dar a palavra a alguém para disseminar aquilo que pura e simplesmente só pode ser chamado de propaganda e desinformação sem sequer se dar ao cuidado de fazer o contraditório. Já sabíamos que na televisão o dinheiro manda sempre mais pelo que se torna bastante fácil para quem o tem usar as ondas electromagnéticas para disseminar mentiras. Onde fica o “sacro-santo” jornalismo no meio disso tudo? Talvez na sarjeta. É que se isto é o que os jornalistas chamam de jornalismo eu tenho nojo dele.
Já na altura em que foi criado que o MAPINET se quis passar como um movimento de “cidadãos” voluntários, como se os seus associados não tivessem qualquer interesse no assunto. Não foi no entanto muito difícil descobrir que isso não passava de uma grande mentira na medida em que se trata de uma entidade de lobbying criada pelos videoclubes nacionais e outros detentores de direitos.
Nesta entrevista, o senhor Paulo Santos tem a arrogância de falar em ética, cidadania e valores, bem como na necessidade do respeito da propriedade de terceiros e repete mais uma vez a cassete de que a partilha de ficheiros constitui uma violação da propriedade intelectual:
Não aceitamos que a propriedade intelectual não seja respeitada como são respeitadas as nossas casas, os nossos automóveis, os nossos filhos (…) Estamos a falar de propriedade privada que tem dono e que não pode ser “roubada”, retirada sem a autorização dos respectivos titulares.
Lamento desapontá-lo, senhor Paulo Santos, mas este argumento de comparar informação e dados a bens tangíveis já está completamente estafado e utilizar a televisão para propagá-lo como se fosse uma verdade absoluta é não só desleal como é estar a fazer a pouco da inteligência daqueles que têm ideias contrárias às suas e que percebem como a Internet funciona.
Posso lhe perguntar onde existe uma tecnologia capaz de reproduzir em massa casas e carros? É que se ela existisse eu sinceramente seria o primeiro a tirar partido dela porque não estaria a roubar nada a ninguém. Mais ainda: até a utilizaria para ajudar os meus concidadãos sem tecto e sem carro, mesmo que isso prejudicasse os interesses particulares da indústria automóvel ou da construção civil. Isto sim é que seria ser fiel a uma ética, neste caso uma ética da partilha, do altruísmo e da generosidade. São esses valores que têm em conta o bem comum da sociedade em geral que deveriam ser ensinados nas escolas e não o respeito pelos direitos e interesses de entidades privadas.
Por outro lado, a tal história das supostas ligações entre a pirataria na Internet e o terrorismo deve ser apenas o resultado de uma confusão na cabeça do senhor Paulo Santos. É verdade que certos políticos e think tanks norte-americanos (financiados por organizadas nada neutrais) têm tentado estabelecer uma relação entre contrafacção de CDs e DVDs e organizações terroristas. Mas isso diz respeito apenas à pirataria física.
Dizer que os downloads ilegais contribuem para o terrorismo porque são usados para fabricar em massa filmes e discos que são vendidos nas feiras é cair no domínio do ridículo porque qualquer pobretanas pode entrar num ciberquiosque, pesquisar um filme no Rapidshare através do Google e gravá-lo para um CD.
Finalmente o senhor Paulo Santos compara a Internet em Portugal à aldeia de Astérix e quer que os Romanos (os titulares de direitos) possam acabar com essa aldeia. Isto já de si diz muito sobre o que é que o senhor Paulo Santos pensa dos direitos e liberdades dos internautas. Mas para seu infortúnio, a Internet não pode ser confinada a uma aldeia. A Internet é uma rede constituída por várias redes espalhadas pelo mundo. Não é um espaço físico passível de ser invadido pela força física. Ela está em todo o lado. E assim continuará por muitos e bons anos. Quer o MAPINET, a AFP, a SPA, a RIAA e a IFPI queiram, quer não. Por isso, o melhor que têm a fazer é adaptarem os seus modelos de negócio e adoptarem a rede como plataforma de distribuição.
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Quero só ver até quando essa galera vai ficar posando de bons mocinhos perseguidores dos piratas bandidos. Que ridículo isso! Que espécie de ética é essa que ignora a liberdade e a partilha?
POST: MAPINET & TVI24: para além de piratas, os partilhadores são terroristas! http://tinyurl.com/cg4l2c
Até pode ser q haja máfias e terroristas a lucrarem com a pirataria, mas isso não se resolve dando a outra máfia (uma MAFIANET) o poder de perseguir os internautas só para protegerem os seus lucros e os seus modelos de negócio moribundos! Mais, acabar com a pirataria na internet apenas atiraria mais pessoas para as feiras, canalizando ainda mais receitas para a pirataria física e portanto para esses supostos “terroristas”. Se estão tão preocupados com isso, deviam era promover a pirataria na internet, onde esta é feita sem fins lucrativos!
