Há algumas semanas refei aqui uma pesquisa da empresa de estudos de mercado NPD Group que fazia um retrato bastante negro do presente e do futuro da indústria discográfica nos Estados Unidos na medida em que indicava que as pessoas estão a comprar cada vez menos CDs e a optar por alternativas legais gratuitas online.
Agora, a companhia acaba de revelar mais pormenores sobre essa pesquisa (via Billboard) baseada numa amostra de quatro mil inquirdos segundo os quais os adolescentes estão não só a comprar menos CDs como também a gastar menos dinheiro com a compra de downloads de música. Contudo, o mais interessante é que a quantidade de downloads efectuados a partir de redes de partilha de ficheiros também diminuiu. Os grandes vencedores, em contrapartida, foram os sites de streaming gratuito de música.
Em termos concretos, o número dos que adquiriram CDs no ano passado desceu 26 por cento, ao passo que o número dos que compraram downloads através do iTunes ou de outras lojas de música online desceu 13 por cento em comparação com o ano anterior. Ao mesmo tempo, os downloads via P2P desceram seis por cento. Os serviços de rádio online subiram de 34 por cento em 2007 para 52 por cento em 2008. O hábito de escutar ou descarregar faixas a partir de redes sociais também subiu de 26 por cento em 2007 para 46 por cento em 2008.
Uma fonte adicional de música grátis (embora ilegal) que a NPD Group não refere são os serviços de alojamento de ficheiros como o Rapidshare. Este tipo de sites foi, aliás, referido pela empresa de soluções de tráfego de rede Ipoque como uma das principais causas para o declínio do tráfego do P2P em todo o mundo.
No entanto, convém notar que 24 por cento dos inquridos justificaram ter reduzido o número de downloads adquiridos em lojas online alegando uma redução das despesas em entretenimento. Este efeito de canibalização que o streaming de música está a provocar nos Estados Unidos bem como no Reino Unido é facilmente explicável se tivermos em conta que os fãs de música residentes nesses países podem ter acesso a uma vastíssima biblioteca online de faixas disponibilizadas quer pela Last.fm, quer pelo MySpace Music – apenas nos EUA -, quer pelo Spotify – no caso do Reino Unido. Segundo o mesmo estudo do NPD Group, apenas um por cento dos adolescentes que escutaram uma música a partir do MySpace adquiriram o respectivo download na loja da Amazon.
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