Quer dizer então que o senhor Paulo Santos apoiaria os Romanos contra Asterix?
Que péssima metáfora, não?
Parabéns pelo artigo Miguel… assino embaixo de cada palavra sua. Estão banalizando os argumentos para justificar as ações de anti-pirataria. O que fica dificil é a grande maioria dos mortais não conhecer ou sequer ter acesso ao "modus operandi" ou ao real modelo de negócio que alimenta essa indústria, pois sabemos que o que a maioria da população mundial consome vem dessas próprias e dominates fontes de comunicação e entretenimento que distorcem a informação ao seu bel prazer. O que temos que fazer é não parar de divulgar o real interesse que está por trás disso tudo e pararmos de consumir o que vem de lá e dar mais e mais espaço para o livre e o independente…
Estes senhores andam a ver muitos filmes … ele é piratas, ele é asterix …
Uma pessoa/ que MENTE descaradamente desde o início, afirmando encabeçar um movimento cívico que mais não é do que uma fachada para a associação da indústria, que MENTE ao chamar pirataria a algo que nem se passa no alto-mar nem envolve navios nem armas, que se ARROGA o direito de tomar pela força a aldeia que não é sua, para a qual pouco ou nada contribuiu, e que HIPOCRITAMENTE usa e abusa de software livre (para o qual nada contribuiu) sem a mínima preocupação de estar a entrar em contradição com os valores que afirma seus, é sem dúvida uma pessoa que não merece o mínimo de credibilidade. Aliás, eu sei o que merece, mas a decência impede-me de o dizer
Infelizmente, este tipo de palavras faz eco na generalidade das pessoas … e digo faz eco, não sem ironia … faz eco acima de tudo porque, entre as orelhas da maior parte dos meus concidadãos, parece que o que há mais é espaço vazio.
Gauleses, uni-vos … Romanos, ide lá pro Capitólio mamar nas tetas da loba, e que vos faça bom proveito.
No comment…
[youtube 7czWeQ61v7o http://www.youtube.com/watch?v=7czWeQ61v7o youtube]
WTF????
Ainda tou a decidir se isso é sátira ou é verdade …
Então voces nao sabem que o Osama Bin Laden é frequentador assiduo dos torrents? Antes de fazer as torres gemeas irem pelos ares, baixou os 3 albuns do best off da Deolinda!
Pirata do crl!
Mad Dogg
Bem se isto é uma entrevista vou ali e venho já. Parece a gravação de um comicio do Hitler AKA propaganda.
O conteudo é o mesmo, um chorrilho basico e pobre de mentiras, meias verdades e demagogia. É que a MAPINET…perdão, as organizações que dizem representar os autores, nem conseguem inventar mentiras novas. Reciclam o discurso datado em mais de uma decada, dos seus homologos lobbies americanos. Voltamos a bater nas mesmas teclas:
* Copia ilegal e Terrorismo: A copia ilegal com intuito financeiro em Portugal é uma anedota de alguns tostões. É feita como veiculo de subsistencia para algumas pessoas pobres. Não conheco ninguem que tenha ficado rico, ou viva exclusivamente á custa desta actividade. Isto independentemente de uma licenca de autocad custar milhares de Euros. É dinheiro V-I-R-T-U-A-L. Alem disso, que terrorismo estamos a falar? Bombas? Armas? Por acaso conhecem um valor de uma AK-47 no mercado negro, para saberem de quantos CDs seriam necessarios vender para arranjar uma? É que não são propriamente poucos, tendo em conta o valor medio dos CDs/DVDs no mercado negro.
*A morte dos videoclubes. Já o disse antes. Eles morrem com ou sem pirataria. Modelos alternativos de negocio, como o Meo videoclube, ou seja videoclube fornecido pelos proprios ISPs (video on demand), são muito mais eficazes e eficientes, que a lojinha de esquina. É a evolução natural do mercado. Portanto, quem passou os ultimos 20 anos com o cu sentado atras de um balcao, que se levante e vá trabalhar para outro negocio.
Entre outras coisas, mas ja estou cansado de escrever… é dar-vos demasiada importancia, tendo em conta a insignificancia que voces são, pq não representam o "povo" e sim as editoras.
Pá. o meu conselho é que se metam todos num barco e viajem para o golfo de Aden. Ai têm uma oportunidade de conhecer os verdadeiros piratas.